6 - CARTA ABERTA AO IRMAO EDSON AQUINO (†)
- Antônio Tupinambá
- 7 de jul. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 20 de nov. de 2025
Antonio Tupinambá
AAML, Cad. 40
Quarentena Covid
13/07/2020
Querido Irmão Edson (Duarte de Aquino),
Já faz algum tempo que fostes embora. Ontem, por alguma razão, lembrei-me das nossas longas conversas sobre o CONHECIMENTO, especificamente sobre o MUNDO OCULTO. Na verdade, essa “alguma razão” está no fato de eu ter alguém disposta a me ouvir e interagir comigo sobre essas coisas do mundo espiritual, o que é muito difícil de acontecer.
Lembras que falávamos sobre isso?
Eu gostaria de compartilhar contigo a conversa que tive com minha confidente, que também conhecestes, que também foi iniciada nos PEQUENOS MISTÉRIOS. Eu gostaria de expor minha opinião e, quem sabe, colher a tua, de alguma forma.
Naquele tempo (das nossas conversas), quando ainda eras espírito e matéria, não tínhamos à nossa disposição essa maravilhosa ferramenta que é a internet. Mesmo assim, especulávamos sobre aquilo que designávamos INICIAÇÕES nas ORDENS MENORES (Maçonaria e Rosacruz, principalmente) e ORDENS MAIORES, existentes no presente e no passado. Lembro que defendias a tese da existência de MESTRES dessas Ordens; que falavas com desenvoltura sobre Annie Besant e sua estada na Índia em busca do Conhecimento que continuava sob a guarda daqueles Mestres; que afirmavas convicto a existência desses Conhecimentos estarem escondidos em algum dos mosteiros tibetanos; que indagavas, sempre que conversávamos: de onde viemos?
Naquela época já habitava em mim o conflito que a cada dia que passa aumenta: quem me dará a respostas mais satisfatórias sobre essas Ordens e seus Grandes Mestres? Buscá-las na ciência ou na fé?
Quase vinte anos já se passaram deste então, e não sei ainda qual caminho seguir. Talvez quando da minha vida não restar mais quase nada, eu abrace a Fé. Mas neste momento continuo a duvidar da Teoria Criacionista. Por outro lado, quando penso na infinitude do universo e seus mistérios insondáveis; quando tento “assimilar” a teoria de que um dia fomos bactéria, evoluímos para o macaco e depois para esse ser pensante que hoje somos, alguma coisa me diz que tudo isso não seria possível se não existisse um ARQUITETO, que a Fé designa por DEUS, projetando e construindo tudo. Ainda mais: que a vida teve um começo; que a vida terá um fim. Como começou?
RIG VEDA | BÍBLIA CRISTÃ |
(...) Nada existia, nem coisa alguma; também não existia o céu luminoso, e nem o grande dossel celeste abria-se lá em cima. O que cobria tudo? O que dava abrigo? O que estava oculto? Seria o abismo sem funda da água? Não havia morte – entretanto, nada era imortal, Não havia fronteira entre o dia e a noite; Somente o Um respirava exânime por Si Mesmo, Além Dele nada existia, Havia as trevas, e a princípio tudo estava imerso Na Escuridão profunda – um oceano sem luz – O germe que ainda está oculto na casca Germina, uma natureza, ao calor tórrido... Quem conhece o segredo? Quem o anunciou? De onde, de onde surgiu essa criação multiforme? Os próprios deuses só nasceram mais tarde – Que sabe de onde surgiu essa manifestação multiforme? De que, de onde essa grande criação surgiu, Se a sua vontade foi quem criou ou quedou-se muda, O Altíssimo Vidente que está no céu mais alto, Ele o sabe – ou talvez nem mesmo Ele saiba.
| 1 No princípio, Deus criou os céus e a terra. 2 E a terra era sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas. 3 Então Deus disse: "Haja luz"; e houve luz. 4 Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. 5 Deus chamou a luz de Dia, e as trevas de Noite. Assim, houve tarde e manhã: o primeiro dia. |
Comparando esses dois textos sagrados – Rig Veda e Bíblia Cristã – o primeiro, escrito por volta de 1.700-1.100 a.C., e o segundo por volta de 1.500-450 a.C., a mim não resta dúvida de que um proveio, ou foi inspirado no outro. Mais especificamente, que o mito da Criação que alimenta a fé cristã proveio de um mito que o cristianismo designou pejorativamente de pagão, o vedismo.
Quando aconteceram esses fatos registrados pelos mitos religiosos?
Yuval Noah Harari, professor israelense de História Mundial, nos informa, na obra de sua lavra intitulada Sapiens – Uma breve história da humanidade, que há cerca de 13,5 bilhões de anos, a matéria, a energia, o tempo e o espaço surgiram naquilo que é conhecido como Big Bang; que a história dessas características fundamentais do nosso universo é denominada física. Informa também que por volta de 300 mil anos após seu nascimento, a matéria e a energia começaram a se aglutinar em estruturas complexas, chamadas átomos, que então se combinaram em moléculas; que há cerca de 3,8 bilhões de anos certas moléculas se combinaram para formar estruturas particularmente grandes e complexas chamadas organismos. Ou seja, a vida (organismo) surgiu por volta de 3,8 bilhões de anos atrás, resultado da aglutinação de átomos e moléculas.
O interessante dessa informação é que vejo nela uma convergência da ciência (química e biologia) em direção à fé para explicar a Criação, ou vice versa, a Fé afirmando que antes “nada existia” , e que “Somente o Um respirava exânime por Si Mesmo” ... “na Escuridão profunda – um oceano sem luz – o germe que ainda está oculto na casca germina, uma natureza, ao calor tórrido...”, ou, na versão inspirada do judaísmo (Pentateuco, escrito por volta de 1.500-450 a.C.: “No princípio, Deus criou os céus e a e terra. E a terra era sem a forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas”.
Uma constatação convergente entre a ciência e a fé: houve um Princípio! Quem ou o que o criou?
Meu querido Irmão Edson, quanto conversamos sobre isso!
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