OCULTISMO NA LINHA DO TEMPO - MAGIA E ADIVINHAÇÃO EM POVOS DA ANTIGUIDADE
Eloy Guillermo Castellón Bermúdez-Compilador
Academia Amazonense Maçônica de Letras
19 OUT 2026
A Magia está definida como a forma sutil de manipular as energias e forças ocultas naturais ou sobrenaturais, com a finalidade de evocar espíritos (ou demônios) para lhes subjugar. Já a adivinhação está definida como a escola de Magia cujos efeitos permitem adivinhar ou perceber algo que estava oculto ou além da compreensão (Fandom, Magias-Adivinhação).
A magia faz parte do dia a dia do homem, desde épocas remotas; segundo Mateus (2006), “a magia explica o que o ser humano não consegue interpretar e usa símbolos sagrados ou profanos, coletivos ou individuais para transmitir um sentido espiritual; símbolos esses, que constituem uma ligação entre o mundo real, o divino, o espiritual e o ocultismo”.
A palavra Magia significa a arte do mago ou magus e deriva dos termos megeia (grego) e magia (latino), expressões estas, que pela sua vez, tem origem na Pérsia, onde os magoos eram sacerdotes ou religiosos.
As antigas populações, acreditavam que os deuses habitavam os planetas e tinham influências sobre o ser humano; a religião dos povos, era politeísta; nos casos dos antigos persas, sumérios, babilônios e egípcios, tinham uma religião teocrática, na qual os sacerdotes eram o elo entre o povo e as divindades.
Rituais de magia eram usados, ligados à invocação dos deuses, comparados a constelações de estrelas, observados à noite. As estrelas eram consideradas como mediadoras entre deuses e homens; invocadas com a certeza de poderem influenciar no assunto em que foi solicitada a ajuda ao deus (História da Magia, Um Breve Resumo...).
A magia pode ser dividida em: magia branca e magia negra; a magia branca nunca teve por finalidade procurar ou desejar o mal, ou evocar forças maléficas. Entende-se que existem três tipos de magia branca a Alta Magia ou Teurgia (antigo nome para ritos ou práticas religiosas que possibilitam o contato com as divindades), e que tem como principal tarefa evocar espíritos ou demônios ou divindades, de forma a tratar de manipular e fazer obedecer às vontades do mago. A Baixa Magia, chamada também de magia natural, ligada as energias cósmicas, com foco no mundo natural e usos de materiais naturais, com práticas que procuram harmonização e o equilíbrio com a natureza, e, finalmente, a Magia mental, que se centra na energia e na força do pensamento.
A magia negra, procura a interação das forças sobrenaturais com as forças maléficas; é denominada também de feitiçaria, e invoca o poder das entidades espirituais, como deuses, anjos, demônios, espíritos ancestrais, cujo objetivo é provocar a dor, o sofrimento, e a destruição dos desafetos. Frequentemente, está associada a tradições religiosas e esotéricas, como no caso do Hermetismo, a Cabala, a Teosofia e outros. A sua prática pode envolver, a adivinhação, mediunidade, e comunicação com entidades sobrenaturais (Mateus, 2006; Silva, 2023).
Segundo Mateus (2006) os magos entendem que toda magia se baseia nos 4 elementos de Empédocles, apresentado como um precursor do materialismo; segundo ele, tudo que existe no universo seria composto por 4 elementos principais: terra, fogo, ar e água. A magia, mostra a hierarquia que existe entre os elementos: “O Fogo e o Ar”, são energias masculinas e a “Terra e a Água” são energias femininas. Cada um desses elementos, possui qualidades e objetivos mágicos, e governa um quadrante do círculo mágico, apresentando características positivas e negativas.
