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O PREÇO DA OMISSÃO: IMPACTOS NA SAÚDE E AUSÊNCIA DEFUTURO NA CIDADE DE MANAUS.

Sérgio Roberto Bulcão Bringel
8 de out.
5 min de leitura

Sergio Roberto Bulcão Bringel[1]





Introdução



Manaus, Capital do Estado do Amazonas, a maior metrópole da região amazônica, vive sob um paradoxo civilizatório. Cercada pela maior biodiversidade e pela maior bacia hidrográfica do planeta, a cidade enfrenta uma realidade urbana marcada pela precariedade, pela desigualdade socioespacial e pelo descaso governamental crônico.


O conceito de "omissão" deixa de ser uma mera falha administrativa e passa a figurar como uma escolha política cujos custos são pagos diretamente com a saúde, a dignidade e a própria vida da população. Analisar os impactos dessa inação na saúde pública e o consequente comprometimento do futuro da cidade é urgente para compreender o colapso socioambiental que ameaça a capital amazonense.



O Peso da Omissão: Infraestrutura e Descaso Ambiental


O crescimento desordenado de Manaus, impulsionado por ocupações irregulares e pela ausência de um planejamento habitacional robusto, resultou na degradação sistemática de seus recursos naturais. Igarapés outrora navegáveis e limpos transformaram-se em canais de esgoto a céu aberto, afetando diretamente comunidades periféricas.


Somado a isso, a capital sofre com a falta histórica de um plano de drenagem urbana eficiente. O sistema de escoamento pluvial, estagnado há décadas, mostra-se incapaz de suportar o regime de chuvas amazônicas, agravado pelas mudanças climáticas. A cada temporal, bairros inteiros sofrem com alagamentos e deslizamentos de terra, expondo milhares de pessoas a perdas materiais e ao risco iminente de morte. Essa omissão na infraestrutura básica retroalimenta ciclos de vulnerabilidade extrema.


Impactos Diretos na Saúde Pública


Os reflexos da omissão urbana rebatem diretamente nas portas das unidades de saúde. A falta de saneamento básico adequado favorece a proliferação de doenças de veiculação hídrica, como a leptospirose e as infecções gastrointestinais. Além disso, episódios sazonais de poluição atmosférica severa decorrentes de queimadas e do calor extremo têm sobrecarregado o sistema respiratório dos manauaras, afetando especialmente crianças e idosos.


O trauma coletivo da pandemia de Covid-19 — quando a cidade testemunhou o colapso de seus sistemas hospitalar e funerário pela falta de oxigênio e de coordenação governamental — expôs de forma cruel a fragilidade da rede pública local. Longe de ser um problema superado, a


crise na saúde do Amazonas continua a se manifestar por meio de problemas estruturais persistentes, como o atraso crônico no pagamento de profissionais, superlotação de hospitais de referência (como o Pronto-Socorro 28 de Agosto) e a descontinuidade na prestação de serviços médicos essenciais. A omissão na gestão da saúde pública perpetua um cenário de sofrimento cotidiano e desamparo institucional.


Ausência Crônica de Planejamento Urbano Estruturado

O atual cenário de Manaus é o retrato crítico da ausência crônica de planejamento urbano estruturado, uma realidade marcada por omissão estatal, crescimento desordenado e descontinuidade administrativa de sucessivas gestões. O que se observa na capital amazonense não é uma fatalidade geográfica, mas sim o resultado direto da falta de políticas públicas de habitação, infraestrutura e saneamento básico que acompanhem o crescimento demográfico da maior metrópole da Amazônia


A Irresponsabilidade Publica


Os principais eixos que evidenciam o colapso e a negligência na Gestão Urbana da cidade de Manaus-Am, estão os relacionados com os problemas estruturais históricos e recentes:


a.  Crise de Habitação e Favelização Crescente


·  Ocupações Irregulares e Áreas de Risco: A falta de uma política habitacional séria empurrou mais de 112 mil manauaras para áreas de risco, submetidos a condições extremas de vulnerabilidade.


·  O Retorno das Palafitas: O ressurgimento de aglomerados de palafitas na orla da cidade, como no bairro dos Educandos, ilustra a segregação socioespacial e o fracasso do poder público em urbanizar e reassentar essas famílias com dignidade.


b.  Saneamento e Negligência na Drenagem Urbana

·  Cidades Submersas: A ausência de um plano de drenagem urbana — que a cidade aguarda há mais de duas décadas — faz com que qualquer chuva forte transforme ruas em rios e invada residências com lama.


