10 - POR QUE A IGREJA CATÓLICA REPUDIA A MAÇONARIA?
- Antônio Tupinambá
- 29 de ago. de 2025
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Atualizado: 26 de nov. de 2025
Antonio Tupinambá
PMI da ARLSGST
23/05/2004
Essa indagação povoa o pensamento de muitos maçons recém iniciados, e mesmo daqueles que, por qualquer razão, durante longa caminhada na senda da Iniciação nunca procuraram encontrar a fonte do Conhecimento, salvo os relacionados com a dinâmica ritualística de sua Loja. Por que o repúdio, uma vez que os Franco-Maçons foram os construtores de Catedrais desde a Idade Média? Por que, se foi a Igreja quem sustentou o Ofício e lhe garantiu reconhecimento e respeitabilidade?
A razão da repulsa advém da situação sócio-política italiana que marcou o fim do Estado Pontifício no período entre os anos de 756 e 1870, conforme lembra o padre jesuíta José Antonio Ferrer Benimeli, no livro intitulado “Maçonaria X Satanismo” [1]. Nesse período a parte central da Itália esteve sob o domínio dos Papas, que detinham o poder clerical e temporal, e governavam segundo o pensamento religioso da época. Detinham também a posse da terra, principal fonte de renda do Estado Pontifício, sem contar com as cidades-estados que lhes rendiam absoluta obediência, e, naturalmente, lhe enchiam os cofres de riquezas.
Existia nos Estados um descontentamento público contra o clero como classe dominante, e contra a Igreja, “atiçado pelas sociedades secretas e patrióticas”, resultando em agitação contra o governo, “que acabaria fundindo-se pouco a pouco com a campanha em prol da unidade italiana”, que viria acontecer em 17 de março de 1861, quando o Parlamento reunido em Turim proclamou formalmente o reino da Itália [2]. Com a unidade nacional, a Igreja perdeu o poder sobre as cidades-estados, que já estavam reduzidos a Roma e o Lácio. O Papa se recolheu ao Vaticano e se negou a entrar em negociações com o novo governo.
Sabendo que a causa do Estado Pontifício estava perdida, a Igreja procurou um culpado para esse fim melancólico do seu poder temporal, encontrando-o entre as sociedades secretas, genericamente acusadas na encíclica Qui Pluribus de “pisotear os direitos do poder sagrado e da autoridade civil”, todas elas – sociedades secretas - “saídas do fundo das trevas para fazer reinar onde queira, na ordem sagrada como no profano, a desolação e a morte”. Isso foi só o começo de uma longa lista de acusações infundadas. Depois, a Maçonaria foi citada diretamente em várias encíclicas, sendo a mais extensa a Humanum Genus, dizendo que o último e principal dos intentos da Maçonaria seria “destruir os fundamentos da ordem religiosa e civil estabelecida pelo cristianismo, levantando, à sua maneira, outra nova ordem, com fundamentos em leis tiradas das entranhas do naturalismo”.
Nesse contexto, em 1881 Léo Taxil ingressa na Maçonaria, de onde é expulso ainda como aprendiz, logo depois de descoberto o seu caráter nada exemplar. Com pendores para tirar proveito de situações difíceis de pessoas influentes, de governos, e entidades, ou do que se lhe apresentasse como potencial fonte de exploração, Léo Taxil dá uma versão diferente para o grito de guerra de Gambetta, “O clericalismo, aí está o inimigo!”. Taxil, que era anticlerical, e que havia infernizado a vida dos clérigos expondo em artigos situações que a Igreja não gostaria de dar conhecimento aos cristãos, converteu-se ao cristianismo e tanto fez que colocou o Humanum Genus a serviço da Igreja, respondendo ao grito de guerra de Gambetta dizendo que “o inimigo é a Maçonaria!”. Sustentado por mentiras acerca do rito maçônico, do qual só conhecia o Primeiro Grau, forneceu munição para várias encíclicas atribuindo à Maçonaria poderes maléficos sob a influência de Lúcifer, a quem rende culto, entre outras mentiras.
“Foi no livro As Irmãs Maçons... onde principalmente descreve com toda minúcia o ‘culto do demônio’, chamado Palladismo. Nas Lojas satânicas, o Palladismo era celebrado, segundo Taxil, à base de verdadeiras orgias onde Lúcifer era venerado como príncipe dos bons. O adepto devia jurar incondicional obediência às ordens da Loja, não importava o que lhe fosse ordenado. Além do mais, devia adorar a Satanás, invocando-o segundo o ritual da necromancia. Era apresentado na forma de Baphomet, um ídolo com pata de cabra, peitos de mulher e asas de morcego. Em As Irmãs Maçons, também apresenta Taxil a, por ele inventada, Sophia Walder, a bisavó do Anticristo, que, em 21 de janeiro de 1889, haveria de ser apresentada como a Grã-Mestra do Palladismo.
Não é de admirar, portanto, que a Igreja, movida por interesses políticos da época e alimentada por mentiras de um dos seus então mais respeitáveis convertidos, alimentasse repúdio tão grande à Maçonaria, anatematizando-a durante séculos.
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[ 1 ] BENIMELI, José Antonio Ferrer – Maçonaria X Satanismo – Editora Maçônica “A Trolha” Ltda., 1ª Edição, 1995.
[ 2 ] Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

Quando eu era criança, descobri que meu pai era maçom. Ele guardava seus paramentos e materiais de ensino em uma gaveta da cômoda e nos dava duas orientações importantes: primeiro, que se alguém abrisse aquela gaveta e descobrisse o 'segredo', algo ruim aconteceria com ele; segundo, que não podíamos participar da maçonaria porque lá havia um bode preto muito feroz. Cresci com esses mitos, respeitando aquelas orientações. Tinha muito medo de ser a causadora de algum mal que recaisse sobre ele. Só quando me tornei adulta e tive acesso a mais conhecimento e informações, descobri a verdade por trás desses segredo.
A maçonaria é uma organização fraternal que valoriza a fraternidade, a igualdade e a liberdade. Seus rituais e símbolos…