UM OBJETIVO PARA A ARLS GLÓRIA SOBRE AS TREVAS
- Antônio Tupinambá
- 11 de dez. de 2025
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PEÇA DE ARQUITETURA
Sessão Ordinária de 21/01/1999
Meus Irmãos,
Em primeiro lugar quero agradecer ao Grande Arquiteto do Universo o privilégio de poder estar presente nesta Sessão, para dar e receber de cada um de vocês um pouco da energia renovada nestes mais de trinta dias de férias maçônica. Quero agradecer, também, a todos aqueles Irmãos que nesse período de recesso maçônico marcaram presença na nossa Obra, aos sábados.
Muito obrigado, e sejam todos bem-vindos aos trabalhos litúrgicos que ora são iniciados.
Ao bem da Maçonaria de um modo geral, desde há muito venho me questionando acerca do que essa Ordem Iniciática vem fazendo no nosso país para justificar sua existência como entidade que se propõe alcançar vários objetivos([1]): na condição de instituição essencialmente filosófica, filantrópica, progressiva e evolucionista, seus estatutos dizem que ela busca o aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade.
Observo, entretanto, que tão altos voos não conseguem aproximá-la das fronteiras dessa utopia, que é esperar que possa aperfeiçoar sequer o contrato social do povo brasileiro. Para confirmar isso basta observar que os maçons que integram o Poder Legislativo nacional, constituído de Vereadores, Deputados Estaduais e Federais, e Senadores, bem como os maçons investidos no cargo de chefes do Poder Executivo dos três níveis de Governo, outra coisa não fazem senão defender interesses obscuros, distantes dos Grandes Princípios em que está assentada a Maçonaria – o amor fraternal, a caridade e a verdade – que eles solenemente juraram defender.
Se voltarmos nossa atenção para um passado próximo, outra coisa não vislumbraremos que não sejam convulsões intestinas fragmentando as forças da Sublime Ordem. No presente, as Lojas lutam desesperadamente para reunir Obreiros bastantes para, simplesmente, praticar os Ritos Maçônicos e viabilizar a transmissão de conhecimentos relacionados quase sempre com a liturgia. Não que isso seja depreciativo. Muito pelo contrário, é com a indagação esotérica que o Obreiro da Arte Real vai abrindo caminho para a formação de sua personalidade maçônica.
Ocorre, meus irmãos, que “enquanto os cães ladram a caravana passa”, ou seja, enquanto reunimo-nos para a prática do esoterismo segundo a liturgia do Rito, e com isso especulamos acerca de conhecimentos muito ao gosto do Século XVII, grandes decisões são tomadas pelo Poder Público; volumes imensos de riquezas são gastos em empreendimentos que em nada ajudam os infortunados; nossas divisas esvaem-se na complicada questão da economia internacional.
Diante da doutrina dos Mestres, é triste reconhecer que a Maçonaria Brasileira, particularmente na terra de Ajuricaba, está fragilizada ao ponto de nada poder fazer para modificar a situação do menor abandonado, do idoso desamparado, do trabalhador sem emprego, do salário degradante, e tantos outros problemas sociais que o Poder Público não consegue solucionar. No plano econômico, a duras penas todos pagam pela gastança desenfreada dos Governos descompromissados com a distribuição equitativa da renda nacional. Nos empregos públicos mais vale a indicação dos poderosos do que o conhecimento e a competência de quem ao longo dos anos amealhou conhecimentos técnicos para o exercício de funções relevantes.
Tudo isso, e mais outros tantos motivos que os considero justos, fazem-me refletir sobre uma proposta que ouso lançar nesta Primeira Sessão Ordinária do ano de 1999, da Augusta, Respeitável e Beneficente Loja Simbólica Glória Sobre as Trevas, que é transformá-la no “Centro de União” referido na Constituição de Anderson, com o propósito de perseguir um objetivo que venha honrar o nome da Maçonaria e encher de orgulho nossos filhos. Em outras palavras, fortalecê-la ao ponto de vir ela a ser a referência da maçonaria Baré, e, através dos seus Obreiros, interferir declaradamente nas grandes decisões político-administrativa do nosso Estado primeiramente, e, posteriormente, do nosso País.
