2 - CARTA ABERTA A UM IRMÃO DE ORDEM
- Antônio Tupinambá
- 5 de ago. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 20 de nov. de 2025
(Neste post, não menciono o nome do endereçado em respeito aos laços que nos unem)
Itacoatiara (AM), 21 de março de 2016
Irmão,
Por duas vezes você instiga a manifestar-me sobre os acontecimentos políticos que estão levando nosso país à bancarrota, certo?
No dia 04 de fevereiro foi postado no Facebook, sob a responsabilidade do WWW.brasil247.com: “Uma das principais lideranças do PSDB, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, pulou definitivamente fora da canoa do impeachment – a pauta única do senador Aécio Neves (PSDB-MG); "Alguém quer criticar o governo, critique o governo, alguém quer elogiar o governo, elogie o governo, mas precisamos sair dessa pauta do impeachment, que paralisa o País, o Congresso e qualquer força criadora que nós possamos ter", disse; Virgílio participou do anúncio do novo ciclo do Plano de Ações Articuladas (PAR) para as escolas da região com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que também mandou recados importantes: “a oposição não pode querer o ‘quanto pior, melhor’, nem ficar com essa atitude revanchista em relação ao passado, em relação à eleição. Acabou a eleição, o Brasil continua".
Considerei aquele pronunciamento muito importante para o momento político e, por isso, compartilhei a publicação fazendo o seguinte comentário: “Quando algum líder das fileiras oposicionistas reconhece que existe uma orquestração para parar o Brasil, inviabilizar o governo e usurpar o Poder, significa que, finalmente, podemos esperar mudanças na política e corrigir o rumo da nação através de um possível pacto entre os homens públicos com certo grau de equilíbrio emocional!”. Esse comentário recebeu de você, meu amado Irmão, o seguinte: “Ir, Tupinambá, você não acredita na lisura do relatório das pedaladas do TCU? Não consigo acreditar que você é contra a saída desta senhora incompetente, principalmente (porque) você tanto defendeu a transparência. Não entendi”.
Sem entrar no mérito da pertinência, contra-argumentei declarando o que pensava sobre a questão do impedimento da Presidente da República, nos seguintes termos: “Querido Irmão, como NAÇÃO DEMOCRÁTICA, três Poderes nos governam: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Cada um desses Poderes exerce sua competência segundo o que está estabelecido na Constituição da República. O Poder Legislativo tem como competência legislar e fiscalizar o Executivo; ao Executivo, compete administrar o País segundo as leis aprovadas pelo Legislativo; ao Judiciário compete julgar e condenar aqueles que transgridam as leis aprovadas pelo Legislativo. A ideia que você defende (a saída à força da Presidente) está no âmbito dos Poderes LEGISLATIVO (Senado) e do Judiciário (STF), ambos já perfeitamente conhecedores das denúncias sobre as tais pedaladas. Certamente ela, a Presidente, será julgada pelo Poder competente e, se condenada, poderá perder o mandato, mas tudo segundo as regras das Leis aprovadas pelo Poder Legislativo. Enquanto isso, não adianta a oposição espernear: nada vai acontecer antes de um julgamento justo, com direito a ampla defesa, conforme previsto na Constituição, senão nosso regime não seria democrático. Não posso concordar, portanto, com o que a oposição vem fazendo para que as coisas aconteçam como ela, oposição, quer: criar clima de intranquilidade e desobediência civil via crise econômico-financeira parida pelo inconformismo de uma derrota eleitoral, no caso do mineiro Aécio Neves. Daí, meus aplausos ao Arthur Virgílio Neto, reconhecido e renomado opositor à Presidente, pela coragem de dizer aquilo que ninguém vai ouvir se dita por mim”.
Isso tudo foi há pouco tempo. Agora, via Messenger, você me acusa de não querer “entrar no bate papo” a respeito desses assuntos, e que escolhi o lado errado para ficar. Diante disso, me sinto obrigado a declarar o que penso sobre tudo isso.
Primeiro, quero agradecer as gentis palavras quanto a lhe ter ensinado coisas que imagino estarem relacionados com a Sublime Ordem. Entretanto, meu amado Irmão, acho que não fui um bom Mestre, justamente porque não consegui fazer você apreender e compreender um dos ensinamentos contidos no nosso Ritual, e que orienta minha postura neste mundo profano:
“Como cidadão do mundo, advirto-vos que deveis ser exemplar no desempenho dos vossos deveres civis, nunca praticando, nem de forma alguma favorecendo, qualquer ato que possa tender a perturbar a paz e a boa ordem da sociedade, prestando a devida obediência às leis, e acima de tudo, nunca perdendo de vista a fidelidade devida à vossa Pátria, sempre vos lembrando que a natureza implantou em vosso peito uma ligação sagrada e indissolúvel para com o país do vosso nascimento e onde vos alimentastes na infância”.
Vem das nossas “Preleções” que o maçom deve agir no Esquadro e abster-se de discussões políticas ou religiosas que possam causar ressentimentos entre Irmãos e acarretar escândalos à Ordem. Lembra disso?
Você há de se contrapor dizendo que “não estamos em Loja” e, por isso, discutir nossa situação política fora dos templos é da obrigação de todos, maçons ou não. Aliás, tenho observado que nossos líderes (administradores) maçônicos estão tentando levar a Maçonaria a proceder exatamente ao contrário dos ensinamentos seculares acima reproduzidos.
Antes de continuar, permito-me esclarecer que, politicamente, não sou nem da “esquerda” nem da “direita”. Aliás as coisas são tão relativas que prefiro identificar isso como duas forças políticas: a do “Governo Atual”, envolvendo nossa Presidente e todos que lhe apoiam, e os “Contrários ao Governo Atual”, que são todos aqueles que lhe fazem oposição. Nesse terreno, mantenho-me apenas como observador – portanto não estou no lugar errado. Sabe por quê? Porque o que sustenta a política é a paixão, tanto quanto a religião é sustentada pela fé, ambas prejudiciais ao discernimento: aquela, mundana e cega, e esta, dogmática, inquestionável, opostas a um dos objetivos da Sublime Ordem que é a busca incessante da verdade.
No campo da política, mais precisamente neste momento de acusações recíprocas, a paixão, aliada a outros interesses de grupos e vaidades pessoais de alguns agentes públicos, vem municiando os antagonistas (defensores do grupo político que está no Poder, e seus opositores) de forma tal que um confronto de proporções imprevisíveis pode ocorrer a qualquer momento, em prejuízo do pleno funcionamento das instituições, obrigando as forças armadas a uma intervenção militar tal qual a de triste memória ocorrida em 1964. Manifestar-me em favor de um ou de outro grupo só servirá para acirrar os ânimos, alimentar o ódio, antecipar atos de violência e abreviar a vida do nosso jovem sistema democrático. Nesse particular, seguindo os ensinamentos acima reproduzidos, que não fui capaz de incutir na mente de tantos Irmãos a quem tive o prazer de conduzir por mais de quarenta anos pelos intrincados caminhos da Iniciação, devo agir não favorecendo qualquer ato que possa tender a perturbar a paz e a boa ordem da sociedade, prestando a devida obediência à Lei, confiando naqueles que tem como dever aplicá-la segundo as regras aprovadas pelo poder competente do nosso país.
Conforme comentei anteriormente, todos os atos ilícitos atribuídos à Presidente da República, seus auxiliares, políticos que lhe dão sustentação etc., estão sob investigação ou já estão sendo apreciação pelo Poder Judiciário para serem julgados segundo a Lei.
Fraternalmente,
ANTONIO TUPINAMBÁ

Comentários