ESCOLAS DE MÍSTÉRIOS, PITAGORISMO E MAÇONARIA
- Eloy Guillermo Castellón Bermúdez
- 2 de jun.
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Eloy Guillermo Castellón Bermúdez
Membro da AAML-Cad.34-Compilador
Na antiguidade e desde as origens do moderno Homo sapiens, os conhecimentos e a sabedoria, eram transmitidos através de palavras, e nas Escolas de Mistérios ou escolas iniciáticas, que existiram através dos tempos, em diferentes culturas e épocas, com o propósito de guiar o indivíduo numa jornada interior, para transmitir os conhecimentos ocultos, revelados aos iniciados, numa cadeia de aprendizado de geração em geração (Gnosis Brasil, 2024).
As Escolas de Mistérios existiram desde muito antes do ano 2500 a.C.; uma das mais conhecidas, está a relacionada com Isis e Osiris, divindades do Egipto antigo, e a partir dessas escolas, pela tradição, o Império foi conhecido. As religiões importantes ou cultos a deuses, tinham seus ensinamentos místicos, ao lado de doutrinas regulamentadas. O conhecimento místico era compartido entre indivíduos selecionados, que eram iniciados nesses secretos, em cerimônias secretas ou extremamente secretas; normalmente existiam 3 níveis de aprendizado ou graus. Essa mesma prática é encontrada na maçonaria (Gest, 2011).
No Egito antigo, os Templos eram centros de conhecimento esotérico. Na Grécia antiga, as escolas de mistério de Eleuses, era famosa e simbolizava a jornada da alma; Pitágoras, na Magna Grécia, (atualmente na Itália), fundou sua escola ensinando sobre a imortalidade da alma, as dimensões da natureza e outras disciplinas como a matemática e a geometria. Sócrates, foi um marco na filosofia, que usava o diálogo para chegar à verdade, dentre outras escolas (Gnosis Brasil, 2024).
O conhecimento a respeito do Macrocosmo ou universo, da natureza, seus ciclos e padrões celestiais, eram de domínio de um seleto grupo de pessoas, chamados de sacerdotes. Esses sacerdotes não só entendiam o mundo e seus arredores mais também realizavam investigações ao respeito, de como o mundo funcionava e garantiam que essas informações fossem transmitidas a outras gerações. Eram os Magos e guardiães do conhecimento (Gest, 2011).
Gest (2011), citou Frank Higgins, quem no seu livro “Ancient Freemasonery” (Maçonaria Antiga), fez algumas considerações sobre esses sacerdotes e o processo de iniciação que eles realizavam: “O objeto das iniciações antigas era o de manter a autoridade e preservar a casta sacerdotal”.
É provável, contínua Gest (2011), que esses sacerdotes tenham caído na armadilha dos paradigmas, quando os costumes, normas, dogmas, e percepções já estabelecidos e nos quais não se permitia, ou não se tolerava mudanças não contempladas (Paradigmas são modos de compreender a realidade e que delimitam uma forma de pensar ou de agir, num determinado contexto socio histórico; como exemplo, na época, propor que a terra circulava ao redor do sol e era redonda; ou que pessoas com deficiências eram capazes e úteis à sociedade) (Diversa, Paradigmas...).
Punições eram aplicadas a aquelas pessoas que procuravam formas alternativas de explicar ou propor soluções que não encaixar-se-ia aos dogmas e costumes já estabelecidos.
PITAGORISMO
Pitagorismo é um termo usado para as crenças esotéricas e metafísicas defendidas por Pitágoras e seguidores, todos influenciados, não só pela matemática, mais também pelos misticismos (Wikipédia, Deus e a Matemática...).
Pitágoras, com 16 anos começou estudar com o maior sábio de Mileto, Tales de Mileto, que após algum tempo reconheceu que não tinha nada mais a ensinar ao jovem aprendiz. Já adulto, começou estudar a matemática de outros povos, viajando a Síria, Arábia, Caldeia, Pérsia, Índia e Egito, onde ficou por 20 anos; e para conhecer melhor os mistérios da religião egípcia, se fez sacerdote.
