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MAÇONARIA ESPECULATIVA - AS ORIGENS DOS ALTOS GRAUS MAÇÔNICOS

  • Foto do escritor: Eloy Guillermo Castellón Bermúdez
    Eloy Guillermo Castellón Bermúdez
  • 7 de fev.
  • 12 min de leitura


Eloy Guillermo Castellón Bermúdez

Membro da AAML-Cad. 34-Compilador



A maçonaria operativa na idade média, tinha apenas dois graus: Aprendiz e Companheiro. O Mestre não era grau e sim era um título ou uma função para nomear a quem ensinava e era o responsável pela construção. Na época a maçonaria não tinha templos (como conhecidos modernamente) e suas reuniões eram realizadas em tabernas; não existia o livro da lei em Loja. Os símbolos maçônicos conhecidos na época eram desenhados no chão, utilizando carvão ou giz. Eram conhecidos dois símbolos que constam no “Old Charges” e são as colunas (conhecidas hoje como “J “e “B “), no entanto, não eram designadas com esses nomes antigamente (Moreira, 2023)

A origem dos Altos Graus ou Graus Superiores são atribuídos a três acontecimentos:

a)     A publicação do Discurso do Cavalheiro Ramsay em 1738.

b)    O Capítulo de Clermont em 1754.

c)    O Conselho dos Imperadores de Oriente e Ocidente.

Segundo Moreira (2020), citando alguns autores, o discurso de Ramsey, foi uma proposta de reforma institucional da maçonaria, o ponto de partida para a adoção dos Altos graus.

DADOS BIOGRÁFICOS E COMENTÁRIOS AO DISCURSO DO

CAVALEIRO RAMSEY

André Michael Ramsey, homem erudito, nascido em Ayr, na Escócia, em 1686 e faleceu em Saint Germain, na França em 1743; seu pai foi um padeiro calvinista e sua mãe anglicana, converteu-se à religião católica, foi Jacobita (seguidor de Jaime I e Jaime II), e preceptor de Carlos Eduardo Stuart, filho do rei Jaime II, o que lhe deu grande projeção, dentre a sociedade e realeza. Estudou na Universidade de Edimburgo, onde se graduou em 1707.

Viajou e viveu em vários países de Europa, na França, Inglaterra, Holanda, Escócia entre outros. Ocupou cargos importantes, havido pelos títulos de nobreza e protegido pelo Bispo de Fenelon, adquiriu na França, título de nobreza, sendo nomeado como Cavaleiro de Ramsay; muito próximo e protegido pelo Cardeal Fleury, que era muito influente, com ligações por toda a Europa, inclusive com os anglicanos Ingleses, o que lhe permitiu um lugar como membro da Royal Geographyc e na Universidade de Oxford. Teve muitas publicações, o que lhe rendera uma proveitosa e brilhante carreira literária. Com 49 anos desposou Marie Nairme, com quem teve dois filhos (Moreira, 2023; Palou, 1989).

A ele, lhe é atribuído colocar o embrião dos Altos Graus ou Graus Superiores. Segundo pesquisas da Loja “Quatour Coronari “, Ramsay foi iniciado na maçonaria em 10 de março de 1730, na Loja “Horn” no palácio Hord em Westminster (Castellani, 2006).

Segundo Naudon (1953), o serviço mais importante de Ramsey à maçonaria foi o de ter dado uma carta e um código geral de pensamento, com o seu “Discurso” publicado em 1738; outros autores não concordam com essa influência a ele imputada, sendo o mesmo, uma alusão a uma possível ancestralidade da nobreza, nas antigas cruzadas, em relação aos Franco-Maçons (Castellani, 2006).

Ramsay fez apologia à origem da maçonaria pelos templários, e atribuiu pela primeira vez, uma hierarquia na Ordem, proclama a Fraternidade como um ideal maçônico, num mundo sem fronteiras.

Fez uma proposta às Lojas da Inglaterra para acrescentar mais três graus (Mestre Escocês, Noviço e Cavaleiro do Templo). A maçonaria Inglesa, rejeitou. Fez outra proposta à maçonaria Francesa, para acrescentar mais sete graus suplementares; também não foi aceito.

Naudon (1923 apud Castellani, 2006) escreveu que, o fato mais importante acontecido após o Discurso, foi a criação do Capítulo de Clermont, pelo Cavaleiro de Bonneville em 1754.