A MAGIA PERSA
Mendes (1993), conceituou que, as fronteiras entre os domínios do racional e do sobrenatural eram extremamente imprecisas na antiguidade. Os primeiros fatos romanceados, a respeito da magia, remontam-se as antigas populações indo-arianas; ou seja; a "religião dos magos”, era confundida com os sacerdotes persas e medos da religião de Zoroastro, os caldeus. De acordo com o historiador e geógrafo grego, Heródoto, os magos (<magoe>, <goetes>) iranianos (persas) se consagravam a práticas divinatórias, médicas e astrológicas. A tradição atribui aos sábios da Caldeia, o "dom" de estabelecer relações entre os movimentos dos astros e os fenômenos ocorrentes, tanto nos céus como na terra (Magoi ou mago, é o título com que se designam os sacerdotes zoroastristas, nos impérios Medo, Aquemênida, Arsácida e Sassânida).
Zoroastro ou Zaratustra, foi um profeta nascido na Pérsia no século VI a.C. e fundador do masdeísmo ou zoroastrismo. Zaratustra propôs que o homem encontre seu lugar no planeta, em forma harmoniosa, porém livre para pecar ou para praticar as boas ações (o livre arbítrio). Finalmente, os homens poderão ser recompensados ou punidos conforme tivesse sido sua conduta em vida, na terra. Seus principais mandamentos foram: falar a verdade, cumprir com o prometido e não contrair dívidas. Também estão entre seus dogmas a vinda de um messias, a ressurreição dos mortos, o julgamento final, o inferno e a translação dos bons para o paraíso eterno, inclui também a imortalidade da alma e seu julgamento (Wikipédia, Zaratustra; BBC.com, Zaratustra).
Alguns historiadores consideraram que a magia poderia ter sido originada na Pérsia; mas sendo ou não originada na Pérsia, ela foi utilizada numa diversidade de situações, indo da criação ao misticismo individual ou coletivo, até na credibilidade de ultrapassar a morte e viver uma vida eterna; tentar desvendar os secretos ocultos, escondidos por detrás dos fenômenos naturais, astrológicos, climáticos, geofísicos e outros fenômenos, para conhecer pelo que passa a humanidade no dia a dia.
A MAGIA MESOPOTÂMICA
As primeiras citações da aparição da magia foram registradas em tábuas de argila na Mesopotâmia, na Suméria. Os mesopotâmicos acreditavam na existência de heróis, demônios e gênios. O relacionamento para com os deuses era de sensações e sentimentos que oscilavam entre o medo e o respeito.
A adivinhação, a prática de procurar e decifrar o conhecimento oculto ou do desconhecido, por meios sobrenaturais, também era frequente. Práticas rituais, sacrifícios de animais aos deuses ou divindades, oferendas de comida, bebidas, incenso, eram métodos de adoração (Sua Pesquisa, Religião na Mesopotâmia).
Segundo Mark (2017), a lenda de Ea-Enki é chamada “Senhor dos Encantamentos”, porque ele matou o deus Apsu, com ajuda de um feitiço: Enki, era um deus sumério da sabedoria, da água doce, da inteligência, dos truques e travessuras, da magia, do exorcismo, da cura, da criação, da virilidade e arte. Enki (era conhecido então como Enking) era uma divindade suméria da água e patrono da cidade de Eridu, considerada pelos mesopotâmicos como a primeira cidade conhecida no mundo, e donde os deuses estabeleceram a lei. A primeira aparição do deus na escrita, foi durante o início do período Dinástico Inicial III (2600-2344 a.C.), estabelecido como um importante deus dos Acádios, em torno de 2400 a.C., época em que era conhecido como Ea.
De acordo com a lenda mitológica de Enuma Elish (mito babilônico da criação), Enki era filho mais velho dos deuses Apsu e Tiamat... “o mundo no início dos tempos era um caos, do qual se separaram Apsu (o princípio masculino da água doce) e Tiamat, definido pela água salgada”, (o princípio feminino).
Apsu e Tiamat engendraram os deuses mais jovens, que não tendo nada o que fazer, e vociferando, divertiam-se da melhor forma possível. O barulho tirou a concentração de Apsu e até interrompeu seu sono; por isso consultou seu vizir (assessor), e decidiu lhes matar.