Os Pitagóricos acreditavam na reencarnação da alma ou a transmigração dos corpos (A metempsicose, no qual uma alma ao desencarnar do corpo, pode viver num vegetal, uma pedra ou voltar a outro corpo humano). A doutrina da seita pitagórica era baseada em uma purificação da alma, por meio da vida corpórea, pois a finalidade da vida é materialista, até a alma atingir um estado de purificação total, para se alcançar a vida eterna. Também compartilhou conhecimentos sobre o significado metafísico dos números (que transcende a natureza física das coisas) e a salvação da alma (Contos de todos os Cantos, 5 Religiões de Mistérios da Grécia...).
Pitágoras transformou a forma de raciocinar, em dedutiva, usando a matemática e a filosofia como formas de compreensão da verdade, (a Análise dedutiva, é iniciada a partir da generalização de um assunto. A partir de aí, os fatos começam a ser analisados de forma minuciosa, para que o conhecimento se torne específico, na medida que se aprofunda na análise dos fatos). Usou de forma harmônica a Matemática e a geometria como essenciais na construção do entendimento do funcionamento do mundo: “todas as coisas são números” ou “todas as coisas representam números” (Mendes, 2021).
Em torno do ano 530 a. C. voltou a Samos, seu lugar de origem, e fundou a Escola Pitagórica, uma espécie de irmandade dedicada ao estudo da matemática, geometria, astronomia, música, religião, política e a filosofia. No entanto, seus alunos eram aristocratas, obrigados sob juramento, a manter tudo conhecimento em sigilo, mantendo um código de conduta rigoroso; seus membros faziam um juramento de não revelar as descobertas, que não eram atribuídas a algum individuo em particular e sim a irmandade. Conseguiu criar uma comunidade em que seus adeptos acreditavam sobre a imortalidade da alma, com purificações e reencarnações sucessivas, que ocorriam através de corpos vivos.
A música, para Pitágoras, era um elemento natural e como todo elemento natural, seria composto por números e relações numéricas. Pitágoras, ao criar um instrumento musical, o monocórdio, conseguiu (a criação de umas novas escalas tonais) uma escala dividida, diferente da que era usada; permitindo, muitos anos depois, a criação de uma escala musical dividida em tons, semitons e oitavas, além da criação de outros instrumentos mais complexos, como o piano e o violino (Mundo Educação, Pitágoras...).
Era um místico, que se inspirou nos cultos de Orfeu. Seu intelecto místico, influenciou outros grandes filósofos como Platão, Tomás de Aquino, e Descartes na revolução científica, misturando o raciocínio com a espiritualidade (Mendes, 2021).
O SIGNIFICADO DOS NÚMEROS PITAGÓRICOS
O misticismo de Pitágoras o fazia raciocinar sobre a matéria e os números. Desta forma o número “um” era representado por um ponto (ou gerador de números); o número um simboliza a Mônada (unidade orgânica diminuta e muito simples, ex. um grau de pólen ou um protozoário). É um número hermafrodita, sendo macho e fêmea, ímpar e par, porque quando somado a outra mônada, cria uma díade.
O número dois é a díade, representado por uma reta entre dois pontos; simboliza a mãe da sabedoria; a dualidade do Céu e a Terra.
O número três é a triada e considerado o primeiro número ímpar (a mônada nem sempre foi considerada um número). Era representado por três pontos, numa superfície. Caracteriza a amizade, paz, justiça; piedade, temperança e virtude.
O número quatro ou Tétrade, é visto como o número mais perfeito, era um tetraedro (um quadrado); simboliza a divindade, já que incorpora os quatro primeiros números. O número das estações. O meio da semana. Os quatro elementos: ar, fogo, água e terra. As quatro coordenadas na terra: norte, sul, leste e oeste. Caracteriza a harmonia, força e virilidade.
O número cinco ou Pentade, é o número 10 dividido em dois partes iguais. A soma dos dois primeiros números, o primeiro par, somado ao primeiro número ímpar: 2+3=5. É um dos dois números que quando multiplicados por si mesmo, reproduze a si mesmo no produto. Caracteriza a imortalidade, providência e som.
