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OCULTISMO NA LINHA DO TEMPO - MISTÉRIOS NA ANTIGUEDADE

Foto do escritor: Eloy Guillermo Castellón Bermúdez
Eloy Guillermo Castellón Bermúdez
19 de out.
7 min de leitura



Eloy Guillermo Castellón Bermúdez-Compilador

Academia Amazonense Maçônica de Letras

19/10/2026



Os mistérios foram instituições públicas, mantidas pelo estado (escolas públicas na atualidade), centros de vida e de religiosidade, frequentados por pessoas consideradas de ”classes superiores”, e onde exerciam as suas laboriosidades de forma excepcional; passando ou ascendendo os graus, num processo que poderia demorar alguns anos. Seria comparado ao que atualmente chamamos de capacitação acadêmica e intelectualidade, com o aditivo de ter conhecimento do que era o mundo, mas, também ter uma preparação do futuro após a morte, dando lugar ao conhecimento do que seria o valioso na vida e pelo qual se merecia viver (Leadbeater, Antigos Ritos Místicos).

Portanto, os mistérios não seriam “sociedades secretas” com conhecimentos ocultos para o público, já que muitas pessoas pertenciam aos graus comuns, como nos mistérios de Isis.

Os mistérios ou como outros preferem chamar, de mistérios de religiões antigas, eram bastante comuns na antiguidade, como exemplos, citamos os mistérios de Isis, Elêusis, o Órfismo, o Pitagorismo, dentre outros.

Podemos definir os mistérios, como representações simbólicas, dramáticas, donde a cosmogonia e a natureza eram personificadas por sacerdotes e até neófitos, que se desempenhavam como deuses.

Os mistérios antigos é um termo aplicado de maneira genérica, as antigas religiões pagãs e pré-cristãs, que abrangiam as crenças de grande parte das populações persas e egípcias, e os dividiam como mistérios menores e mistérios maiores.

Os mistérios menores ou exotéricos, tinham quatro estágios na sua prática: 1. A Purificação por meio de banhos, e abstinências de certos alimentos e bebidas. 2. A Transmissão do conhecimento místico, realizado por um sacerdote. 3. Ritos e Cânticos, todos reunidos, formando um círculo em cavernas ou salas na penumbra ou em criptas, seguidos de apresentações de símbolos. 4. O Banquete Sacramental, espécie de comunhão, expressando a solidariedade e união entre os presentes e as divindades, a quem cultuavam (Figueiredo, 2000).

Os mistérios maiores, ou esotéricos; em povos politeístas, com influências de deuses domésticos ou adotados de outras civilizações, introduzindo-os ou não, aos cultos secretos, como o de Osiris e Isis pelos egípcios e o de Baco e Elêusis pelos gregos e romanos, eram utilizados nas iniciações e somente poderiam ser conhecidos por aquelas pessoas que passassem pelos ritos iniciáticos. Dentre os cultos mais conhecidos estão o do Orfeu, Baco, Elêusis e Mitra. Os mistérios ou altos secretos representavam a sabedoria e as ciências; os templos foram as Escolas onde, ensinava-se através das iniciações. Praticava-se também o culto profano que consistia em cerimonias místicas, em homenagem a divindade em questão (Ragon,1957).

A iniciação, não era mais do que a capacitação de indivíduos escolhidos, para desempenhar cargos, como o de sacerdotes. Nas iniciações se submetia o candidato a provas de resistência física e capacidade intelectual, ensinando pela sua vez os conhecimentos científicos de aqueles tempos, estimulando o desenvolvimento, e a procura do desconhecido, por parte do iniciado.

