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8 - AFINAL, DE QUEM É A CULPA? - I

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 19 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 21 de nov. de 2025

ANTONIO TUPINAMBÁ

30/10/2016

I

 

Suzi Moraes, psicóloga em trabalho de TCC, pediu minha opinião sobre a razão dos portadores de transtornos mentais sofrerem discriminação dos trabalhadores da saúde quando procuram os hospitais gerais, ou os serviços de pronto atendimento, para aliviar os sofrimentos decorrentes dos surtos psicóticos que não raro os acometem. Em trabalho de conclusão de curso de especialização, pretende ela esclarecer por que alguns profissionais da saúde apresentam resistência para lidar adequadamente com o portador de transtorno mental, deixando de considerar e conceder os direitos dessa população, garantida na Constituição Federal e disciplinada na Lei 10.216/2001. Apresentou, para isso, uma série de razões relacionadas com as atividades desenvolvidas no ambiente hospitalar, entre elas a falta de humanização dos trabalhos, desde o acolhimento. De pronto, entendi que são duas razões fundamentais: a uma, a falta de gerência do sistema de Saúde; a duas, a falta de recursos financeiros para suportar os gastos necessários, o que me remeteu a uma rápida análise do Balanço da União para saber a quanto andam tais gastos, onde estão concentrados, e o que poderia ser feito para corrigir eventuais distorções.

Do Balanço Geral da União de 2014 extraí o Demonstrativo das Despesas Autorizada por Funções de Governo, e me deparei com as seguintes informações, referentes ao final do Governo Dilma, primeiro mandato:


Ao detalhar os números relativos às DESPESAS EXECUTADAS segundo as Funções de Governo, a situação fica assim configurada:



ORÇAMENTO ANUAL DA DESPESA

FUNÇÃO DE GOVERNO

DESPESA AUTORIZADA

%

01 LEGISLATIVA

7.046.550.661,00

0,27015

02 JUDICIÁRIA

29.431.596.334,00

1,12835

03 ESSENCIAL A JUSTIÇA

5.726.865.800,00

0,21956

04 ADMINISTRAÇÃO

25.156.371.778,00

0,96445

05 DEFESA NACIONAL

42.717.431.110,00

1,63770

06 SEGURANCA PUBLICA

10.638.076.369,00

0,40784

07 RELACOES EXTERRIORES

2.393.676.181,00

0,09177

08 ASSISTENCIA SOCIAL

70.938.059.410,00

2,71963

09 PREVIDENCIA SOCIAL

495.629.715.261,00

19,00149

10 SAÚDE

100.313.538.371,00

3,84583

11 TRABALHO

73.066.244.247,00

2,80122

12 EDUCAÇÃO

102.438.345.117,00

3,92729

13 CULTURA

3.051.053.656,00

0,11697

14 DIREITOS DA CIDADANIA

1.878.807.082,00

0,07203

15 URBANISMO

7.957.700.253,00

0,30508

16 HABITAÇÃO

378.081.935,00

0,01449

17 SANEAMENTO

2.272.698.630,00

0,08713

18 GESTÃO AMBIENTAL

8.647.775.922,00

0,33154

19 CIENCIA E TECNOLOGIA

9.606.327.429,00

0,36829

20 AGRICULTURA

4.638.697.651,00

0,94460

21 ORGANIZAÇÃO AGR

5.970.422.544,00

0,22889

22 INDÚSTRIA

2.625.674.452,00

0,10066

23 COMÉRCIO E SERVIÇOS

5.942.586.185,00

0,22783

24 COMUNICAÇÕES

1.810.857.840,00

0,06942

25 ENERGIA

2.199.056.241,00

0,08431

26 TRANSPORTE

26.002.266.387,00

0,99688

27 DESPORTO E LAZER

3.299.212.236,00

0,12649

28 ENCARGOS ESPECIAIS

1.505.981.078.995,00

57,73643

99 RESERVA - CONTINGÊNCIA

30.613.635.499,00

1,17367

TOTAL

2.608.372.403.576,00

100,00000

 

EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO ANUAL DA DESPESA

FUNÇÕES

AUTORIZADA

EXECUTADA

%

SAÚDE

100.313.538.371,00

94.065.346.000,55

4,0750

ENCARGOS ESPECIAIS

1.505.981.078.995,00

1.288.620.911.435,15

55,8246

OUTRAS FUNÇÕES

1.002.077.786.210,00

925.649.233.704,36

40,1002

TOTAIS

2.608.372.403.576,00

2.308.335.491.140,06

100,000

 

 

DISCRIMINAÇÃO DOS ENCARGOS ESPECIAIS (DÍVIDA+ JUROS)

SUBFUNÇÕES

AUTORIZADA

EXECUTADA

%

-Pagamento da Dívida Int.

734.727.837.478,00

611.986.859.539,29

26,5120

-Pagamento da Dívida Ext.

8.879.943.804,00

2.867.206.092,71

0,1242

-Juros da Dívida Interna

344.348.126.364,00

290.380.928.216,24

12,5796

-|Juros da Dívida Externa

13.879.266.801,00

9.280.952.887,73

0,4020

-Demais Encargos

404.145.904.548,00

374.104.964.699,18

16,2067

TOTAIS

1.505.981.078.995,00

1.288.620.911.435,15

55,8246


Para mim, as tabelas acima são autoexplicativas. Tenho que reconhecer que para muitos esses números não querem dizer nada, o que me obriga a desenhar.

 

No ano de 2014 o Governo Dilma foi autorizado a gastar 100,3 bilhões de reais em Saúde, correspondente a 3,84% do total, enquanto os Encargos Especiais – entre eles a Dívida Fundada e Serviços da Dívida (Juros) – poderiam consumir 1,5 trilhões de reais, correspondente a 57,73%. Entretanto os GASTOS REALIZADOS foram um pouco diferentes do autorizado: a Saúde consumiu 4,07% do total dos gastos enquanto os Encargos Especiais levaram 55,82% do bolo.

Tudo isso quer dizer que a Saúde, tanto quanto a Educação, e outras Funções de Governo, poderiam ser de qualidade elogiável, se os recursos financeiros fossem mais bem distribuídos. Tecnicamente, só não o são porque existe a Dívida Pública e os Juros correspondentes impactando absurdamente a Despesa Pública. No caso, essas duas Subfunções (Principal e Juros) consumiram 914,5 bilhões de reais, correspondente a 39,61% do total das Despesas da União.

Ficam as perguntas: por que é assim? Isso é normal? Quem fez essas dívidas? Onde foram parar os recursos que resultaram nessa conta que todos nós temos que pagar? Temos mesmo que pagar?

 

***

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