Tiamat escutou a discussão sobre o assunto e contou ao seu filho Marduk, que achou como melhor solução: colocar o pai em sono profundo e o matou com ajuda de um feitiço. Tiamat, renegou os filhos e criou um exército de demônios e monstros. Esse exército derrotava Enki e os demônios mais velhos, cada vez que se encontravam.
Marduk, apareceu ante os deuses e lhes fez uma oferta: se lhe fizerem rei, ele, Marduk, os conduziria a vitória. Eleito rei, num único combate, derrotou o exército rival. Após o combate, Marduk, com um feitiço do pai e uma flechada enorme, acertou Tiamat e a dividiu em dois. “Dos olhos de Tiamat escorreram duas lágrimas, que deram origem aos rios Eufrates e Tigres; o seu corpo foi utilizado por Marduk para formar a terra; os deuses que incentivaram a guerra, foram executados e seus corpos foram utilizados para criar os corpos humanos. Marduk consultou Enki, para realizar todas suas ações, por tanto, Enki foi considerado como o criador do mundo e da vida” (Mark,2017).
O deus sumério Enki, (Ea, deus semita oriental), estava associado à magia e aos encantamentos e considerado como a fonte final de conhecimentos arcanos (do Tarot), ou misteriosos e enigmáticos.
A MAGIA DO ANTIGO EGÍPTO
No antigo Egíto, a magia era personificada como Heka, que era uma palavra em egípcio antigo para o que designamos como magia ou a divindade da magia; praticada na hierarquia sacerdotal e até para os analfabetos, como era o caso de fazendeiros e pastores. Heka era a base de toda atividade ritual, tanto no templo, quanto em ambientes profanos. Nas paredes internas da pirâmide de unas, o último Faraó da Quinta dinastia egípcia, são cobertas por centenas de feitiços, e inscrições mágicas, que vão do chão até o teto. Esses textos eram necessários ao faraó, para sobreviver na vida, após a morte (Walkipédia, Magia).
A MAGIA DOS HEBREUS
Entre os hebreus, a magia está documentada na ereção da serpente de bronze, que Iavé ordenou a Moises colocar no alto, num poste, para curar as mordeduras de serpentes aos castigados: ...Assim nos deparamos com o povo hebreu que tendo partido do monte Hor, ia em direção ao Mar Vermelho. Após muito andar, o povo de Israel, indócil, murmurou contra o Senhor Deus e contra Moises: “Porque, diziam eles, nos tirastes do Egipto, para morrermos no deserto, donde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento (Num. 21:5). Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam muitos e mataram muitos. O povo veio a Moises e disse-lhe: pecamos e murmuramos contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes. Moises intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moises: Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido, e olhe para ela, será salvo. Moises fez uma serpente de bronze e a fixou sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida (Num. 21, 6-9) (Ac. Arautos, 2013).
O livro dos números cita a atuação do mago Balaão, cujos poderes ocultos foram requeridos por Balac, rei de Moab (Mendes, 1993). Balaão é um personagem do livro dos números, quarto Torá. Foi o profeta a quem Balac deu instrução para amaldiçoar o povo de Israel. Com tudo, por revelação divina, Deus lhe apareceu e determinou que o povo de Israel fosse abençoado por ele, profetizando a grandeza daquele povo, o que irritou Balac, que tentava prejudicar o povo de Israel. A Halacá, lei religiosa judaica, proíbe a adivinhação e outras formas semelhantes; no Talmude, são listadas formas de adivinhação que não são permitidas (Wikipédia, Balaque).
A MAGIA CELTA - OS DRUIDAS
Os Caldeus de Beth Naheen, hoje Iraque, situados entre a Síria e a Turquia, são descendentes nativos da Mesopotâmia: dos sumérios, acadianos, assírios, caldeus e outras comunidades ou tribos da antiguidade/caldeus.
Foram conhecidos pela sua conexão com a natureza e práticas mágicas. Consideravam que a natureza estava cheia de energia mística que podia ser manipulada para fins positivistas; eis alguns tipos de magias praticadas:
A cura; utilizavam-se de rituais para curas de doenças e ferimentos, apoiados na força mística da natureza.
