CONSERTANDO O BRASIL – V
- Antônio Tupinambá
- 12 de mai.
- 5 min de leitura
ANTONIO TUPINAMBÁ
AAML, Cad. 40-EM
11/05/2026
DESCOBRI QUE NÃO ESTOU SOZINHO
Fuçando a internet, ontem encontrei um artigo escrito por Arlindo Batista Chapeta, Secretário Geral de Comunicação do Grande Oriente do Brasil. Nesse artigo ele aborda um tema que que tem sido motivo de algumas das minhas postagens no Blog do Tupinambá, pelo menos em cinco oportunidades: o descaso da Maçonaria dos dias de hoje para com o destino das nações, especialmente da nação brasileira.
A última postagem que fiz, intitulada “Novos Rumos para a Maçonaria”, sugeri que a Maçonaria seja a arquiteta de um novo contrato social para o Brasil, conforme pedaços daquele texto, a seguir.
A história é uma sucessão de edificações. Se, entre os séculos X e XIV, nossas mãos estavam calejadas pelo desbaste da pedra bruta para erguer catedrais e castelos que desafiavam o tempo, o século XV nos impôs uma metamorfose necessária. A Maçonaria, em um movimento de sabedoria secular, compreendeu que o mundo não precisava apenas de paredes físicas, mas de colunas morais. Nascia a Maçonaria Especulativa: o ofício de lapidar não mais o granito, mas o caráter humano.
Ao longo dos séculos, essa Ordem foi o fermento silencioso de revoluções que redesenharam o mapa político do mundo, da derrocada de regimes absolutistas à consolidação das independências nas Américas. A pergunta que se impõe, contudo, diante dos desafios contemporâneos, não é apenas sobre o nosso passado glorioso, mas sobre a nossa vocação futura. Se a Maçonaria Especulativa foi a construtora do indivíduo, não seria o momento de ela se tornar a arquiteta da sociedade?
O Brasil atravessa um momento em que as fraturas sociais são profundas. A polarização, o esgarçamento das instituições e a desigualdade não são apenas falhas políticas; são sintomas de um contrato social que, no Brasil, nunca foi verdadeiramente selado. Por isso, proponho aqui uma expansão da função maçônica: sem abandonar a bússola da filosofia e do aperfeiçoamento individual, a Ordem deve se posicionar como um laboratório de um novo contrato social brasileiro.
...
Não estou falando de transformar a Maçonaria em um partido político, o que seria o seu fim. Estou falando de elevar a sua missão: deixar de ser apenas a "Escola de Formação de Homens" para ser, também, a "Oficina de Formação de Sociedade". Onde antes se buscava o esquadro para o comportamento, hoje devemos buscar a régua para medir a justiça social.
Um Chamado ao Trabalho
A história da Maçonaria não é um livro fechado; é um manuscrito em constante escrita. Se nossos antepassados operativos construíram os tetos sob os quais a civilização se protegeu das intempéries, cabe a nós, maçons do século XXI, construir as pontes que unirão um Brasil fragmentado.
A pergunta para cada um de nós, e para a sociedade brasileira como um todo, é: temos a coragem de assumir o papel de arquitetos? A pedra bruta de nossa sociedade está à nossa espera. Não é uma pedra fácil de trabalhar, mas é a única que, devidamente polida, garantirá que as próximas gerações tenham um edifício sólido, justo e fraterno para habitar.
O contrato social brasileiro precisa de uma nova fundação. Que essa fundação seja feita de princípios, de razão e, acima de tudo, de um compromisso inabalável com o bem-estar de toda a coletividade.
O texto completo foi publicado no meu Blog, mas, por alguma razão, não despertou o interesse de ninguém da Maçonaria. Pelo menos ninguém sequer comentou.
Daí, quando li o texto do Secretário de Comunicação do Grande Oriente do Brasil, descobri que eu não estava pensando nisso sozinho. Outros também pensam que chegou a hora dos maçons pararem de bater malhete nas lojas, repetindo práticas, sinais e palavras utilizadas em séculos passados para proteger segredos da arte de construir, sem qualquer utilidade nos dias de hoje, enquanto a corrupção enterra o Brasil na mais profunda decadência moral e financeira.
Eis o que ele escreveu:
A MAÇONARIA E O DESAFIO DE VOLTAR A COMPREENDER A SOCIEDADE. SEU FUTURO DEPENDE DA CAPACIDADE DE EVOLUIR
A maçonaria sempre foi uma instituição de vanguarda. Em diferentes momentos da história, esteve presente nos grandes debates da humanidade, ajudando a construir conceitos de liberdade, justiça, igualdade, educação e desenvolvimento social. Porém, com o passar do tempo, parte da maçonaria acabou se afastando da sociedade e se fechando dentro de seus próprios templos.
