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11 - PÁTRIA, POR QUE SOLUÇAS, POR QUE É QUE GEMES TANTO

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 30 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 21 de nov. de 2025


Rui Barbosa

 

 

 

 

Pátria, por que soluças, por que é que gemes tanto,

Triste, curvada, imersa em doloroso pranto

Preso na terra o olhar, a mão erguida aos céus?

Por que ocultas a fronte na gaze das neblinas

Por que despes o verde formoso das campinas

Por que envolves em crepe teus floridos troféus?

 

Choras?... por que meu Deus, se o sol é tão brilhante,

Se nos bosques murmura o hálito possante

Da vida que circula aqui do norte ao sul?

Se o mar dorme nas praias sorrindo em cada vaga

Se o ar canta harmonias. Se a brisa que te afaga

Sussurra como um beijo do firmamento azul?

 

Por quê? Se tudo é festa, pompa estridor e gala?

Se além por sobre as ondas, impávido resvala

Bando de naus alígeras que impele a viração

Exulta, enxuga as faces... vê como as velas brancas

Flutuam procurando o espaço alegres, francas

Como braços de irmãos que chamam outro irmão

 

Olha – alguém responde no fundo do horizonte

Uma esquadra imponente

 

Se o manto qual mortalha dos lados lhe negreja,

Não temas, por quê? O pano além no mastro veja

Cândido como a inocência num rosto angelical.

 

***

 

 

 

ANÁLISE LITERÁRIA

 


Tema central

O poema aborda o sofrimento da pátria, personificando-a como uma figura triste e chorosa. O “eu lírico” questiona os motivos desse lamento, destacando a beleza natural do país e os sinais de prosperidade, como o sol brilhante, o mar sereno e as florestas vivas. Há um contraste entre a dor sentida e o cenário festivo e promissor.


Estrutura e linguagem

  • Personificação: A pátria é tratada como um ser humano, capaz de sentir, chorar e esconder o rosto.

  • Interrogação: O texto é repleto de perguntas retóricas, que intensificam o tom de inquietação e busca por respostas.

  • Imagens poéticas: O autor utiliza imagens como “fronte na gaze das neblinas”, “despes o verde formoso das campinas” e “envolves em crepe teus floridos troféus”, sugerindo uma pátria que se esconde e se entristece, apesar das riquezas naturais.

  • Contraste: O poema contrapõe o sofrimento da pátria com elementos positivos: sol, mar, brisa, bosques, festas e progresso (esquadras e naus).


Sentido simbólico

O texto pode ser interpretado como uma crítica ou reflexão sobre o estado emocional e social do país. Mesmo diante de tantas belezas e potencialidades, há algo que faz a pátria sofrer. O poema sugere que, apesar das aparências, existem dores profundas, talvez relacionadas à história, à política ou à identidade nacional.


Mensagem final

O eu lírico incentiva a pátria a enxugar as lágrimas e olhar para o horizonte, onde há esperança e fraternidade (“Como braços de irmãos que chamam outro irmão”). O pano branco no mastro representa a inocência e a possibilidade de renovação.

 

1 comentário


Suzi Moraes dos Santos
31 de out. de 2025

É um poema com uma linguagem culta extraordinária, embora o conteúdo não seja nada animador, remete ao cenário atual da nossa pátria amada. A escrita nos prende na leitura. ❤️❤️❤️

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