Proteção; invocavam espíritos da natureza para dar proteção.
Adivinhação; observavam e interpretavam as formas de voo dos pássaros, ou a leitura das entranhas dos animais, que ajudariam a prever o futuro e tomar decisões.
Interpretações climatológicas; influenciavam o clima, através de rituais, para afastar tempestades ou chamar chuvas.
Transmutação de animais; lendas sugerem que tinham habilidades para transformar animais, em outras formas.
Leadbeater (não ano) citou, que os Celtas também foram chamados de Culdeos ou Caldeus, encontrando-os em algumas igrejas cristãs na Irlanda, Escócia e York, (Inglaterra). Eram monges e clérigos da igreja céltica.
São conhecidos na Irlanda, desde o século IX ao século XVI; na Escócia do século IX ao século XIV, período em que comunidades monásticas existiam, dentre elas, uma na ilha, Ione, e que seria um dos grandes centros espirituais do cristianismo. Também em Gales, no século XII, se conhecia uma comunidade na Ilha de Bardsey. Na Inglaterra estavam presentes como clérigos na igreja catedral de São Pedro, em York, no período do rei Atheltan; que esteve intimamente associado à tradição maçônica inglesa. O nome se deriva de Cele-De que significa companheiro ou servidor de Deus; do latino Colidei que significa Veneradores de Deus ou ainda do celta Cuill dich, que significa Homens de Reclusão.
A forma druídica de dar instruções, se valia de símbolos, enigmas e alegorias, que ensinavam oralmente, porque eles consideravam ilegal, colocar o seu conhecimento por escrito (Leadbeard, não ano).
A Natureza era o elemento primordial de manifestar suas devoções. Os magos tinham um grande respeito pela natureza, ao ponto de considerar que não deveria ser explorada e que cada pessoa deveria se responsabilizar por tudo que pudesse melhorar a sua vida; todos teriam que aprender, de forma continuada, o como melhorar. Os druidas eram monges e desempenhavam as funções de sacerdotes nas cerimonias. Ao não haver tradições escritas, tinham que memorizar os ritos, os encantamentos e as invocações; isto lhes proporcionava um grande esforço, para realizar a memorização; chegando a desenvolver memórias prodigiosas, consideradas, bibliotecas ambulantes (Mateus, 2006).
A lenda diz que, nas cerimonias de iniciação, o primeiro ato, representava a morte simbólica do iniciando. A sua regeneração seria a partir do ventre da Deusa Cariwind, o recém-nascido era colocado num bote, à mercê das ondas do mar, significando a arca. Suas doutrinas eram semelhantes às dos Pitagóricos, incluindo a reencarnação e a existência de um ser supremo. Se diz que os Culdeos de York, juntaram o misticismo cristão com os ritos pré-cristãos, adaptando-os com os da maçonaria (Leadbeard (Não ano).
A MAGIA NA GRÉCIA
A palavra magia teve seu início na Grécia antiga, ao final do século VI a.C. e início do século V a. C.; a palavra magus em persa foi adaptado e introduzido ao grego; logo depois houve uma tergiversação do significado da palavra, transformando-a a conotações negativas, significando “charlatão” e cujas práticas eram fraudulentas, estranhas e perigosas; passando os mesmos significados para os romanos, que interpretaram como “ a magia não era distinta da religião” e sim uma expressão indesejada para a religião do outro, por tanto, para os antigos gregos, “praticar magia era uma forma de insulto” (Wikipédia, Magia).
A Grécia ficou conhecida como o berço da razão e da cultura. Más, também ficaram os vestígios da magia que deixaram traços de um mundo cheio de vinganças e justiça.