Os antigos idiomas primitivos se compunham de mui poucas palavras, suas expressões careciam de exatidão e precisão; não se conheciam os alfabetos. Os professores tinham obrigatoriamente que ensinar por médio de instrumentos, símbolos e alegorias, hieroglíficos e figuras, métodos acadêmicos a disposição na época antiga. (Pompier, 2003)

Existe uma relação entre as cerimonias dos mistérios egípcios, gregos e romanos. Acredita-se que a procedência teria sido da Índia e Egito, transmitidos pelos antigos legisladores, que teriam aprendido da antiga sabedoria da índia. Considerou-se que os sábios legisladores que levaram o conhecimento das iniciações do Egito ao Ásia, foram os reis como Zaratustra, Inaco (filho de Oceano e Tetis, na mitologia grega), Orfeu (era um músico, poeta e profeta lendário, na religião grega antiga), Melampo (Foi um adivinho, que na mitologia, curou a impotência de Ificios, filho do rei Filaco da Tessania), e Minos (semideus grego, da ilha de Creta, filho de Zeus e Europa).

A transmissão do conhecimento na extensão da Europa, foi realizada por sacerdotes pagãos, que desenvolviam a espiritualidade e principalmente o contato e identificação com o meio natural; através de cineras (Arpa usada pelos hebreus, fenícios e sírios), do Erecteo (rei da cidade-estado de Atenas) e dos druidas (os druidas foram sacerdotes de ascendência indo europeia, que fizeram parte do povo Celta) (Pompier, 2003).

Existem outros personagens conhecidos na história, ligados aos mistérios e que foram também iniciados, como Moises, Pitágoras, Platão e Jesus; eles mesmos foram influenciadores diretos na fundação de outros mistérios como os mitríacos (Zaratustra), órficos (Orfeu), judaicos (Salomão), romanos (Numa Pompílio), e cristãos (Jesus) (Couto, 2006).

OS CULTOS DE MISTÉRIOS

Perissato (2019) manifestou que Os Cultos Antigos de Mistérios, foram um tipo de manifestação religiosa durante a antiguidade, que atraíam os peregrinos, provenientes das diversas regiões do Mediterrâneo, aos seus lugares de culto. Os cultos eram diversificados em que havia uma composição de elementos das tradições locais, em conjunto com as diversidades de suas interações sociais. Os cultos tinham como enfoque a celebração dos ciclos de vida e da fertilidade.

Os mistérios tornaram-se uma forma pessoal de culto, originados das crenças ou religiões chamadas “votivas”, pela prática de ofertar votos ou promessas, em troca aos deuses, pelo seu auxílio ou concessão de um pedido. Era um pedido de salvação para proteger dos perigos, salvar da morte, receber dádivas ou se tornar conhecido(a) de uma deidade através da sua divindade, realizando um culto específico.

Os cultos de mistérios ao parecer, são originários do século VI a. C. na Grécia antiga, nos levando à idade média, tendo uma origem oriental com espiritualidade helenizada; O culto à Magna Mater na Grécia antiga (chamada também de Cibele) vem do período arcaico, entre os anos 800 e 500 a.C.; o culto de Isis, em Roma, era do século I a.C. (deuses Egípcios); o culto a mitra (deus iraniano), vem do século II a.C. e refletem o culto de mistérios (Oliveira, 2020).

ZOROASTRISMO

Os antigos persas e medos eram civilizações politeístas de origem Indo-europeus que se instalaram na Ásia, entre o final do I e o início do II milênios, tomando o nome de Arianos e ocuparam o planalto do Irão.

Influenciaram as religiões como o dualismo ou Zoroastrismo ou Mazdeísmo, e o Parsismo, tendo como profeta Zaratustra, também conhecido como Zoroastro; o Mazdeísmo, é uma religião iniciática de mistérios, dos séculos I e II a. C. baseada nos ensinamentos de Zoroastro, de em torno do século VI a.C.; é uma religião monoteísta que postula a existência de um único Deus, Aura-Mazda e constituída pelo sincretismo religioso dos ensinamentos do Zoroastrismo com as crenças populares do Império Persa.

