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ORIGEM DA MAÇONARIA E DAS LOJAS MAÇÔNICAS

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 6 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

 

Buscador,

Antonio Tupinambá.

AAML, Cad 40-EM

02/12/2025

 

 

I – AS LEGIÕES ROMANAS

 

 


Durante muito tempo ouvi ensinamentos maçônicos sobre dois assuntos que, embora aparentemente sem importância, carecem de serem discutidos em nome da verdade. O primeiro, é sobre a origem da Maçonaria; o outro, é a origem das Lojas Maçônicas.

Neste texto, e em outros que escreverei,  que não sei se é artigo ou crônica, ou outro gênero literário qualquer – mas não estou preocupado com isso – vou tratar da origem da maçonaria que, segundo alguns escritores, está na Roma Antiga.

Diga-se de passagem, que a fundação de Roma está situada cerca de 771 a.C., com a lenda dos gêmeos Rômulo e Remo, filhos da vestal Reia Sílvia com o deus da guerra Marte. O outro lado da história é a Queda do Império Romano do Ocidente no ano de 476 d.C., quando o último imperador, Rômulo Augústulo, foi deposto por Odoacro, um líder bárbaro.

Então a Roma Antiga sobreviveu cerca de mil e duzentos anos. É dentro desse interstício, segundo algumas publicações, que surgiu a Maçonaria.

Os ensinamentos maçônicos que recebi, certamente baseados em livros cujos autores não mencionavam suas fontes primarias de informação, diziam que a Maçonaria teve origem na Roma antiga, quando de suas guerras expansionistas. Esses ensinamentos mencionavam um certo legionário que, acompanhado de outros, iam reconstruindo tudo aquilo que os legionários guerreiros iam destruindo durante as escaramuças.  Ele, o legionário construtor, teria sido o primeiros maçom operativo.

Entretanto, segundo a inteligência artificial da plataforma IntelectuAl([1]), durante as guerras as legiões romanas levavam consigo trabalhadores responsáveis pelas obras de restauro e implantação de prédios destruídos. Quem liderava esses trabalhadores?

Essa pergunta toca num dos pilares da incomparável eficiência militar romana: a sua capacidade de engenharia.

 Sim, as legiões não eram apenas exércitos; eram verdadeiras máquinas de construção, capazes de erguer pontes, construir estradas, montar acampamentos fortificados e restaurar ou implantar edifícios em tempo recorde.

A liderança desses trabalhadores, tanto militares quanto civis, resultava em um sistema bem organizado e hierárquico. Não havia uma única figura universal, mas sim uma série de oficiais e especialistas que colaboravam.

Vamos detalhar os principais responsáveis:

O “Praefectus Castrorum” (Prefeito do Acampamento, provavelmente, o cargo mais próximo da resposta para a “supervisão geral” dessas atividades). Era um oficial sênior, geralmente um ex-centurião de grande experiência, que havia subido na hierarquia militar e se aposentado da linha de frente. Sua principal responsabilidade era a logística e a engenharia de um acampamento legionário.

Ele supervisionava a Construção de acampamentos desde o planejamento do traçado até a coordenação da mão de obra; supervisiona a construção de infraestrutura das Pontes, estradas, fortificações; garantia que tudo funcionasse e fosse reparado na Manutenção; garantia a montagem e manutenção de armas de cerco (catapultas, balistas) e outras máquinas militares, hospitais, banhos, fornos...

Toda a infraestrutura necessária para a vida de milhares de homens, era da responsabilidade do Praefectus Castrorum.

Além disso, se havia a necessidade de restaurar um edifício ou implantar um novo num território recém-conquistado ou durante uma campanha, era o “Praefectus Castrorum” quem coordenava os recursos e a mão de obra para essa tarefa. Ele era o "engenheiro-chefe" e "gerente de projetos" da legião.

Além dele, existiam os Fabri (Engenheiros Militares e Artesãos); os Mensores (Agrimensores/Geômetras); a Mão-de-Obra Não-Especializada e Civil; os soldados regulares; os auxiliares, e os trabalhadores locais, e os escravos.

