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2 - FORMAS DE CUIDAR DA DESORDEM MENTAL

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 1 de jun. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 20 de nov. de 2025





ANTONIO TUPINAMBÁ

AAML, Cad 40-EM

24/05/2025

 

II

 

FORMAS DE CUIDAR A DESORDEM MENTAL

 

A esquizofrenia é uma doença mental grave, decorrente de transtorno mental. Acompanha a humanidade desde milênios atrás.

Na escala dos transtornos mentais, ela ocupa do segundo ao quarto grau de gravidade, ou seja, se manifesta de forma moderada, grave e severa.

Se recuarmos no tempo, vamos ler nos Evangelhos sobre os milagres de Jesus, que frequentemente envolviam a cura de pessoas com doenças físicas e espirituais, incluindo aqueles que eram considerados possuídos por espíritos malignos, o que, na época, poderia ser associado à loucura, quando nada mais eram do que transtornos mentais.

Um exemplo notável é a cura de um endemoninhado que vivia entre os túmulos, afastado da sociedade, e demonstrava comportamento violento e irracional. Jesus expulsou os espíritos que o atormentavam, restaurando sua sanidade e permitindo que ele voltasse à vida normal. Outro caso é a expulsão de um espírito maligno na sinagoga de Cafarnaum, onde um homem começou a gritar ao ver Jesus. Ele foi libertado do espírito impuro.

Esses dois exemplos podem ser interpretados como cura de perturbação por atos e palavras que repercutiram positivamente no estado mental daquelas pessoas adoecidas.

Em passado recente, pessoas acometidas de transtorno mental grave eram consideradas loucas, por terem pensamentos e praticarem atos que se desviavam das normas sociais e culturais, e, por isso mesmo, eram estigmatizadas e marginalizadas. Não havia entidade ou ser físico ou espiritual que tivesse capacidade de operar milagres para curá-las.

Há dois séculos atrás, o decreto imperial de 18 de julho de 1841 fundou a psiquiatria institucional e estatal no país. Esse decreto foi um marco importante na história da assistência psiquiátrica no Brasil, pois determinou a construção de locais específicos para tratar pessoas com transtornos mentais, os hospitais psiquiátricos, que vieram a ser conhecidos como hospícios ou manicômios. Nesse sentido, um evento importante foi a inauguração do Hospício Dom Pedro II, em 5 de dezembro de 1852, na cidade do Rio de Janeiro, que mais tarde foi denominado Hospício Nacional de Alienados. Essa instituição foi criada para abrigar e tratar pessoas com transtornos mentais, refletindo o modelo manicomial europeu.

Entretanto...

Os registros da inteligência artificial informam que os manicômios, ao longo da história, foram locais de tratamento para pessoas com transtornos mentais, mas, infelizmente, muitos procedimentos invasivos e questionáveis foram praticados naqueles ambientes. E citam alguns exemplos:

1. Lobotomia: um procedimento neurocirúrgico que envolvia a secção ou remoção de partes do lobo frontal do cérebro, com o objetivo de reduzir a agitação e a agressividade em pacientes.

2. Terapia eletroconvulsiva (ECT): um tratamento que envolvia a aplicação de choques elétricos no cérebro para induzir convulsões, com o objetivo de tratar depressão, esquizofrenia e outros transtornos mentais.

3. Medicação excessiva: o uso de doses elevadas de medicamentos psiquiátricos, muitas vezes sem monitoramento adequado, para controlar comportamentos indesejados.

4. Contenção física: o uso de restrições físicas, como camisas de força ou grades, para controlar pacientes agitados ou agressivos.

Por que esses procedimentos eram praticados? A inteligência artificial explica:

1. Falta de conhecimento: na época, havia uma compreensão limitada sobre a causa e o tratamento de transtornos mentais.

2. Abordagem paternalista: os médicos e profissionais de saúde mental acreditavam que sabiam o que era melhor para os pacientes, mesmo que isso significasse usar métodos invasivos.

3. Controle social: os manicômios também serviam como instituições de controle social, onde pessoas consideradas "indesejáveis" ou "perigosas" eram isoladas da sociedade.

Ao longo do tempo, a abordagem ao tratamento de transtornos mentais mudou, com um foco maior na terapia, no apoio emocional e na reabilitação.

Os direitos humanos dos pacientes com transtornos mentais são agora mais respeitados, e os tratamentos são mais focados na pessoa como um todo.

É fundamental lembrar que a história dos manicômios é complexa e multifacetada, e é importante aprender com os erros do passado para melhorar a abordagem ao tratamento de transtornos mentais hoje em dia. Esses erros resultaram no estabelecimento legal de que os Centros de Atenção Psicossocial, CAPS, deverão estar capacitados para realizar prioritariamente o atendimento de pacientes com transtornos mentais severos e persistentes em sua área territorial, em regime de tratamento intensivo, semi-intensivo e não intensivo. Legalmente, e teoricamente, a assistência prestada ao paciente no CAPS inclui as atividades de atendimento individual (medicamentoso, psicoterápico, de orientação, entre outros); atendimento em grupos (psicoterapia, grupo operativo, atividades de suporte social, entre outras); atendimento em oficinas terapêuticas executadas por profissional de nível superior ou nível médio; visitas domiciliares; atendimento à família; atividades comunitárias enfocando a integração do doente mental na comunidade e sua inserção familiar;  e, os pacientes assistidos em um turno (04 horas) receberão uma refeição diária: os assistidos em dois turnos (08 horas) receberão duas refeições diárias.

Isso, legal e teoricamente.

A realidade, entretanto, é outra. A situação da Senhora “X” mostra claramente que os servidores do CAPS onde ela é atendida são despreparados e/ou negligentes, colocando a autoridade governamental em cheque, enquanto os usuários sofrem com o descaso.

É o mundo da legalidade correndo paralelo com o mundo da realidade.

Mas isso é pano para outras mangas.

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