Segundo a religião zoroastriana, Aura-Mazda é o criador do Cosmo e como tal, também criou o céu e a terra; criou o ser humano, dotado de uma alma eterna e de livre arbítrio; o espírito bom, Aura-Mazda habitava nos lugares altos, iluminados pela luz e separado por um vazio, do lugar de moradia de Arimã, que representa o espírito do mal, e que habitava nos lugares escuros das trevas. Aura-Mazda criou o mundo espiritual, enquanto Arimã criou as criaturas malignas e atacou o mundo da luz. Os textos religiosos estão contidos no Avesta, compostos de duas partes: os Gathas que são poemas atribuídos a Zoroastro e a Yasna que correspondem aos textos litúrgicos.

O culto ao deus Supremo Aura Mazda, é auxiliado pelos yazatas ou espíritos benevolentes (seriam os anjos que representam o sol, o fogo, a lua, e os seres espirituais Amesha Spantas que combatem os demônios daeva e Arimã (Ahirman, Angra Mainyu) ou malignos (BBC, Zoroastrismo)

Vários conceitos Zoroastrianos se encaixam aos de religiões Abraâmicas, como no judaísmo, cristianismo e islã, assim como também com as religiões dhármicas ou indianas, como no hinduísmo, jainismo e budismo, com elementos comuns entre elas, já que acreditam:

-  Num Deus Supremo.

-Num estado Prístino ou primitivo da natureza, para melhor entender o futuro.

-  Na crença de um domínio espiritual de anjos e demônios.

-  Nos conceitos do bem e do mal.

-  Na vinda do messias, que culmina no juízo final.

-  Na crença no paraíso, purgatório e inferno, na restauração da vida no paraíso.

-Na vida após a morte, pela ressurreição.

Com as religiões dérmicas, compartilha uma concepção de uma pureza ritual, alinhada a uma ordem cósmica, rituais e preceitos éticos para manter a pureza (BBC, 2023).

ZOROASTRISMO E O CULTO A MITRA

Não sabemos o período em que sobreviveu o Zoroastrismo, mais, alguns historiadores consideraram que entre os séculos XVIII a X a.C.; esta religião está considerada como a primeira de caráter monoteísta.

A ressurreição fazia parte do zoroastrismo, assim como também acreditavam no fim do mundo. Esta religião é também conhecida como Mazdeísmo, antiga religião iniciática de mistérios do século II a. C. acreditavam na luta do bem (representado por Ahura-Mazda) e o mal (representado por Arimã), salvando os justos e levando-os ao paraíso, acreditavam na vida após a morte, portanto seu culto está associado à vida espiritual. O mazdeísmo é uma religião constituída pelo sincretismo religioso dos ensinamentos do Zoroastrismo com as crenças populares do Império Persa, uma religião monoteísta que postula a existência de um único Deus, Aúra-Mazda. Acredita-se que Dário I, pretendendo acabar com as crenças pagãs, reconheceu o Zoroastrismo como doutrina e que recebeu bastante influência do Judaísmo, por ter sido a primeira religião persa, e por estar inserido na avesta, livro sagrado persa, Mitra surge como um deus benéfico e colaborador de Aúra-Mazda (Castellani,2002).

O culto ao deus Mitra se propagou pelo mundo Helenístico (todos os gregos) e nas religiões romanas; nos séculos III e IV da era cristã, o culto a Mitra foi transformado no Mitraismo, nascido do deus da luz e na senda iniciática da maçonaria que sustenta a caminhada mística, em direção ao sol, representando a luz do conhecimento (Castellani, 2006).

O culto mitraico além de se identificar com a luz, o sol, apresentava muitas crenças judaicas, totalmente aproveitadas pelos fariseus, e absorvidas pela Igreja Católica, tais como a imortalidade da alma, Juízo Final, ressurreição da carne, céu e inferno; as quais perduraram no cristianismo, tendo sua origem na doutrina farisaica. De acordo com Castellani (2006), apenas a santificação do dia 25 de dezembro é de origem mitraica, sendo uma repetição constante do “Natalis invicti solis”.

As Referências Bibliográficas citadas neste texto, correspondem às referências do livro “O Ocultismo na Linha do Tempo” e serão apresentadas, quando todos os capítulos sejam publicados.


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