Enquanto o mundo mudou, muitas lojas permaneceram discutindo apenas entre si, utilizando métodos, linguagens e até interpretações que já não alcançam as novas gerações. O resultado disso é visível: envelhecimento das lojas, dificuldade de atrair jovens, perda de protagonismo social e uma crescente desconexão com a realidade da sociedade moderna.
Precisamos reconhecer isso sem medo. Não se trata de abandonar princípios, mas de entender que a forma de aplicá-los e transmiti-los precisa evoluir. Nossos valores continuam atuais e necessários, porém a maneira de dialogar com o mundo já não pode ser a mesma de um ou dois séculos atrás.
A maçonaria não pode continuar tratando toda mudança social como ameaça e nem acreditar que preservar tradição significa permanecer imóvel. Também não deve caminhar para extremos ou transformar-se em uma instituição ideológica. O equilíbrio sempre foi uma das maiores virtudes maçônicas.
O jovem de hoje pensa diferente, vive uma realidade diferente e enfrenta conflitos diferentes. Se não formos capazes de compreender essa nova sociedade, jamais conseguiremos apresentar nossos princípios de maneira útil e aplicável ao tempo atual. Antes de querer ensinar, precisamos voltar a ouvir, entender e participar da sociedade da qual fazemos parte.
Talvez um dos maiores erros das últimas décadas tenha sido acreditar que bastava preservar rituais e tradições para garantir a sobrevivência da Ordem. A maçonaria nasceu progressista, participativa e inserida na sociedade. Nunca foi uma instituição criada para viver isolada do mundo.
Precisamos voltar a liderar debates importantes, ampliar ações sociais, incentivar formação intelectual moderna, preparar lideranças mais conectadas com a realidade e transformar nossas lojas em ambientes vivos de construção de soluções e não apenas espaços de repetição de discursos antigos.
Também é necessário reconhecer que muitos materiais utilizados atualmente foram escritos para sociedades completamente diferentes da nossa. Continuam sendo valiosos como base filosófica e moral, mas precisam ser reinterpretados à luz dos desafios modernos para que continuem produzindo transformação verdadeira. Em muitos casos, será necessário reescrever parte dos nossos materiais de consulta, trazendo novos conhecimentos, novas abordagens e reflexões mais conectadas com a realidade atual, sem perder a essência dos nossos princípios.
Isso somente será possível quando a maçonaria voltar a ouvir mais a sociedade como um todo, compreendendo melhor os jovens, as mulheres, as minorias e as diferentes formas de pensamento presentes no mundo moderno. Não para abandonar sua identidade, mas para compreender melhor a realidade humana e exercer com mais equilíbrio, inteligência e responsabilidade seu papel de liderança moral e social.
Se quisermos continuar sendo uma instituição relevante para a humanidade, precisaremos sair da zona de conforto e também dos templos, voltar a interagir verdadeiramente com a sociedade, ouvir, debater e compreender os desafios do nosso tempo com a sincera intenção de ajudar na construção de um mundo melhor. Precisaremos estar preparados para evoluir e até mudar quando necessário, sem perder nossa essência, transformando nossos ensinamentos em ações concretas capazes de produzir impacto real na vida das pessoas e na sociedade moderna. Essa tem sido uma busca permanente dentro da atual gestão dos irmãos Ademir Cândido da Silva e Adalberto Aluízio Eyng no Grande Oriente do Brasil.
“A maçonaria não perderá sua essência ao compreender o mundo moderno; perderá sua relevância se deixar de compreendê-lo.”
Fraternalmente,
ARLINDO BATISTA CHAPETA
Secretário Geral de Comunicação do
Grande Oriente do Brasil
E quanto a você? O que pensa sobre o assunto?
Hoje estou com oitenta anos de idade, e mais de cinquenta de iniciado na Maçonaria. Fico triste de ver nossa Sublime Ordem, e todos os maçons brasileiros, vivendo de um passado histórico que não constrói nada para o bem-estar dos maçons e das nações dos dias atuais.
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Ainda não conhecia o discurso, não afasto uma vírgula, porque entendo que muitos de nós se questiona sobre o que fazer, o que nos reserva a história para cumprir nossa proposta original. Os tempos e as condições da sociedade contemporânea são outras, como se espera da evolução e do progresso com todas suas contradicoes. Espera-se que a Ordem defina um Plano de Trabalho para iniciarmos o grande debate