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3 - BIANCA

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 18 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 21 de nov. de 2025

ANTONIO TUPINAMBÁ

AAML, Cad. 40

25/10/2020.

 

 

O título desta postagem vem de um Projeto de autoria da Psicóloga Suzi Moraes dos Santos, em parceria com alguns usuários do CAPS de Itacoatiara, o Centro de Atenção Psicossocial que cuida das pessoas acometidas de transtornos mentais, em substituição ao sistema manicomial banido do Brasil. Nesse projeto, os autores pretendem “extinguir o preconceito que permeia o cuidado com a saúde mental, uma das maiores causas do agravamento da doença” daqueles “que sofrem em silêncio”. Nesse sentido, o CAPS promoveu, entre os dias 08 e 10 de outubro corrente, na Praça ao lado do Restaurante Panorama, aqui em Itacoatiara, uma mostra da produção artísticas dos seus usuários, sob a alegação de “geração de renda e inserção social...”

O evento chamou a atenção de Revista Cenarium, que publicou uma tela pintada pela jovem Bianca dos Anjos, onde expressa de forma surrealista os seus sentimentos, como “refúgio de forma de tratamento”.

Com a intenção de dar visibilidade a esse Projeto, que reputo de grande interesse social, transcrevo a seguir um texto produzido por ela, Bianca:

 

“Eu queria funcionar, sabe? como

Alguém normal.

 

Queria meus dias tristes por um

Motivo específico, porque alguém

Partiu meu coração ou pelo meu

Animalzinho de estimação que

Morreu.

 

Queria acordar um pouco

Estressada mas pelo dia anterior

Quando o meu chefe gritou

Comigo ou por ter tirado uma

Nota baixa na escola.

 

Queria eu não ser tão narcisista,

Egocêntrica e não ser tão cheia

De orgulho como sou, só o

Suficiente, como alguém

Normalmente é.

 

Queria não enjoar de tudo e

Trocar as coisas e pessoas de

Lugar tão rápido quanto mudo

Meus sentimentos e pisco meus

Olhos.

 

Queria não sentir demais, não

Sentir rápido demais e que

Passasse tão rápido quanto

Começou, sinto vontade de me

Apaixonar em 1 mês enquanto

Conheço alguém e não em 2 dias

De Conversa e agir como se

Tivesse encontrado o amor da

Minha vida por simplesmente

Preencher o vazio que não é

Sobre isso.

 

Aliás, sobre o que seria? Ainda

Não sei.

 

Queria também não precisar de

Alguém para responder meus

Questionamentos e arrumar a

Minha cabeça que no momento

Está uma bagunça como o meu

Quarto a uns dias atrás.

 

Mas eu preciso, eu sinto demais,

Sou mais melancólica que parte

Da população, aquele 4,4% que

Não funciona como o resto.

Aquela pequena porcentagem

De seres humanos que dia após

Dia lutam com a sua própria

Cabeça para se manterem vivos.

 

Aparentemente funciono como

Alguém normal, já ouvi isso

Diversas vezes, estou quase lá,

Quase consigo fingir com

Maestria e perfeição que nada

Disso faz sentido e eu não vejo a

Hora de que eu possa mais

Existir.

 

O desejo de sentir como os

Outros é quase do tamanho da

Imensurável angústia que eu

Carrego por saber que eu não

Sou e não posso ser como a

Maioria.

 

Também queria estar

Escrevendo algo como alguém

Escreveria, sem tanto peso, mas

Estou escrevendo como a

Minoria que vive apenas para não

Morrer e age como se tivesse

Tudo bem fazer isso.

 

..........................

 

O texto não tem um título, nem um “fim”.  Essa parte é sua, que leu até aqui. Da minha parte, ouvi um grito de socorro de um suicida, e “a caravana passando” ao largo, sem alguém para lhe estender a mão.

 

1 comentário


Suzi Moraes dos Santos
31 de jul. de 2025

A saúde mental é um assunto ainda muito estigmatizado, permeado de preconceitos, e muitas vezes não é tratado com a mesma seriedade que a saúde física. O próprio doente pode demorar a buscar ajuda por medo de ser julgado e não acolhido devidamente.

Por outro lado, não existe um trabalho efetivo dos órgãos governamentais para promover a conscientização e a educação sobre a saúde mental. O que há, de fato, são Campanhas pontuais que tratam do assunto por um período limitado. Embora muitas pessoas públicas, acometidas do adoecimento mental, já falem em suas redes sociais, abertamente, sobre seus problemas e recursos utilizados para tratamento, no intuito de ajudar a promover a conscientização e a importância de buscar ajuda antes que…

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