O número 6 ou hexada, representa a criação do mundo; a soma e o produto dos três primeiros números: 1+2+3=6; 1x2x3=6. O segundo número multiplicado por si mesmo, reproduz a si mesmo no produto. É o símbolo do casamento conforme definido pelos triângulos que se sobrepõem no hexagrama.
O número sete ou heptoda, considerado o número da religião, pois reflete as sete esferas e espíritos celestiais (Excluindo a Terra). Representa o símbolo da vida, considerando que uma criança, após sete meses de gestação, sobrevive.
O número 8 ou Octoda, é o símbolo sagrado do cubo, que tem 8 vértices e oito lados. O oito dividido em duas partes são iguais a (2) 4, que dividido novamente em duas partes é (2) dois; que dividido em outras duas partes é igual a mônada (1-2-4-8-4-2-1), caracteriza o amor, o conselho, a prudência e a lei.
O número 9 ou Eneáda, representa o primeiro quadrado de um número ímpar (32= 3x3=9). Considerado o número do homem porque quando em gestação, precisa de nove meses para vir à vida.
O número 10 é considerado como o maior dos números, representado no triângulo de 10 pontas. Incorpora todos os números anteriores; a soma de: um + dois + três + quatro é igual a 10 (de forma a ser o número dez, o mais venerado; representado por um triangulo, chamado de perfeito ou tetractys, conjunto dos quatro elementos). Acreditava-se, por tanto, que o próprio criador havia confiado a alma dos seres, a fonte e origem da natureza. Especula-se que estes elementos deram origem a “numerologia” (Crença em, que os números regem a vida e o destino das pessoas) (Gomes, 2010).
O significado místico da numerologia de Pitágoras e da numerologia Hebraica levou a Johannes Rusching (1455-1522), sintetizar o pitagorismo com a teologia cristã e a cabala judaica, argumentando que a cabala e o pitagorismo foram ambos inspirados pela tradição mosaica e que Pitágoras era, portanto, um cabalista (Wikipédia, Pitágoras).
A vida pura, para Pitágoras, tinha o significado de austeridade, coragem, piedade, obediência:” honra os deuses, sobre todas as coisas. Honra teus pais. Acostuma-te a dominar a fome, o sono, a preguiça e a cólera” (Frazão, 2024).
Existe uma grande semelhança entre o Orfismo e o Pitagorismo, na religiosidade; por exemplo: a dualidade de corpo e alma; a metempsicose; a punição no Hades (o inferno); a glorificação final do “psiquí”, nos Campos Elíseos (o paraíso para os gregos); o vegetarianismo e as purificações (Carvalho, 2018).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Diversa. Quais são os Paradigmas históricos? diversa.org.br/educacao-inclussiva/quais-sao-os-paradigmas-historicos/#:~:text=Paradigmas%20%são%20%modos%20de%20com...
GNOSIS BRASIL.Escolas de Mistérios. Gnosisbrasil.com/artigos/escolas-de-misterios/21/12/2024.
Gest, K.L., Os Segredos do Templo de Salomão. Os Mitos em torno ao Rei Bíblico. Ed. Madras, São Paulo, 2011, 258 p.
Mundo Educação. Pitágoras: bibliografia, filosofia e música. https://mundoeducacao.uol.com.br/filosofia/pitagoras.htm#:~:text=
Mendes, J.P. Da Magia da Antiguidade. HVMANITAS-Vol. XILV (1993)
Universidade de Brasília.
Mundo Educação. Pitágoras: bibliografia, filosofia e música. https://mundoeducacao.uol.com.br/filosofia/pitagoras.htm#:~:text=
Wikipédia. Deus e Matemáticas. https://wikipedia.org/wiki/Deus e matemáticas
Wikipédia. Pitágoras. https://wikipedia.org/wiki/Pitagoras Mundo Educação. Pitágoras: bibliografia, filosofia e música. https://mundoeducacao.uol.com.br/filosofia/pitagoras.htm#:~:text=

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