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10 - OUTRA CANÇÃO DE FÉ E ESPERANÇA

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 9 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 21 de nov. de 2025






Antonio Tupinambá

AAML, Cad 40

31/10/2014

 

No dia 9 de novembro de 1923 Álvaro Maia, então com 30 anos, pronunciou um discurso no Teatro Amazonas, em comemoração aos 100 anos da adesão do Amazonas à Independência Nacional. Irretocável texto na forma e no conteúdo, intitulado “CANÇÃO DE FÉ E ESPERANÇA”, no dizer de José Lindoso (1929-1993), “uma convocação com clarinadas de extraordinária sonoridade; uma convocação à juventude para os prélios cívicos e uma advertência vigorosa e decisiva à situação política dominante”. José Lindoso considerou que a “Canção de Fé e Esperança” tornou-se uma espécie de Bíblia para as gerações do Amazonas, e, até hoje, todas as vezes que as dificuldades toldam os nossos céus e todos os instantes que o entusiasmo e a fé arrefecem em nossos corações, buscamos naquelas páginas o revigoramento do entusiasmo para lutar em defesa da terra e do povo, complementa Lindoso.

Disse Álvaro Maia que a


reabilitação está em marcha e, por bem ou por mal, chegará o tempo de converter os miasmas em ar virtual, em pão, arrimando os vencidos e os miseráveis com as economias que lhe foram subtraídas a golpes de força, pela mudança da lei em trampolinadas e tranquibernices”. “É o instante da mocidade intervir na luta, interessar-se pela marcha de seu Estado, sem a inconveniência das oposições sistemáticas como dos apoios incondicionais. Soou o momento oportuno dessa iniciativa e, em sua defesa, devem formar fileira todos os amazonenses, dentro ou fora do Amazonas, porque a distância só é um salvo-conduto de impassibilidade para os que tem o gérmen do comodismo e da covardia. O amazonense deve trabalhar pela grandeza de seu berço, onde quer que se encontre, acompanhando com interesse os assuntos que lhe dizem respeito, surdo aos doestos e aos insultos dos que lhe atirarem pedras, em nome de um falso patriotismo e de um falso amor. Será esse o conciso programa que, divergente em certas diretrizes, só tem um princípio básico – o amor pelo Amazonas, a defesa do Amazonas, o bem para o Amazonas”. “Mas, nesse programa sem exclusões odiosas, com o regaço aberto aos filhos de outras terras, animados de respeito e de honestidades, de coragem e de trabalho, nesse programa de querer o Amazonas, está incluído o apanágio da liberdade, pelo respeito à vontade das minorias, pela livre manifestação do pensamento, pela legalização do interior entregue ao marasmo e despido das menores fórmulas jurídicas, pela constituição de congressos que interpretem a necessidade do povo”.

Noventa e um anos depois das palavras de Álvaro Maia naquela memorável noite em que o “mais obscuro dos moços amazonenses” (assim ele se identificou) entoou a sua canção de fé e esperança, “em nome de companheiros da mesma jornada como aras sacrossantas, sobre a terra bendita, destinada a ser o ninho de grandes realizações”, aquele chamamento ao prélio cívico bate à minha porta intimando-me a pelejar pela mudança de ordem das coisas, mesmo não sendo jovem.


Mas, mudar o que mesmo? e, por que?

Ainda: como fazer essa tão necessária mudança sem romper com o estado de direito em que vivemos?

Construir mais cadeias públicas ou instituir a pena de morte vai acabar com o crime? Implementar o Bolsa Família e/ou outros programas sociais vai eliminar a pobreza? Aumentar os juros e manter os salários no mesmo patamar vai eliminar a inflação?

Confesso que não sei muito sobre essas coisas de economia e, por isso, não sei o que mudar, por que mudar ou como mudar. A única certeza que tenho é a de que as redes sociais estão transbordando de reclamações, de denúncias, de insatisfações, de choramingas, todas relacionadas com o Governo do País, com as perspectivas sombrias para o futuro imediato da nação, e ninguém apresenta um projeto, um plano, uma opinião sequer, para tentar encontrar um caminho que leve à solução dos problemas apontados.

Penso também que o instrumento das mudanças necessárias são os moços, com suas inteligências e disposição. Chegar a eles é que é difícil. Entretanto, diferente da época de Álvaro Maia, hoje temos a internet abrindo grandes possibilidades através de uma comunicação praticamente instantânea. Usando essa ferramenta, pretendo procurá-los, encontrá-los, reuni-los, ouvi-los, protegê-los dos vírus que contaminaram os políticos hodiernos e, quem sabe, ajudá-los a elaborar um projeto para o nosso Amazonas, para o nosso Brasil, enfim, a compor uma Nova Canção de Fé e Esperança. Tenho certeza que entre esses moços existem muitos com os requisitos necessários para liderar o processo incipiente de transformação que está fermentando na sopa primordial incubadora de uma nova era política.


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