A disciplina e a capacidade de engenharia eram tão vitais para o exército romano que, mesmo depois de uma longa marcha, a primeira tarefa dos legionários era construir um acampamento fortificado (castra). Isso incluía cavar valas, levantar paliçadas, erguer tendas e planejar as ruas internas. Era um ritual diário, repetido centenas de vezes em campanha, que garantia a segurança e a coesão da legião. A coordenação para tamanha obra era uma proeza logística e de comando, liderada em grande parte pelo Praefectus Castrorum.

Em resumo, enquanto o Legado (Legatus Legionis), o comandante da legião, dava a ordem estratégica, a supervisão e execução prática da construção e restauração recaíam sobre o Praefectus Castrorum, que coordenava os fabri (engenheiros e artesãos militares), mensores (agrimensores) e a mão de obra comum (outros legionários e, se necessário, civis).

Quem foi, entre os Praefectus Castrorum (Prefeito do Acampamento), aquele que chegou a ser considerado o primeiro maçom?

Essa pergunta permite explorar a fascinante intersecção entre a história militar romana e as tradições de irmandades e ofícios

Primeiramente, é fundamental esclarecer que a Maçonaria, como a conhecemos hoje, é uma organização que surgiu muito, muito mais tarde na história, especificamente na Europa dos séculos XVII e XVIII. Portanto, nenhum Praefectus Castrorum romano, ou qualquer outro indivíduo da Roma Antiga, foi, de fato, um "maçom" no sentido literal do termo. Não existia a Maçonaria naquela época.

A confusão ou a associação entre antigos construtores e a Maçonaria surge do fato de que a própria Maçonaria Especulativa (a forma moderna) tem suas raízes nas guildas medievais de pedreiros (operative masons) e adota vastamente a simbologia da arquitetura, da construção e das ferramentas de pedreiro para ensinar lições morais e filosóficas. Essas tradições mnemônicas e simbólicas são usadas para remontar, de forma alegórica, a grandes obras e construtores da Antiguidade, como o Templo de Salomão, a Biblioteca de Alexandria, e sim, as impressionantes construções romanas.

Dito isso, se tivéssemos que procurar uma figura no contexto romano que personificasse os ideais de um "mestre construtor", de um organizador de grandes obras e de um líder habilidoso na engenharia, características que a Maçonaria simbólica valoriza, o Praefectus Castrorum seria, sem dúvida, o candidato mais forte. Mas, considerando que existiram várias Legiões (aproximadamente  foram 2 durante a República Inicial, de 10 a 25 durante as Guerras da República, entre 28 e 30 durante o Alto Império, e de 50 a 60 durante o Baixo Império), qual o Praefectus Castrorum, e de qual Legião, foi atribuída a condição de primeiro maçom? Não há um registro histórico de um Praefectus Castrorum específico que seja considerado o primeiro maçom por historiadores ou pela própria Maçonaria de forma oficial. Essa seria uma leitura anacrônica. A Maçonaria tem suas próprias figuras lendárias e semi-lendárias que remontam a tempos antigos, mas estas são parte da mitologia interna da Ordem, e não figuras históricas romanas.

Portanto, enquanto o papel do Praefectus Castrorum encapsula perfeitamente o espírito do "mestre construtor" e do engenheiro exemplar que tanto inspira a simbologia maçônica, ele não era um maçom no sentido histórico da palavra. Ele era, isso sim, um expoente da engenharia e organização militar que moldou o mundo romano.

 

***

 


[1] A plataforma revela que a ideia de um “primeiro maçom" romano é uma sobreposição anacrônica de um conceito moderno (a Maçonaria) sobre uma realidade histórica antiga, mas que podemos encontrar fontes primárias que descrevem as funções, a importância e as realizações do Praefectus Castrorum e da engenharia militar romana, que são as características que inspiraram, de forma simbólica e muito posterior, a associação com a ideia de um "mestre construtor".

 

 
 
 

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