LeForestier (1928 apud Castellani, 2006) em sua obra “L’Occultisme et la Franc-Maçonarie Écossaisse” acreditou que o termo “escocês” representou uma inspiração do Discurso de Ramsay, publicado em 1738, no qual ele afirmou que a Ordem Maçônica conservou, na Escócia, todo seu esplendor em uma época em que em outros locais, estava em decadência.

Mellor (1963, apud Castellani 2006) considerou inconsistente esta afirmação, já que em 1735 existia um quarto grau, denominado como “Mestres Escoceses”, de onde se acredita se deriva o nome do rito. Segundo Castellani (2006) quem definiu melhor o escocesíssimo foi Mellor (1963, apud Castellani 2006), para este autor, o “Rito Escocês” é a “Franco-Maçonaria atípica “.

As “causas” dos altos graus escoceses são escuras e controversas. Foram alegadas causas políticas, já que na época os jesuítas eram adeptos aos Stuart; também são discutidas ou dadas como causas, as doutrinárias e até espirituais; inclusive a vaidade pessoal devido aos títulos da nobreza, militarismo, a aristocracia e o clero. Alguns autores consideraram que o criador dos Altos Graus, foi André Michel Ramsay.

Sem dúvida nenhuma, o Rito Escocês foi exportado para Estados Unidos onde ficou conhecido como “Rito Escocês Antigo e Aceito”; na Europa foi estruturado para formar a moderna maçonaria e recebido pela realeza, a aristocracia e sociedade influente, pelo sentimento de nobreza e ancestralidade outorgado pelo Cavalheiro Ramsay.

TRADUÇÃO DO DISCURSO DO CAVALEIRO DE RAMSAY

(IGNORO QUEM FOI O TRADUTOR)

O ardor nobre que vocês mostram, senhores, para entrar na mui nobre e mui ilustre Ordem dos Maçons é uma prova certa de que vocês já possuem todas as qualidades necessárias para se tornarem membros, ou seja: HUMANIDADE, MORAL PURA, O SEGREDO INVIOLÁVEL e o GOSTO PELAS BELAS ARTES.

Licurgo, Sólon, Numa e todos os legisladores políticos foram incapazes de tornar suas instituições permanentes, e por mais sábias que fossem suas leis, eles não foram capazes de se espalhar em todos os países e todas as eras. Como tinham em vista somente as vitórias e conquistas, a violência militar e a ascendência de um povo sobre outro, elas não podiam se tornar universais, nem atender ao gosto, a engenharia e os interesses de todas as nações. A Filantropia não era a sua base. O amor à Pátria, mal-entendido e levado ao extremo, muitas vezes, destruiu nessas repúblicas guerreiras, o amor e a humanidade em geral.

Os homens não se distinguem essencialmente pelas diferentes línguas que falam, as roupas que usam, os países que ocupam, ou as dignidades com que são investidos.

O MUNDO TODO NÃO PASSA DE UMA REPÚBLICA ONDE CADA NAÇÃO É UMA FAMÍLIA E CADA INDIVÍDUO UM FILHO. É para fazer reviver e espalhar estas máximas essenciais, emprestadas da natureza do homem que a nossa Sociedade foi inicialmente estabelecida.

Queremos reunir todos os homens de espírito esclarecido, maneiras gentis e humor agradável, não só pelo amor às belas artes, mas ainda mais pelos grandes princípios de virtude, ciência e religião, onde o interesse da Fraternidade se tornam aqueles de toda a raça humana, onde todas as nações podem recorrer a conhecimentos sólidos, e onde os habitantes de todos os reinos possam aprender a valorizar um ao outro, sem renunciar a sua pátria.

Nossos ancestrais, os Cruzados, reunidos de todas as partes da cristandade na Terra Santa, desejavam, assim, reunir em uma única Fraternidade os indivíduos de todas as nações.

Quantas obrigações nós devemos a estes Homens Superiores, que sem interesse egoísta, sem sequer escutar o impulso natural de dominar, imaginaram uma instituição cujo único propósito é reunir mentes e corações para torná-los melhores e criar no decorrer do tempo, uma nação totalmente espiritual, onde sem derrogar os diferentes deveres que diferentes estados exigem, criarão um novo povo, que, composto de diferentes nações, consolidará todos eles de alguma forma pelo vínculo da Virtude e da Ciência.

