9 - CIVISMO
- Antônio Tupinambá
- 1 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 21 de nov. de 2025
ANTONIO TUPINAMBÁ
04/08/2018
Civismo - Refere-se a atitudes e comportamentos que um cidadão tem, no dia a dia, que sejam demonstrativos de respeito pelos valores da sociedade e pelas suas instituições. Práticas essas assumidas como os deveres fundamentais para a vida coletiva, visando a preservar a sua harmonia e melhorar o bem-estar de todos (Wikipédia).
Atendendo a um chamamento da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, de Itacoatiara (AM), sintonizei hoje de manhãzinha a Rede Amazônica de Televisão para assistir ao programa “Partiu Amazônia”, apresentando Itacoatiara para toda a região. Foi o que de melhor podia acontecer para divulgar esse cantinho do nosso Brasil, sobretudo pelas palavras do historiador Frank Chaves, meu amigo.
Uma pena que as chamadas pelos canais disponíveis para acesso ao grande público tenham sido maculadas com comentários desairosos, de conteúdo político-partidário, passando ao largo do sentimento cívico que deveria unir todos os itacoatiarenses em torno dessa oportunidade ímpar de mostrar nossa terra, nossa gente. Lembrei, então, que estamos vivendo num mundo de modernidade, onde não tem mais lugar para certos princípios que guiaram a pena de brasileiros como Ruy Barbosa e Olavo Bilac, entre tantos outros. Veja o que eles escreveram:
A PÁTRIA
Olavo Bilac
Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! Jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha…
Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!
...
A PÁTRIA
(Texto: Rui Barbosa, 1903)
O sentimento que divide, inimiza, retalia, detrai, amaldiçoa, persegue, não será jamais o da pátria. A Pátria é a família amplificada.
E a família, divinamente constituída, tem por elementos orgânicos a honra, a disciplina, a fidelidade, a benquerença, o sacrifício. É uma harmonia instintiva de vontades, uma desestudada permuta de abnegações, um tecido vivente de almas entrelaçadas. Multiplicai a célula, e tendes o organismo.
Multiplicai a família, e tereis a pátria. Sempre o mesmo plasma, a mesma substância nervosa, a mesma circulação sanguínea. Os homens não inventaram, antes adulteraram a fraternidade, de que Cristo lhes dera a fórmula sublime, ensinando-os a se amarem uns aos outros: “Diliges proximum turum sicut ipsum”.
Dilatai a fraternidade cristã, e chegareis das afeições individuais às solidariedades coletivas, da família à nação, da nação à humanidade. Objetar-me-eis com a guerra!
Eu vos respondo com o arbitramento. O porvir é assaz vasto para comportar esta grande esperança. Ainda entre as nações, independentes, soberanas, o dever dos deveres está em respeitar nas outras os direitos da massa.
Aplicai-o agora dentro das raias desta: é o mesmo resultado; benqueiramo-nos uns aos outros, como nos queremos a nós mesmos. Se o casal do nosso vizinho cresce, enrica e pompeia, não nos amofine a ventura, de que não compartimos. Bendigamos, antes, na rapidez de sua medrança, no lustre da sua opulência, o avulsar da riqueza nacional, que se não pode compor da miséria de todos.
Por mais que os sucessos nos elevem, nos comícios, no foro, no parlamento, na administração, aprendamos a considerar no poder um instrumento de defesa comum, a agradecer nas oposições as válvulas essenciais da segurança da ordem, a sentir no conflito dos antagonismos descobertos a melhor garantia da nossa moralidade.
Não chamemos jamais de inimigos da pátria aos nossos contendores. Não averbemos jamais de traidores à pátria os nossos adversários mais irredutíveis.
A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação.
A pátria não é um sistema, nem é uma seita, nem um monopólio, nenhuma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não inflamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque todos os sentimentos grandes são benignos e residem originariamente no amor. No próprio patriotismo armado o mais difícil da vocação, e a sua dignidade não está no matar, mas morrer. A guerra, legitimamente, não pode ser o extermínio, nem a ambição: é, simplesmente, a defesa. Além desses limites, seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia…
...
É, meu amigo Frank Chaves, já não se faz brasileiros como antigamente! Quem tem ouvidos de ouvir que ouça esses brados, que ainda hoje ressoam na minha cabeça. Você fez sua parte com maestria.
***

Esse texto me transportou para meu tempo de criança. Minha mãe possuía pouca escolaridade, mas já plantava na nossa mente a cultura do respeito e amor à terra em que nascemos. Lembro que ela amava a literatura de cordel, fazia coleção de livretos com história magnificas: me veio agora a memória "Cancão de Fogo" (rs).
Ela morria de ciúmes de seus pertences, eu os pegava escondido. Também nos fazia decorar muitos poemas. Ela recitava, e fazia com que repetíssemos, A Pátria, de Olavo Bilac era um deles.
Outra memória é a do meu tempo de adolescência. Na escola tínhamos a matéria de Moral e Cívica, que tinha como objetivo a formação da nossa cidadania e consciência de nossos deveres e direitos.