LÂMINAS DO SUBTERRÂNEO
De acordo com Pitta (2010), a magia para fazer o mal, foi identificada por Platão nas leis, como katadesmo (magia ou vingança dos Atenienses, através dos mortos), ou defixiones (lâminas feitas de chumbo ou até metal nobre, que tinham como função a de amaldiçoar); o nome provém da palavra katadeo, que significa amarrar, prender, imobilizar alguém embaixo da terra. Eram finas lâminas de chumbo ou amalgamadas e até de ouro, cujo uso era prejudicar o inimigo; conhecidas como tabletes de imprecações, que apontam para modelos de fórmulas mágicas inscritas nas superfícies das defixiones, principalmente maldições, imprecações contra atividades comerciais, contra adversários em disputas atléticas, solicitação de eliminação de um adversário em um triângulo amoroso, e muitos mais. Os nomes dos inimigos iam escritos em letras inversas, visando o desejo de lhes atrasar a vida (Pitta, 2010).
A MAGIA DOS TALQUINOS
Nos helenos arcaicos, há indicações, que existia entre os humanos e deuses, seres intermediários: “os demônios”, que poderiam ser bons ou maus, e era acima deles que se exerciam as práticas da magia, com a finalidade de lhes obrigar a seguir as vontades do manipulador da magia.
As lendas mitológicas nos transmitem o conhecimento sobre os Talquinos, sete seres misteriosos, magos, ferreiros, de Rodes, que criaram a metalurgia e elaboraram a foice Cronos, que usaram para matar Urano, seu pai; posteriormente criaram um tridente para o deus Poseidon, que costumava formar ilhas no mar, a partir do afundamento de montanhas. Pelo uso maligno da magia, Zeus se enfureceu e ordenou que os lançaram ao fundo do mar, onde transformaram-se em seres anfíbios, com cabeças de cães, com a parte inferior pisciforme, e os braços em forma de nadadeiras; dotados do “mau olhado”, e os poderes de convocar chuvas, nevascas e tempestades. Por inveja, estes seres inundaram com a água infernal da lagoa do Estígio, à Ilha de Rodes, para torná-la estéril, usando seus poderes e o poderes dos sacerdotes Galli, da Cibele, e dos Dáctilos, os gênios criadores dos artesanatos, inventores dos ritmos; que detinham o segredo do futuro e dos encantamentos para curar doenças, do corpo e da mente (Mendes, 1993; Fandom, Talquines).
A DEUSA HÉCATE TRIVIA
Originariamente, nas culturas greco-romanas, a magia, considerava-se como uma prática cultural advinda de povos considerados como bárbaros, e por tanto com cultos a deuses e divindades forâneos.
Na Grécia existiu o culto a uma deusa, praticamente esquecida, não homenageada nos poemas Homéricos e muito menos fazia parte do panteão dos deuses, até muito mais tarde. Era uma deusa originária da Trácia (situada na antiga Macedônia e atualmente entre Grécia, Turquia e Bulgária), associada ao orfismo, religião de mistérios. Era uma divindade lunar, subterrânea e marinha; cultuada com oferendas colocadas no seu altar, ao término do mês lunar; também era uma deusa tutelar aos marinheiros, e aos homens comuns, enviava os horrores da noite, com fantasmas e assombrações aos cemitérios, além de deusa das feiticeiras e bruxaria. A sua efígie está presente no santuário a Esculápio (deus grego da medicina), na cidade de Epidauro, Grécia (Mendes, 1993).
Esta deusa, considerada a guardiã das passagens, associada aos cruzamentos de caminhos e encruzilhadas; detentora do poder tríplice, sobre a terra, o céu e o submundo, é a venerável deusa Hécate Trivia para os gregos; e conhecida como Trívia pelos romanos. O seu festival, chamado de Trivialia (“trivia” ou “tri” -três e “via” -caminho) representava a conexão entre humanos e deuses e a homenagem à deusa; era celebrado anualmente, e durante suas reverências, eram oferecidos rituais e preces, solicitando proteção (Valmonti, 2023).
