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13 - PAULO ROBERTO DE ALMEIDA LENTZ (MAMADEIRA, MEU GUARDIÃO NO PAREDÃO)

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 1 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 20 de nov. de 2025





Antonio Tupinambá

AAML, Cad. 40

18/02/2018

 

 

 

Difícil abordar o tema. São apenas recordações quase perdidas no tempo, decorrentes de um momento muito triste porque um amigo de juventude se perdeu no espaço há mais de quarenta anos. Seu nome: Paulo Roberto de Almeida Lentz.

Acerca de três anos o Fecebook apresentou no meu perfil, lista de “Pessoas que talvez você conheça”, o nome de Neybe Lentz, para quem escrevi, via Messenger:

 

“Oi, Bom dia! Faz muitos anos conheci um moço chamado Paulo Roberto de Almeida Lentz. Seria ele um parente seu? Ele morava em Manaus, tinha uma irmã e a mãe dele chamava-se Sulamita.

Tenho procurado esse amigo de juventude e não o tenho encontrado. Estou com 71 anos e ele deve ter mais o menos a minha idade. é muito importante para mim reencontrá-lo. Você poderia me ajudar?”

 

 Ontem, ela respondeu:

 

“Poxa que pena que não vi sua mensagem antes! Ele era meu tio! Irmão de meu pai passou muitos anos desaparecido e voltou para MANAUS, acho que p(or)que) sabia que estava muito doente. Ele faleceu em 2016, e a mãe dele também! Uma pena!”

 

Essa notícia caiu como um raio sobre minha cabeça. Passei o resto do dia acabrunhado, entristecido, choroso, por fim, péssimo. Paulo e eu estávamos ligados por um vínculo muito forte, nascido das agruras do internato na Escola de Iniciação Agrícola do Amazonas, mais conhecida na época como “Paredão”, onde hoje está instalada uma estação da Marinha do Brasil; depois, na Escola Agrícola Manoel Barata, em Outeiro, Icoaracy, Belém do Pará.

Paulo era o menor, e mais novo da turma de noventa e três alunos, do “Paredão”. Por isso mesmo recebeu o apelido de Mamadeira, pelo qual vou referir-me a partir de agora. Era pequenino, branco, cabelo meio “sarará”, olhos verdes, o menor e mais novo, mas também o mais atrevido, o mais destemido, o mais valente da turma. Não calava ante a rabugice do professor Oscar, não recuava quando alguém dos “maiores” crescia em valentia sobre ele: enfrentava-o, mesmo que saísse da briga com a cara toda amarrotada.

Talvez porque eu fosse fisicamente muito frágil, apesar de possivelmente um pouco mais velho e mais alto do que ele, ou porque eu morava no interior do Estado, sem as malícias dos meninos da cidade, Mamadeira resolveu ser meu protetor. Foi ele quem primeiro me avisou sobre os “grandes” aliciarem os “pequenos” para aqueles servirem de protetor destes, mas na realidade queriam mesmo era se apossar de qualquer valor em dinheiro ou bens materiais. (Eu já tinha caído numa dessas, e quando cobrei meu escasso dinheirinho fui devidamente intimidado com promessas de violências sem fim).

Muitas peraltices vividas durante os cinco anos de internato. No “Paredão”, saídas furtivas aos finais de semana para visitar a Lourdes, pretendida namorada da garotada, uma moçoila que morava do outro lado do igarapé do Mauazinho, de onde quase sempre voltávamos imediatamente antes do “Guarda de Alunos” apitar silêncio, às dez da noite. Foram muitas travessias do Rio Negro em canoa movida a remo, com a Lourdes, mãe e irmãos menores, só pelo prazer da aventura; quantas pescarias nas “Lages”, de onde voltávamos para a Escola algumas vezes com grande quantidade de peixes, usados para o almoço de todos os alunos nos primeiros dias da semana seguinte.

No “Manoel Barata”, foram muitas escapadelas durante o veraneio, para admirar a beleza das garotas nas praias de Outeiro, ou um final de semana em Icoaracy; foram muitos jogos de futebol, esporte no qual Mamadeira achava que era craque, numa eterna disputa com o Xambari (Dilson da Silva Ramos).

E o tempo passou. No final do ano de 1964 nos separamos. Mamadeira continuou a jornada de estudante de agronomia; eu, de volta ao interior. Em 1969, recomeço minha jornada de estudante em Manaus, desta vez no sempre lembrado “Sólon de Lucena”. Em 1973, recebi a visita de Mamadeira, e nos encontramos regularmente durante umas três semanas. Depois, ele sumiu. Nunca mais vi nem ouvi aquele querido amigo e irmão. Não sei se constituiu família, se teve filhos, se teve êxito na sua profissão. Ele passou pela minha vida como o vento passa, refresca nossos rostos e não deixa marcas outras que não seja a lembrança.

Como forma de homenagem Mamadeira, permito-me fazer a chamada nominal de poucos dos mais queridos companheiros daquela jornada iniciada em 1960 e concluída em 1964, com o perdão daqueles que a idade já me roubou da lembrança o nome, ou o apelido, ou o número de matrícula: Paulo Roberto de Almeida Lentz (Mamadeira); Dilson da Silva Ramos (Xambari ou Tralhoto); Antonio Ferreira Lima (Guaiamu); (Buxuxu); Silvestre Torres; Miguel Feitosa Barbosa; Neymar Ramos de Assis; Ruy de Oliveira Gomes; Cleomilton Ramos da Silva (Curió)...


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1 comentário


Suzi Moraes - psicóloga
02 de set. de 2025

Mais um texto divino que lanças aqui. Quantas Memórias afetivas! Você é fonte de humildade. Gratidão é parte de tua identidade..🌹🌻☘️🌵

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