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5 - UVAS-PASSAS DO CICLO CULTO-CARGO

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 7 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 26 de nov. de 2025




ANTONIO TUPINAMBÁ

AAML, Cad. 40

15/04/2020

 



 O texto mencionado por Erick von Däniken, abaixo transcrito, apresenta um caso etnográfico curioso envolvendo os pemones e uma narrativa mítica reinterpretada à luz da tecnologia moderna (satélites, viagens espaciais). O tom é reflexivo e traz uma crítica implícita à colonização, à influência externa sobre culturas indígenas, e ao sincretismo entre tradição e modernidade. Ao mesmo tempo, o texto é apresentado de maneira narrativa, com uma certa leveza, mas deixa espaço para reflexões mais profundas sobre religiosidade, cultura indígena, mitologia, alienação e tecnologia. (IA).

 

 

 

Segundo Erick von Däniken, (aquele que escreveu “Eram os deuses astronautas?”), no seu livro de 1985 - “Será que eu estava errado?” -  a etnóloga venezuelana L. Barcelo relata o caso marcante do desenvolvimento do mito pemone.  Diz a Wikipédia que os pemones são um grupo étnico-linguístico vinculado à família linguística caribe. Hoje, os povos pemons distribuem-se entre o sudeste do estado venezuelano de Bolívar, na região da Gran Sabana e todo o Parque Nacional Canaima, na tríplice fronteira com a Guiana e com o Brasil, e em toda a extensão noroeste do estado brasileiro de Roraima.

 

Von Däniken informa que, segundo as tradições dos pemones, seu mensageiro de culto foi o deus Chiricavai, que, depois de sua estada na terra, voltou às estrelas, mas queria retornar algum dia. Quando “os russos atiraram um veículo celeste – um satélite – no espaço”, essa notícia chegou aos pemones, que viram nela a oportunidade de mandar uma carta ao deus Chiricavai dando notícias do seu povo. Três homens da tribo, que sabiam ler e escrever produziram o seguinte texto e o confiaram a um missionário para fazer chegar aos “russos” que, por sua vez, deveriam levar até o deus Chiricavai. A carta dizia:

 

Mui prezados russos,

 

Vocês me fariam o favor de enviar esta carta ao meu cunhado Chiricavai, que há alguns anos viajou para uma daquelas estrelas que estão perto da lua?”

 

“Querido cunhado Chiricavai,

 

Mando-te esta carta com a ajuda dos russos, para dar-te notícias de teus parentes e dizer-te que desde tua partida vamos mal e sofremos muito. Antigamente os índios não morriam e éramos numerosos, mas hoje somos poucos, pois os kanamais (os brancos) nos matam. Manda-nos algumas espingardas boas, não aquelas que vem do Brasil, mas as que vem de Uaranapi, que fazem a terra tremer. Assim aniquilaremos os kanamais e caçaremos muitos pássaros e animais selvagens. Como estás passando aí em cima? Aqui temos muito catarro, muita diarreia, muitos mosquitos que não nos deixam dormir. Querido cunhado, temos que aturar muitas coisas porque ninguém se incomoda conosco. Graças aos missionários, que nos dizem que depois desta vida haverá outra melhor para nós que sofremos, se formos bons. De outra maneira, não sei o que seria de nós. Vocês, aí em cima, usam roupa ou andam de tanga?  Manda-nos um pedaço de pano vermelho.  Também gostaria de saber como viajaste para aquelas estrelas, pois, por mais que pense nisso, não encontro solução. Para chegar aí, será que voaste num urubu? Hoje os russos nos garantem que logo a gente poderá subir até aí. O melhor é tu desceres até aqui, a fim de dizer-lhes como foi que subiste, para que eles não quebrem tanto a cabeça. Caso não entendas mais esta carta, porque está em espanhol, envio-te estas palavras em índio: Chiricavai, achike non pona adombaton piak. Chiricavai, desce até a terra, para junto dos teus parentes. Isto é tudo. Até a vista. Teu cunhado, Uaipayguri”.

 

Eu pretendia alongar esse texto explorando certas especulações acerca de deuses e mitos que os sustentam. Entretanto, um fato impediu-me de continuar:  minha querida amiga Lenis Alves de Oliveira, desde os bancos de escola, partiu para o Oriente Eterno, acometida que foi dessa gripe chinesa. Vai em paz, minha amiga!


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