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NOVOS RUMOS PARA A MAÇONARIA - I

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 7 de jul.
  • 3 min de leitura

ORDEM DISCRETA

 

 

 

Academia Amazonense Maçônica de Letras

Por Antonio Tupinambá

02/07/2026

 

 

 

Em artigos publicados no Blog Antonio Tupinambá – O Tupi, Eloy Guillermo Castellón Bermúdez esclareceu que a Maçonaria percorreu, ao longo de sua história, quatro grandes linhas de pensamento, correspondentes às Escolas Autêntica ou Histórica, Antropológica, Mística ou Iniciática e Oculta. Todas essas correntes pertencem ao período da Maçonaria Especulativa, que sucedeu a antiga Maçonaria Operativa, ligada à arte de construir.

Enquanto a Maçonaria Operativa mantinha sob rigoroso segredo os conhecimentos técnicos dos trabalhadores da pedra, acessíveis apenas aos iniciados no ofício, a Maçonaria Especulativa passou a preservar, mediante sinais, toques e palavras, os elementos destinados ao reconhecimento entre os maçons.

Os maçons operativos resguardavam seus conhecimentos para preservar a própria profissão e impedir que seus segredos fossem vulgarizados, embora esse objetivo não tenha evitado o declínio da arte. Já os primeiros maçons especulativos tinham outra preocupação: proteger-se da perseguição promovida pela Santa Inquisição, que via a Maçonaria como uma instituição incompatível com os dogmas da Igreja e, por isso, associada à heresia. Assim, tanto os maçons operativos quanto os especulativos ocultavam sua condição de iniciados, sob pena de sofrer graves consequências. Por razões distintas, a Maçonaria consolidou-se como uma Ordem Iniciática Secreta.

Entendo, porém, que a Maçonaria contemporânea parece ter se afastado de seus objetivos sociais e iniciáticos. Mais do que isso, vem se enfraquecendo e perdendo parte da razão de existir como Ordem Iniciática.

Segundo a Constituição do GOB, a Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista, cujos fins supremos são a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade. Proclama, ainda, a prevalência do espírito sobre a matéria e pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. Entre seus postulados universais figuram a crença na existência de um Princípio Criador — o Grande Arquiteto do Universo — e a observância do sigilo.

Por essa razão, entendo que a busca desses três princípios fundamentais — Liberdade, Igualdade e Fraternidade — deveria ocorrer sempre sob o mais absoluto sigilo, característica que historicamente distinguiu a Ordem.

Entretanto, não é isso que se observa na prática.

Basta uma rápida visita às redes sociais para constatar que, enquanto participam de sessões em Loja ou de atividades externas, muitos maçons fazem questão de registrar e divulgar imagens de sua presença, ostentando paramentos e insígnias correspondentes aos mais elevados graus alcançados nos diversos ritos maçônicos. Em muitos casos, a discrição cede lugar à exibição.

E quanto ao sigilo que deveria resguardar as sessões maçônicas?

Se ampliarmos o horizonte de observação, veremos uma Maçonaria fragmentada em diferentes sistemas de governo que reproduzem a organização do mundo profano. Alguns grupos estruturam-se sob modelos federativos; outros, sob modelos confederativos. Em muitos deles, a vaidade parece sobrepor-se aos princípios da discrição, ultrapassando os limites do razoável para uma instituição que tradicionalmente se define como discreta.

A própria nomenclatura dos cargos ilustra essa transformação. Funções que os ritos e rituais identificam como eminentemente maçônicas passam, gradativamente, a ser substituídas por denominações inspiradas na administração política do mundo profano, frequentemente acompanhadas por uma crescente valorização de títulos, honrarias e paramentos que pouco contribuem para a essência iniciática da Ordem.

Com o advento da Maçonaria Especulativa, a Ordem transformou-se em um centro de união e em um meio de promover uma amizade sincera entre pessoas que, de outro modo, permaneceriam perpetuamente afastadas. Conforme estabelece a Constituição de Anderson, um dos fundamentos da Maçonaria é transformar desconhecidos em Irmãos.

Assim, a Maçonaria nasceu para ser, ao mesmo tempo, uma Ordem Fraterna e uma Ordem Discreta.

Infelizmente, a Maçonaria brasileira, em muitos de seus segmentos, já não parece corresponder plenamente a esses dois atributos fundamentais.

Estaremos dispostos a corrigir esse rumo?

 

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