O segundo requisito de nossa sociedade é uma Moral sã. As ordens religiosas foram estabelecidas para tornar os homens cristãos perfeitos; as Ordens militares, para inspirar o amor à verdadeira glória, e a Ordem dos maçons para transformar os homens em homens gentis, bons cidadãos, bons súditos, invioláveis nas suas promessas, adoradores fiéis do Deus da Amizade, mais amantes da virtude do que de recompensa.

Polliciti servare fidem, sanctumque vereri, Numen amicitiae, mores, non munera amare.

No entanto, não nos limitamos às virtudes puramente civis. Temos entre nós três tipos de irmãos: os noviços ou Aprendizes, os Companheiros ou professos, os Mestres ou Irmãos Perfeitos. Explicam-se aos primeiros as virtudes morais, aos segundo as virtudes heroicas, e aos últimos as virtudes cristãs, de modo que toda a nossa instituição abrange toda a filosofia dos sentimentos e toda a teologia do Coração. É por isso que um dos nossos veneráveis Irmãos disse:

Maçons, Ilustre Grão-Mestre, Recebam meus primeiros transportes

Em meu coração a Ordem os faz nascer; Feliz! Se os nobres esforços

Fazem-me merecer a sua estima

E me elevam a este verdadeiro sublime À primeira verdade,

À essência pura e divina dá origem divina da alma, Fonte de vida e clareza.

Porque uma filosofia triste, selvagem e misantropa desgostava os homens virtuosos, nossos antepassados, os Cruzados, quiseram torná-la agradável, de uma alegria pura e uma satisfação moderada. Nossas festas não são o que o mundo secular e o vulgar ignorante imaginam. Todos os vícios do coração e da alma são dali banidos, e temos uma proibição de irreligião e libertinagem; incredulidade e corrupção. É neste espírito que um de nossos poetas disse:

Seguimos hoje caminhos pouco percorridos,

Nós procuramos construir, e todos os nossos edifícios Ou são masmorras aos vícios

Ou templos às virtudes.

Nossos banquetes são semelhantes aos simpósios virtuosos de Horácio, onde se podia falar de qualquer coisa que pudesse iluminar a mente, regular o coração e inspirar o gosto pela bondade, verdade e beleza.

O noctes coenoeque Deum…

Sermo oritur, non de regnis domisbusve aliens

…sed quod magis ad nos

 Pertinet et nescire matum est agitamus; utrume Divitits homines, an sint virtuti beati;

Quitue ad amicitas usus rectumve trehat nos,

Et quae sit natura boni, summumque quid ejus.

Aqui o amor de todos os desejos se fortifica, Nós banimos de nossas lojas toda a disputa que possa alterar a tranquilidade do espírito, a doçura dos costumes, os sentimentos de amizade, e esta harmonia perfeita que não se encontra a não ser na eliminação de todos os excessos indecentes, e de todas as paixões discordantes.

Assim, obrigações que a ordem vos impõe são de proteger seus irmãos com sua autoridade, iluminá-los com suas luzes, edificá-los com suas virtudes, socorrê-los em suas necessidades, sacrificar todo o ressentimento pessoal e procurar tudo o que possa contribuir para a paz e a união da Sociedade.

Nós temos segredos, são sinais figurativos e as palavras sagradas, compondo uma linguagem às vezes chamada muda, às vezes muito eloquente para se comunicar à distância e para reconhecer nossos irmãos em qualquer de qualquer língua que eles sejam. Essas eram palavras de guerra que os cruzados davam um ao outro para garantir as surpresas dos sarracenos, que se infiltravam entre eles para cortar suas gargantas. Estes sinais e estas palavras recordam a lembrança de qualquer parte da nossa ciência, ou uma virtude moral ou algum mistério da fé. Aconteceu conosco o que nunca aconteceu com qualquer outra Sociedade. Nossas lojas foram criadas e se espalharam por todas as nações civilizadas e, no entanto, mesmo entre uma numerosa multidão de homens, jamais algum irmão traiu os nossos segredos. Aquelas naturezas mais triviais, mais indiscretas, os menos educados no silêncio, aprendem a ficar quietas, aprendem esta grande ciência ao entrar em nossa Sociedade. Tamanho é o poder da ideia de união fraterna sobre os espíritos!  Este segredo inviolável contribui poderosamente para unir os súditos de todas as Nações e fazer a comunicação de benefícios fácil e mútua entre nós. Temos vários exemplos nos anais de nossa Ordem. Nossos irmãos que viajaram a diferentes países tiveram apenas que se fazerem conhecidos em nossas Lojas para ali receberem todo tipo de ajuda, mesmo em tempo das mais sangrentas guerras e presos ilustres encontraram irmãos, onde esperavam encontrar inimigos. Se alguém faltasse com as promessas solenes que nos unem, vocês sabem, senhores, que as sanções que impomos são o remorso de consciência, a vergonha de sua perfídia e a exclusão de nossa sociedade, de acordo com estas belas palavras de Horácio:

Est et fideli tuta silentio

Merces; vestabo qui Cereris sacrum Vulgaris arcanum sub lisdem

Sit trabibus, fragilemque mecum Solvat phaselum…

Sim, senhores, os famosos festivais de Ceres em Elêusis, de Isis no Egito, de Minerva em Atenas, de urania entre os fenícios e de Diana na Cítia tinham relações com os nossos. Nestes lugares, mistérios eram celebrados, onde havia muitos vestígios da antiga religião de Noé e dos Patriarcas. Eles terminavam com refeições e libações e não conhecemos nem a intemperança, nem os excessos em que os gentios gradualmente caíram. A fonte dessas infâmias foi a admissão às assembleias noturnas de pessoas de ambos os sexos, contra os usos primitivos. É para evitar esses abusos que as mulheres estão excluídas de nossa Ordem. Nós não somos tão injustos ao ponto de considerar o sexo frágil como incapaz de sigilo, mas a sua presença poderia alterar imperceptivelmente a pureza de nossas máximas e nossa moral.

Se o sexo é banido, que não seja isso ponto para alarmes, Isso não um ultraje à sua fidelidade; Mas tememos que o amor entrando com seus charmes Não produza o esquecimento da fraternidade.

Nomes de irmãos e de amigos seriam as fracas armas Para garantir os corações contra a rivalidade.

A quarta qualidade necessária em nossa Ordem é o gosto pelas Ciências e Artes Liberais. Assim, a Ordem exige que cada um de vocês contribua com a sua proteção, por sua generosidade ou seu trabalho, para uma vasta obra para a qual nenhuma Academia pode ser suficiente, porque todas estas Sociedades são compostas por um número muito pequeno de homens e seu trabalho não pode abraçar um objeto tão amplo.

Todos os Grandes Mestres na Alemanha, Inglaterra, Itália e em outros lugares apelam a todos os Sábios e todos os artesãos da Fraternidade que se unam para fornecer os materiais para um Dicionário Universal das Artes Liberais e Ciências úteis, com exceção somente da Teologia e Política. Já começamos a trabalhar a obra em Londres e através da união dos nossos irmãos, poderemos conclui-la em poucos anos. Ali são explicados não só os termos técnicos e sua etimologia, mas ainda oferece a história de cada ciência e cada arte, seus princípios e a maneira de trabalhá-los. Por meio dela serão reunidas as luzes de todas as nações em um único trabalho que será uma biblioteca universal de tudo o que é belo, grande, luminoso, sólido e útil em todas as ciências e em todas as artes nobre. Esta obra aumentará a cada século, de acordo com o aumento do conhecimento, e ela difundirá por todos os lados a emulação e o gosto pelas coisas belas e úteis por toda a Europa.

O nome de maçom não deve, assim, ser tomado no sentido literal grosseiro e material, como se os nossos fundadores tivessem sido trabalhadores comuns em pedra ou gênios meramente curiosos que desejavam aperfeiçoar as artes. Eles eram arquitetos qualificados que queriam dedicar seus talentos e seus bens à construção de templos exteriores, mas também de princípios religiosos e guerreiros que queriam esclarecer, edificar e proteger os templos vivos do Altíssimo, que é o que eu vou lhes mostrar desenvolvendo a história, ou melhor, a RENOVAÇÃO da ordem.

Cada família, cada república, cada império, cuja origem se perde na antiguidade obscura tem a sua fábula e sua verdade e sua história. Alguns fazem nossa instituição remontar até os dias de Salomão, alguns até NOÉ, e mesmo até ENOQUE e que construiu a primeira cidade, ou até ADÃO.

Sem pretender negar essas origens, eu passo a coisas menos antigas. Aqui está o que eu recolhi nos anais antigos da Grã-Bretanha, nos Atos do Parlamento britânico, que falam muitas vezes de nossos privilégios e na tradição viva da nação Inglesa que era o centro de nossa Fraternidade desde o do século XI.