·  Degradação dos Igarapés: Antigos cursos d'água foram transformados em canais de esgoto a céu aberto, extinguindo a biodiversidade local e gerando graves riscos sanitários.


c.  Falhas em Obras Públicas e Fiscalização


·  Investigações por Falta de Planejamento: Obras recentes de mobilidade, como o Complexo Viário Passarão, viraram alvo do Ministério Público do Amazonas (MPAM) devido a possíveis falhas na análise técnica de impactos urbanos, uso do solo e mobilidade pelo IMPLURB.


·  Ações Paliativas e de Fachada: Há uma forte crítica de especialistas à priorização de "obras de fachada" e slogans eleitorais em detrimento de soluções estruturais e


resilientes. Apesar do aumento de demolições administrativas para conter invasões, a fiscalização preventiva continua frágil.

d.  Emergência Climática sem Resposta

·  Planos Travados: Mesmo com a criação do Comitê Municipal de Mudança Climática em 2023, o Plano de Ação Climática de Manaus permanece travado no papel. A cidade falha em integrar sua realidade florestal como solução urbana, ignorando as injustiças socioambientais que atingem severamente as populações economicamente vulneráveis.


O Peso da Omissão: Infraestrutura e Descaso Ambiental


O crescimento desordenado de Manaus, impulsionado por ocupações irregulares e pela ausência de um Planejamento Habitacional pujante, resultou na degradação sistemática de seus recursos naturais. Os Igarapés que outrora navegáveis e limpos transformaram-se em canais de esgoto a céu aberto, afetando diretamente as comunidades periféricas.


Somado a isso, a capital sofre com a falta histórica de um Plano de Drenagem Urbana eficiente. O sistema de escoamento pluvial, estagnado há décadas, mostra-se incapaz de suportar o regime de chuvas amazônicas, agravado pelas mudanças climáticas. A cada temporal, bairros inteiros sofrem com alagamentos e deslizamentos de terra, expondo milhares de pessoas a perdas materiais e ao risco iminente de morte. Essa omissão na infraestrutura básica retroalimenta Ciclos de Vulnerabilidade Extrema.


Impactos Diretos na Saúde Pública


Os reflexos da omissão urbana rebatem diretamente nas portas das Unidades de Saúde. A falta de saneamento básico adequado favorece a proliferação de doenças de veiculação hídrica, como a leptospirose e as infecções gastrointestinais. Além disso, episódios sazonais de poluição atmosférica severa decorrentes de queimadas e do calor extremo têm sobrecarregado o sistema respiratório dos manauaras, afetando especialmente crianças e idosos.


O trauma coletivo da pandemia de Covid-19 — quando a cidade testemunhou o colapso de seus sistemas hospitalar e funerário pela falta de oxigênio e de coordenação governamental — expôs de forma cruel a fragilidade da rede pública local. Longe de ser um problema superado, a crise na saúde do Amazonas continua a se manifestar por meio de problemas estruturais persistentes, como o atraso crônico no pagamento de profissionais, superlotação de hospitais de referência (como o Pronto-Socorro 28 de Agosto) e a descontinuidade na prestação de serviços médicos essenciais. A omissão na Gestão da Saúde Pública perpetua um cenário de sofrimento cotidiano e desamparo institucional.


A Ausência de Futuro: A Dívida com as Próximas Gerações


Falar em "ausência de futuro" para Manaus significa reconhecer que a inação presente hipoteca a sustentabilidade das próximas décadas. Uma cidade que não garante água potável, que falha em proteger suas bacias hidrográficas e que submete seus cidadãos ao caos urbano contínuo perde a capacidade de reter talentos e gerar desenvolvimento humano.


A juventude periférica de Manaus cresce exposta à violência ambiental, à precariedade educacional e à falta de horizontes econômicos fora do modelo tradicional. Sem investimentos maciços em resiliência climática, transição energética e recuperação de passivos ambientais, a cidade caminha para a inviabilidade urbana, onde a sobrevivência diária substitui qualquer plano de desenvolvimento de longo prazo.


Nossas Considerações


O preço da omissão em Manaus é incomensurável, mensurado não em cifras orçamentárias, mas na perda de vidas e na deterioração da dignidade humana.


Romper com a lógica do improviso e das medidas paliativas é o único caminho possível para devolver um horizonte de futuro à capital da Amazônia.


Isso exige uma governança corajosa, que priorize o saneamento básico, a reestruturação da saúde pública e a justiça climática. Somente ao assumir a responsabilidade pelo seu Planejamento Urbano e Social é que Manaus poderá transformar o seu presente e garantir a existência digna das futuras gerações.





[1] Comendador Prof. Dr. Sérgio Roberto Bulcão BRINGEL - Pesquisador Titular Aposentado INPA/MCTI; Prof. Aposentado UEA; da Academia Amazonense Maçônica de Letras e da Câmara Brasileira de Cultura e Academia de Ciências e Artes. Químico; CRQ 14100023; Cel. (92) 99981.0214; Manaus – Amazonas

 

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