A MAGIA NA ROMA IMPERIAL
A magia na Roma antiga, sempre esteve presente, no entanto, era regulamentada pelas autoridades; no primeiro documento jurídico romano, publicado no século V a.C., incluíam as normas contra as práticas mágicas para os que queriam causar mal ao utilizar fórmulas mágicas:” ... quem através de feitiço, fizer destruir ou desaparecer bens alheios; quem ao aplicar sortilégios para furtar ou destruir as colheitas dos outros”.
Na antiguidade greco-romana, ao igual que em outras civilizações precedentes, a magia apelava a aos poderes sobrenaturais, os espíritos, que atacavam a alma; essas forças ocultas da natureza, conjugadas através de sortilégios, liberariam forças invisíveis que fluíam e atacavam os humanos, a eles direcionadas, ou acredita-se, a alma de ser humano. Até a religiosidade tinha componentes de magia e invocavam divindades.
Outras crenças dos romanos era o “mau olhado” ou “fascínio”, que poderia não só trazer a má sorte, mais também o atraso de vida, a doença e até a morte; até as crianças eram protegidas com amuletos. “A inveja” também era praticada pelo olhar e por determinados gestos das mãos. Historiadores comentaram que: “sentar-se com os dedos das mãos entrelaçados, um ao outro, seria uma maldição”. Na magia negra no período imperial, existiam as práticas da feiticeira ou bruxaria, como o “feitiço do amor”, que corresponde a um “milagroso feitiço amoroso”; semelhante aos gregos, também existiu a feiticeira nas lâminas de chumbo, gravadas, assim como também o sacrifício de animais (Vega, 2023).
Em 139 a. C., Cornélio Hispano emitiu um edito, condenando quem enganava pessoas crédulas, com falsas profecias ou extorquiam seu dinheiro. A “Lex Cornelia de sicarii et veneficus”, de 81 a. C. proibia o uso de maléfica do veneno (magia) ou de substâncias naturais ou mágicas. Mas, foi no principado, no ano 27 a.C., quando o senado investiu Otaviano Augusto no poder, período em que Marco Agripa, tomou ações contra astrólogos e feiticeiros, como banimento. Já no reinado de Tibério Augusto, ordenou que todos os livros das artes mágicas fossem queimados. Outras expulsões foram decretadas por Vespesiano DSominicia (Wikipédia, Magia no mundo greco-romano).
No período imperial de Roma, foram acolhidas formas diferentes de ocultismo, além de religiões exóticas. Os próprios imperadores mandavam procurar magos e adivinhadores, que mantinham ao seu serviço, enquanto lhes vaticinavam fatos. O imperador Tibério, (que tinha até um astrólogo – Tracilio- como vaticinador privativo), ordenou a expulsão de quatro mil “libertos” para Sardenha, acusados de praticar astrologia e rituais secretos de magia. Roma, na época, estava ávida de absorção por toda quanta novidade encontrada ou praticada, que lhes despertava curiosidade, talvez preenchendo um vazio de conhecimentos, principalmente nos intelectuais que se deixaram seduzir e seduziram também a população, nas suas comunidades, praticando o estudo crítico da natureza dos deuses ou de Deus, seus atributos e sua relação com os astros. (Mendes, 1993).
O Filósofo Lúcio Apuleio, no século II d.C. foi iniciado nos mistérios de Isis em Corinto e do Osiris em Roma. Foi acusado de praticar magia, algo proibido por lei; casado com a rica e abastada Prudentila, 10 anos mais nova do que ele; no período, Apuleio estava em dificuldades econômicas, estando a família de Prudentila se opondo ao casamento. O filho de Prudentila morreu, o que foi atribuído a um sortilégio do filósofo. O fato anteriormente descrito, foi motivado, porque foi encontrada uma carta apócrifa da Prudentila, o chamando de mago, que a teria enfeitiçado, para ela se apaixonar por ele; os seus acusadores lhe imputaram os crimes de “mágica maléfica e crime magiae”. Apuleio teve que escrever uma “Apologia” para defender-se.
As Referências Bibliográficas citadas neste texto, correspondem às referências do livro “O Ocultismo na Linha do Tempo” ” e serão apresentadas, quando todos os capítulos sejam publicados.


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