No tempo das Cruzadas na Palestina, muitos príncipes, senhores e cidadãos se associaram e prometeram restaurar o templo dos cristãos na Terra Santa e se empregar para fazer retornar sua arquitetura à primeira instituição; eles concordaram sobre vários antigos sinais e palavras simbólicas extraídas do fundo da religião, para reconhecer uns aos outros entre os infiéis e os sarracenos. Comunicavam-se esses sinais e palavras apenas a aqueles que prometiam solenemente, e muitas vezes até mesmo diante do altar, nunca os revelar. Esta promessa sagrada não era, portanto, um juramento execrável, como tem sido chamado, mas um laço respeitável para unir os cristãos de todas as nacionalidades em uma mesma Fraternidade. Algum tempo depois, nossa Ordem formou uma união íntima com os Cavaleiros de São João de Jerusalém. A partir daquele momento, nossas Lojas assumiram o nome de Lojas de São João. Esta união se fez de acordo com o exemplo dos israelitas quando eles ergueram o segundo templo. Enquanto lidavam com a trolha e a argamassa com uma mão, na outra eles tinham a espada e o escudo. Nossa Ordem, portanto, não deve ser considerada uma renovação das Bacanais, mas uma ordem moral, fundada em tempos imemoriais, e renovada na Terra Santa por nossos antepassados, para lembrar a memória das mais sublimes verdades em meio aos prazeres da Sociedade.

Os Reis, príncipes e senhores, voltando da Palestina, fundaram várias lojas em seus Estados. Desde o tempo das últimas Cruzadas, já vimos várias Lojas erguidas na Alemanha, na Itália, na Espanha e na França, e daí para a Escócia, devido à estreita aliança entre escoceses e franceses. James, Lorde Steward da Escócia foi Grão-Mestre de uma Loja estabelecida em Kilwin no oeste da Escócia, no ano 1274 pouco depois da morte de Alexandre III, rei da Escócia, e um ano antes de John Baliol ter subido ao trono. Este senhor recebeu os maçons em sua Loja, os condes de Gloucester e Ulster, um inglês e o outro irlandês.

Pouco a pouco, nossas lojas e nossas solenidades foram negligenciadas na maioria dos lugares. Por isso é que assim muitos historiadores, os da Grã-Bretanha, são os únicos que falam de nossa ordem. No entanto, ela se manteve em seu esplendor entre os escoceses, a quem os reis (da França) confiaram durante muitos séculos, a guarda de suas pessoas sagradas.

Após os deploráveis acontecimentos das Cruzadas, o perecimento dos exércitos cristãos e o triunfo do Bendocdar, sultão do Egito, durante a oitava e última Cruzada, o Grande Príncipe Edward, filho de Henrique III, rei da Inglaterra, vendo que não havia mais segurança para os seus irmãos na Terra Santa, de onde as tropas cristãs estava se retirando, os trouxe de volta, todos, e essa colônia de irmãos foi estabelecida na Inglaterra. Como este príncipe tinha todas as qualidades heroicas, ele amava as belas artes, declarou-se protetor da nossa Ordem, concedendo-lhe novos privilégios e, em seguida, os membros desta fraternidade assumiram o nome de maçons-livres, a exemplo de seus antepassados. Desde aquela época, a Grã-Bretanha foi a sede da nossa Ordem, a conservadora das nossas leis e depositária de nossos Segredos. As fatais discórdias de Religião que envergonharam e rasgaram a Europa no século XVI, fizeram degenerar a Ordem da Nobreza de sua origem. Mudaram-se, disfarçaram-se, suprimiram-se muitos dos nossos ritos e costumes que eram contrárias aos preconceitos da época.

É assim que muitos de nossos irmãos esqueceram, como os antigos judeus, o espírito de nossas leis, e somente retiveram a letra e a casca.

Começa-se a trazer para ela alguns remédios. É necessário apenas continuar e finalmente trazê-la de volta à sua instituição de origem. Esta obra não pode ser difícil em um estado onde a religião e o Governo só podem ser favoráveis às nossas leis. Das Ilhas Britânicas, a Arte Real está passando à França sob o reinado do mais amável dos Reis cuja humanidade anima todas as virtudes e sob o Ministério de um Mentor, que fez tudo o que poderia ser imaginado de mais fabuloso.