Para isso, é necessário elaborar um Projeto que passe obrigatoriamente pelo conhecimento das nossas reais possibilidades e o reconhecimento de que, enquanto formos poucos, pobres e sem influência alguma no plano político, social e econômico da nossa cidade, não chegaremos a outro lugar que não seja a condição de uma pequena Loja que “bate malhete” com perfeição. Esse Projeto deverá considerar a doutrina de dois Irmãos que, de certa forma, um no passado e outro no presente, influíram ou podem vir influir no destino da Maçonaria Brasileira.
No passado, o sempre lembrado Irmão Manoel Queiroz Gomes ensinava que o combustível que faz funcionar a máquina da Loja é o Aprendiz. E é fácil compreender por quê. Enquanto os maçons detentores de graus mais elevados desencantam-se com a Maçonaria numa escala de proporção geométrica, tornando-se cada vez menos participativos, os Neófitos sonham com grandes realizações maçônicas. Prova disso é a construção em andamento do nosso Templo, só possível pela alavancagem de dois Aprendizes muito queridos, e pelos quais rogo ao Grande Arquiteto do Universo mantê-los em nosso meio até o final de seus dias.
No presente, do alto de sua Cátedra o Professor Felismino Francisco Soares Filho ensina que nenhuma organização será forte se não puder contar com um líder autêntico e um contingente de liderados imbuídos do propósito de defender os mesmos ideais e alcançar os mesmos objetivos, todos obedecendo aos princípios da universalidade, da unidade, da autoridade e da lealdade. Exemplos? Veja-se as tradicionais empresas do nosso Estado (J. G. Araújo, J. S. Amorim, S. Monteiro, etc.), tragadas pela bancarrota após o falecimento dos seus fundadores, enquanto uma facção dos entes sociais cresce incontestavelmente: as Igrejas Evangélicas, capitaneadas por líderes religiosos, autênticos ou não.
O inventário de nossas possibilidades permite construir o arcabouço do Plano: Na ordem direta das prioridades está a conclusão da construção do nosso Templo. Essa tarefa, entretanto, não inviabiliza a execução de outras, quais sejam:
a) ampliar qualitativa e quantitativamente o Quadro da Loja, iniciando novos Obreiros;
b) elaborar manuais de instrução sobre ritualística, legislação, história e simbologia, de formas a permitir que o Venerável siga um roteiro para ministrar instruções programadas, ao mesmo tempo em que planta no coração do Aprendiz a semente do Conhecimento;
c) elaborar o arcabouço do Projeto propriamente dito, ou seja, procurar respostas para as indagações “o que fazer”, “por que fazer” e “como fazer”.
Na ampliação quantitativa e qualitativa do Quadro de Obreiros, é fundamental que os Candidatos reúnam no mínimo os mesmos requisitos dos seus proponentes. Nesse particular já contamos com dois jovens magistrados, não sendo demais esperar que esse efetivo possa ser quadruplicado ainda neste ano de 1999, e que essa proporção seja mantida até a exaustão dos Magistrados profanos. Contamos também com alguns altos funcionários do Governo Estadual e Federal, e outros do escalão mais inferior; de igual modo estão no nosso meio Diretores e altos funcionários de Empresas do Distrito Industrial, da Aviação Comercial, empresários, comerciantes e profissionais liberais em ascensão, cujo efetivo também pode ser quadruplicado ainda neste ano. Falta-nos Obreiro oriundos do Ministério Público, do Poder Legislativo Municipal, Estadual e Federal, do Clero e dos Evangélicos.
Ao bem da Loja em particular, da Maçonaria Universal, e do povo brasileiro, convido os Irmãos, de qualquer Grau, a apresentarem esses Candidatos.
A nós, hoje aqui presentes, caberá a responsabilidade da orientação intelectual dessa plêiade de jovens maçons, quer esotérica quer politicamente falando, sempre tendo em mente que depende do conteúdo programático das nossas preleções e dos nossos Manuais, tanto quanto da nossa vontade, alcançar o principal objetivo do Projeto, que outro não é senão construir a Maçonaria do próximo milênio.
Que o Grande Arquiteto do Universo nos ajude a vencer as dificuldades que poderemos encontrar para alcançá-lo.
ANTONIO TUPINAMBÁ
CIM 161.722
[1] Constituição do Grande Oriente do Brasil, Art. 1°.

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