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NÃO SEJA PEGO

  • Foto do escritor: José H. C. Abreu
    José H. C. Abreu
  • 31 de jan.
  • 1 min de leitura

Por José H. C. Abreu



Na política brasileira, não há mais espaço para ingenuidade. Ideologias viraram figurino, discursos são cenografia e no centro do palco, a máxima silenciosa do “NÃO SEJA PEGO” rege os atos, as omissões e as trapalhadas.

O episódio envolvendo o Banco Master é apenas mais um capítulo desse manual informal do poder. Uma história que começa no setor financeiro, mas rapidamente escorre como lama para além dos balcões bancários, respingando nos três poderes da República.

Executivo, Legislativo e Judiciário surgem não como instâncias de correção, mas como peças de um mesmo tabuleiro onde o objetivo não é a verdade — é o controle de danos.

O que se vê é uma sucessão de atos que beiram o ridículo institucional. Decisões que precisam ser “explicadas”, explicações que precisam ser “corrigidas”, correções que exigem novas narrativas.

Tudo feito às pressas, sob pressão, não para atender ao interesse público, mas para manter intacta a biografia oficial de quem ocupa cargos que deveriam exigir grandeza moral.

O problema é que o “NÃO SEJA PEGO” está virando política de Estado, a sujeira deixando de ser exceção e passando a ser método, a ética virando obstáculo e a falta de transparência ameaçando o cidadão, esse espectador involuntário, que paga o ingresso da descrença e do cinismo com a sensação de que o jogo já começa viciado.

Enquanto isso, a regra segue firme com o “NÃO SEJA PEGO” sendo sussurrado nos corredores do poder, repetida em gabinetes climatizados com o conselho de quem sabe das coisas: Se for, negue. Se não der, explique. Se explicar não bastar, culpe o sistema e siga o jogo.


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