Nestes tempos felizes onde o amor da paz tornou-se a virtude dos heróis, a Nação, uma das mais espirituais da Europa, se tornará o centro da Ordem. Ela revestirá nossas obras, nossos Estatutos, nossos costumes, com graça, delicadeza e bom gosto, qualidades essenciais em uma ordem cuja base é a sabedoria, a força e a BELEZA do GÊNIO. É no futuro em nossas lojas, assim como era em escolas públicas, que os franceses aprenderão sem viajar, o caráter de todas as nações e que os estrangeiros experimentarão que a França é a pátria de todos os povos: “Patria gentis Humanae”.

O CAPÍTULO DE CLERMONT

O Capítulo de Clermont foi criado em Paris, em 1754 pelo Cavaleiro de Benneville, em honra ao Conde de Clermont, Grão Mestre da Grande Loja da França, com o nome de Colégio dos Jesuítas; instalado onde tinha sido a residência de Carlos Eduardo de Stuart, filho de Jaime III. Este capítulo teve uma existência bastante efêmera, no entanto, com o discurso de Ramsay, ajudou a propagação e crescimento dos Altos Graus; propiciando o surgimento em 1758, do Conselho dos Imperadores do Oriente e Ocidente e Soberana Loja de Jerusalém, que organizou um Rito de 25 Graus chamado de Perfeição ou de Heredom (NEDREAA, 2012).

A questão, que desde a criação do Capítulo de Clermont, manteve a maçonaria francesa em confusão, até o século XIX, foi, se a Grande Loja Simbólica, com seus três graus podia controlar os Altos Graus ou se os vários Corpos dos Altos Graus eram os que deveriam controlar a Grande Loja.

O Conde de Clermont, queria descartar todos aqueles que não fossem dignos e que os desonrassem pela baixeza de caráter e pelos interesses vis que os animava, procurando, não uma depuração, mais sim uma promoção ao grau de mestre Escocês. Os graus Cavaleirescos permitiram realizar essa promoção aristocrática, ...  está escrito no panfleto Le Sceau Rompu (o selo rompido):” Todo maçom é nobre em loja, deixando à porta de entrada tanto a condição burguesa, quanto os títulos honoríficos, para que sejam todos iguais”. (NEDREAA, 2012).

Seus membros assumiram os títulos de Soberanos Príncipes Maçons, Substitutos Gerais da Arte Real, Grandes Superintendentes e Oficiais da Grande Soberana Loja de São João de Jerusalém. Seus membros também eram conhecedores de várias tradições místicas e gnósticas antigas, trouxeram as influências Templárias, Rosacrucianismo e Egípcias, além de se dizerem herdeiros de Clermont e da corrente escocesa de Kilwinning e Heredom.

O CONSELHO DE IMPERADORES DO ORIENTE E OCIDENTE

Segundo Castellani (2006,) foi fundado em Paris em 1758 por Pirlet, o “Conselho de Imperadores de Oriente e Ocidente” e “Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém”; foi a primeira Potência Escocesa mais importante do século XVIII.

O Capítulo de Clermont tinha sido criado para alavancar a criação de graus na maçonaria denominada “Escocesa”, continuando com os processos iniciados na Loja de Saint German-em-Laje, criando sete graus; em confronto com a Grande Loja da França. Em 1758, criava um Sistema de Altos Graus, impondo um limite de 25 graus, chamados de Altos Graus de Perfeição. Em 1762 e sob os auspícios do Conselho de Imperadores de Oriente e Ocidente foram publicados os Regulamentos da Maçonaria; chamada de Constituição de Bordeaux em 29.09.1762 (GLMLA, REAA).

Em 1761 o Conselho dos Imperadores de Oriente e Ocidente outorgou ao Irmão Estevão Morin, uma patente de Grão Mestre Inspetor. (Leia: “A Patente de Morin”).



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.


Castellani, J. 2006. O Rito Escocês Antigo e Aceito. Ed. La Trolha, Paraná, 360 p.

Moreira,       E.N.        (Itabuna,     MG.)        Cavaleiro       Ramsey. Scmg.org.br/files/arquivos/fac_14cc24ef-cf64-4f8e-bc9c13f39a4b8a33_cavaleiro-%20Ramsey.pdf.2023.

NEDREAA.                         O                          Capítulo                        de Clermont.nucleodeestudosedivulgacaodereaa.blogspot.com/2012/10/o

-capítulo-de-clermont/html

Palou,   J.     O     Cavaleiro   Ramsey.1989.  Trad.    José    Filardo. https://bibliot3ca.com/o-cavaleiro-de-ramsey.-ramsey.com/o-cavaleiro-de-ramsey.

 
 
 

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