4 - VISITA À ALELUIA
- Antônio Tupinambá
- 12 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 20 de nov. de 2025
ANTONIO TUPINAMBÁ
AAML, Cad. 40-EM
18/08/2012.
Hoje, visitei minha prima Aleluia! Aleluia de que (para identificar a família)? Bom! Ela é filha do Didi (Galdino Ferreira Beckman), casada com o Arnoldo, filho do Neném Pereira. Logo, Aleluia... Bom! Deixa p´ra lá.
Como eu ia dizendo, visitei a Aleluia, que há muitos anos não a via! Foi algo maravilhoso, não só pelo fato de ver essa parenta que faz parte da minha história, mas, sobretudo porque me dei a oportunidade de rever paragens que enfeitaram os sonhos da minha infância. É que hoje a Aleluia está morando no Lago do Soares, no município de Autazes, onde muitas vezes fui com meu pai, só que remando – eu na popa da canoa, viajando no mundo da fantasia...
Enquanto a lancha “voava” para aquele lugar, eu ia lembrando as coisas do meu passado. Aos oito anos de idade? Dez anos? Por aí!
Saíamos de casa, lá na “Boca do Taboca” – minha mãe “matava” quem chamasse o seu “Lugar Santo Antonio” de “Taboca” – lá pelas quatro da manhã! E rema que rema. Era remar e mais remar. Íamos em visita ao meu tio Quim, ao Jonas Arigó, e outros amigos do meu pai. Atravessávamos o Lago do Taboca, saíamos no Paraná do Autaz, passávamos pela “Ponta do Barata”, que separa o Autaz Açú do Autaz Mirim.
Ali, na “Ponta do Barata”, as estórias do meu tio Manuel Beckman plantaram na minha memória um terror incomensurável, próprio da idade dos meninos do interior da minha época.
Contava ele que, naquele lugar, ascendentes da família Queiroz, por razões nunca esclarecidas, jogaram no rio um dos seus trabalhadores, depois de seviciado. Só que com os pés e mãos amarradas. Os gritos daquele trabalhador eram ouvidos pelos moradores da localidade, mas, para tentar escondê-los, eles, “os Queiroz”, acionavam a buzina daquela lancha que os anos e a crendice do povo da redondeza a transformou num “navio fantasma”, a aterrorizar minha infância.
Meu tio Manuel Beckman! Era o ídolo da minha infância. Ele sabia de tudo. Sabia de muitas estórias e muitos “causos”!
Contava que a “Ponta do Barata” era a porta de entrada de uma cidade encantada, sob o rio. As ruas e casas dessa cidade eram todas construídas em ouro. Nela, reinava uma sereia! De extrema beleza, magnetizava e atraía os jovens mais bonitos, levando-os para aquele perau, de onde nunca mais voltavam. Eu, que não era nem bonito nem com idade suficiente, ficava lívido de medo de ser atraído por aquela sereia, e nunca mais ver minha mãe!
O que pude testemunhar, no entanto, é que a “Ponta do Barata” era um “boiador” de peixe-boi. Muitas vezes fui ali, com meu primo Didi (pai da Aleluia), tentar arpoar peixe-boi. Nunca consegui, mas ele, o Didi, arpoou muitos! O que consegui foi muitos aracus, pescados debaixo das embaubeiras, para servir de isca nos anzóis dos “curumins” da pesca de pirarucu.
E, relembrando essas coisas, passando pelas mesmas paragens da minha infância, atravessamos o lago “Castanha”, andamos ao longo do Igarapé do Soares, e chegamos finalmente ao Lago do Soares, aonde meu pai e eu chegávamos depois de, no mínimo, cinco horas de viagens numa canoa movida a remo, do meu pai e meu. Hoje fizemos o mesmo percurso em trinta minutos, numa canoa equipada com motor propulsor de 150 HP de potência.
Na volta, atravessamos o Lago do Taboca e passamos pelo “Furo do Cachaça”, e, ao passar onde foi a casa de meus pais, uma emoção muito forte me dominou! Um filme da minha infância rolou na telona dos meus pensamentos, e uma lágrima quente rolou sobre meu rosto.

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