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2 - TRIBUTO A UM REI ESQUECIDO

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 4 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de nov. de 2025

 


ANTONIO TUPINAMBÁ

AAML, Cad. 40-EM

04/06/2025

  

Ele era um morador de rua que conheci há quase duas décadas, como se conhece qualquer morador de rua em qualquer parte do mundo. À época, só pude imaginar que ele tenha sido alguém com uma família, uma profissão, mas que, por algum motivo, perdeu tudo isso, inclusive o controle mental. Eu não sabia do seu nome. A postagem de uma senhora que o conheceu em épocas anteriores veio trazer alguma informação sobre esse homem, e me remeteu a uma canção interpretada por Benito di Paula, chamada Tributo a um Rei Esquecido, uma homenagem a Geraldo Vandré, em 1974.

Na década passada fiz uma homenagem a ele, esse morador de rua, pessoa tão humilde e simples, mas de alma tão pura. Não sei por que fiz isso, mas aquele homem mexeu, e ainda mexe comigo, quando me lembro dele.

Seu nome? Para mim, e grande maioria de pessoas daquela cidade, visitantes ou não, apenas "PAPAI ME DÁ UM REAL".

Certa noite eu estava triste. Muito triste. As coisas da vida estavam turbilhonando minha mente, a ponto de me fazer explodir.

 E explodi.

Foi uma explosão controlada, mas, mesmo assim, tudo esquentou, o suor escorreu pelo meu corpo, o coração acelerou, a pressão arterial foi para as alturas.

Um anjo me tomou pela mão e me retirou daquele ambiente, naquele momento.

Andamos um pouco pelas ruas próximas ao Hotel onde eu estava hospedado, e paramos em frente a uma igreja. Deu vontade de entrar, mas ela estava fechada. Conversamos um pouco, e retomamos a breve jornada de carro em busca de alguma coisa para ver, ouvir, sentir, contanto que aliviasse minha tensão nervosa.

Paramos na orla da cidade, sentamo-nos para um tacacá.

De repente, lá vem ele em nossa direção, e faz a abordagem de sempre:

- Papai, me dá um real?

De pronto lembrei da canção do Benito de Paula, e o fiz sentar ao meu lado para tentar extrair alguma informação sobre aquele homem que um dia, como diz a canção, já foi um rei - balconista de farmácia, cabeleireiro famoso, família considerada - mas ele não diz nada sobre sua própria vida. Ofereci-lhe comida, recusou; ofereci-lhe um suco, refrigerante, qualquer coisa que lhe pudesse servir de alimento, mas ele recusou tudo.

Resolvi homenageá-lo com essa canção que, para mim, retrata tudo que meu imaginário pensa sobre ele.

Saí dali aliviado!

 

 


     

1 comentário


Eylan Lins
23 de jun. de 2025

História maravilhosa…

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