5 - O DISCURSO NÃO PRONUNCIADO
- Antônio Tupinambá
- 17 de jul. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 26 de nov. de 2025
.............................................................................................
DICURSO PROFERIDO NA SOLENIDADE DE RECEBIMENTO DO DIPLOMA DA PODEROSA CONGREGAÇÃO 2024, DO GOBAM, REALIZADA EM 12 DE MARÇO DE 2024([1])
Eminente Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil – Amazonas,
No dia 26/03/2024 recebi com surpresa um Convite Especial para, nesta memorável noite, receber da Poderosa Congregação 2024, do GOBAM, um Diploma de Gratidão Maçônica.
Desde aquele dia fiquei a pensar: o que fiz de especial ao Grande Oriente do Brasil para receber tão honrosa homenagem? Ao que minha memória ainda permite lembrar, contribuí com minha presença, e com algum recurso financeiro, para que minha Loja, a Glória Sobre as Trevas, pudesse se estabelecer de fato na base territorial deste Oriente; também pude contribuir, com meu trabalho, quando do exercício do cargo de Secretário de Finanças do GOBAM, na gestão administrativa do Irmão Rosselberto Himenes. Mas tudo isso o fiz porque era da minha obrigação maçônica fazê-lo, sem intenção de obter qualquer espécie de reconhecimento ou recompensa.
Mas, lendo atentamente os termos do Convite Especial que recebi, deparei-me com a expressão “...eventos destinado(s) para discussões de atividades voltadas para impulsionar o desenvolvimento da Maçonaria Amazonense com base nos cenários atuais”.
Será que eu posso entender que a Poderosa Congregação 2024, do GOBAM, está buscando um novo caminho para os maçons?
Se é isso, então quero colocar-me à disposição dessa Congregação para discutir esse assunto, e dizer o que penso sobre a nossa Ordem e seus mantenedores, os maçons, atualmente. Mas... quem sou eu para tamanha pretensão?
Em poucas palavras, permitam-me discorrer um pouquinho sobre esse tema, muito empolgante e necessário para o futuro da Maçonaria e dos maçons, no meu entender.
Quando iniciei naquilo que me foi ensinado como “Mistérios Ocultos da Natureza e da Ciência” (já lá se vão 50 anos), comecei a andar por um caminho absolutamente desconhecido em busca de “Conhecimento”. Uma das lições brotadas dos Trabalhos de Emulação dizia que os “Grandes Princípios em que se fundamenta a Ordem” são o “Amor Fraternal”, a “Caridade” e a “Verdade”; que o maior objetivo do Maçom na Maçonaria é manter forte essas três “Colunas”, mediante o constante exercício do amor fraternal, a prática da caridade, e a busca incessante da verdade.
Enquanto refletia sobre esses “Princípios”, percebi na minha jornada maçônica que o tempo precioso das “Sessões da Loja” eram gastos na tentativa de fazer com que os maçons repetissem, na caminhada pelos graus simbólicos da liturgia maçônica, as mesmas práticas que, dizia-se, e se diz ainda, herdada dos maçons operativos do final da Idade Média (Século XV), repetindo palavras, gestos ou sinais com que aqueles pedreiros do passado (dizem) se reconheciam. Enquanto isso, o mundo dito “profano” estava, e está, sendo governado por interesses outros que passaram, e continuam passando, ao largo dos “Princípios” da Maçonaria Especulativa nascida no início do Século XVI.
Verdade que muitos maçons do século XVIII, inspirados pelo movimento intelectual do Iluminismo, dedicaram-se à valorização do uso da razão; à defesa de um Estado descentralizado, mediante a divisão de poderes; à luta contra o absolutismo, através da limitação dos poderes do monarca; à defesa da soberania popular, isto é, de que o poder emana do povo, e não da religião, e outras atividades. Muitos chegaram a construir nações democráticas independentes, a libertar escravos, e outros feitos históricos.
Mas hoje, o que os maçons estão fazendo para o desenvolvimento da Maçonaria? Qual o grande feito da Maçonaria, ou de maçons que agem em nome dela, Maçonaria, que podemos registrar para orgulho das nossas futuras gerações?
Como a Maçonaria, ou os Maçons, podem interferir no estado de coisas que envergonham a nação brasileira, entre elas a corrupção de valores morais, a busca do poder político a qualquer preço, o desvio de recursos do poder público em benefício daqueles que tem por dever resguardá-los do ralo do desperdício, em detrimento da Educação, da Saúde, da Segurança e de outras Funções do Governo?
Enquanto a caravana passa e os cães ladram, nós, maçons, vamos continuar de braços cruzados, ensinando toques, palavras e sinais que serviram para identificar maçons operativos?
Para dar o primeiro passo em direção aos objetivos que vislumbrei no Convite a que já me referi, precisam serem definidas posições, meios, suporte legal, e providências para que tais coisas se estabeleçam. Por exemplo:
O que é a “Poderosa Congregação 2024” no contexto da vida da pessoa jurídica “Grande Oriente do Brasil”?
Onde a Poderosa Congregação está situada na estrutura organizacional do Grande Oriente?
Quem integra a “Poderosa Congregação 2024”, e como esses integrantes são admitidos e/ou afastados da sua estrutura?
Existem regras estabelecidas para disciplinar o relacionamento dos seus integrantes, e o funcionamento da organização?
Existe algum projeto técnico para alcançar os objetivos que entendi estarem sendo perseguidos?
Se entendi bem a razão da minha diplomação por esta Poderosa Congregação, quero parabenizá-la pela iniciativa da discussão com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento da maçonaria amazonense, baseada no cenário atual, e esperar que algo de novo aconteça na nossa Sublime Ordem, para mudar o status quo da vida desta nação que sofre com o mau andamento dos nossos governos.
Muito obrigado.
ANTONIO TUPINAMBÁ
CIM 161.722
[1] O discurso não chegou a ser pronunciado, impedido que fui pelo Cerimonial do Evento.

Comentários