5 - Diário da Senhora Nêmesis
- Antônio Tupinambá
- 10 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 21 de nov. de 2025
Antonio Tupinambá
AAML, Cad. 40-EM
09/09/2025
- I -
Chegou em minhas mãos uma cópia do “diário” que a senhora Nêmeses, está escrevendo. Resolvi publicá-la neste espaço, com sua autorização, porque, de alguma forma, penso estar ajudando essa querida amiga.
Há algum tempo apresentei a senhora Nêmesis aos poucos leitores que por alguma razão tem interesse nas coisas que escrevo, explicando que ela é uma pessoa mentalmente adoecida, acometida de um distúrbio psicológico conhecido como esquizofrenia, que a faz viver em um mundo paralelo ao das pessoas mentalmente sadias. Expliquei que ela recebe assistência governamental através do CAPS, mas que, para ela, esses atendimentos são muito insuficientes, como ela mesmo explica no seu escrito a seguir.
Devo esclarecer que o texto escrito por ela sofreu algumas interferências e correções minhas quanto à gramática e pontuação, mas sem alterar absolutamente nada quanto à mensagem que ela quer deixar registrada.
Veja o que ela escreveu:
“27/08/2025
Hoje o dia está estressante. Me sinto muito confusa, com pensamentos agressivos, aperreios do meu irmão. Faço tudo por ele (meu irmão), mesmo assim ele me perturba. Já tenho minhas perturbações, e ainda tenho que aturar tudo isso.
Esses dias têm sido de muita tormenta. Não estou conseguindo me conter. Minha cabeça parece que tem um furacão dentro dela. Tento me controlar de todo jeito, mas está difícil. É uma luta quase impossível de conter. Chego a perder as forças, o sentido falha. É assustador.
Minha vontade é sumir, acabar com esse sofrimento, não só por causa do meu irmão, mas por conta do problema que tenho. Tento ocupar minha mente de todo jeito, mas é quase impossível. Cuido às vezes dos porcos, coloco água para as galinhas, assisto a filmes sobre pinturas... Às vezes varro a casa, mesmo assim meus pensamentos me acompanham.
Mais uma vez nos últimos dias tive vontade de tirar minha vida. Isso já aconteceu várias vezes. Quando isso acontece, eu consigo ver tudo como deve ser, e sinto prazer em imaginar fazer isso comigo. Aí corro para o celular com o objetivo de falar com a minha psicóloga. Ela sempre tem as palavras certas p´ra me dizer. Ontem, dia 06, foi um dia daqueles. Eu estava com a vontade de me suicidar, mas falei com ela, e fui fazer algumas tarefas para passar o tempo, acalmar meus pensamentos agressivos, e eliminar aquela vontade de tirar minha vida.
Hoje, dia 07, não estava com vontade de me levantar. Meu desejo era ficar na cama, sem falar nada. Simplesmente ficar isolada. Mas levantei, fiz um esforço, tomei um banho, tomei meu café, e estou aqui escrevendo meu diário. Não está sendo fácil não, mas tenho que tentar.
No dia 27 do mês passado recebi a visita da minha psicóloga, veio para me acompanhar numa perícia médica. Passei a tarde com ela. P´ra mim foi incrível, porque ela me faz bem. Não conseguia conter minha alegria. Ela me dá segurança. Me sinto bem com ela. Pena que ela teve que ir embora, e aí tudo voltou como era antes: as atormentações, as perturbações... enfim voltei à estaca zero.
Isso é a verdade.
Quando falamos pelo whatsapps, só de ouvir a voz dela já fico um pouco tranquila. Ela me faz bem.
Hoje não está muito fácil, mas eu vou levando até onde der. Estou tremendo muito. Preciso falar com o médico p´ra ajustar a medicação. Isso me deixa inquieta, me incomoda, me sinto mal. Vamos ver como vai ser.
Outra coisa: mês passado a psicóloga do CAPS veio na minha casa, e me disse que ia me ligar. Até hoje não ligou. Isso me deixa frustrada, por saber que uma profissional fica mentindo p’ra mim. Se não quer conversar, não me procure, porque não vai fazer diferença alguma. Amanhã ela deve vir aqui. Não sei se acredito nisso. Vamos ver, né, qual vai ser a desculpa.”
O que você me diz sobre isso?
O interessante é que pessoas como a senhora Nêmeses possuem pendores para vários ramos da arte. Ela, a senhora Nêmesis, se relaciona bem com as atividades artísticas da pintura. Na próxima oportunidade, publicarei quadros por ela pintados, e que estão em meu poder para, quem sabe, vende-los a alguém que queira também ajudá-la.
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