6 - AS MAIS ANTIGAS RELIGIÕES
- Antônio Tupinambá
- 4 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 26 de nov. de 2025
Antonio Tupinambá
AAML, Cad 40
07/04/2012
Conceitualmente, religião é a crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada(s) como criadora(s) do Universo, e que como tal deve(m) ser adorada(s) e obedecida(s). É a manifestação de tal crença por meio de doutrina e ritual próprios, que envolvem, em geral, preceitos éticos ([1]). É o elo entre o homem e o seu criador.
A arqueologia registra que nos períodos do Paleolítico e do Neolítico houve a primeira manifestação humana de uma religião a qual baseou-se no culto à mulher, ao feminino e a associação desta à Natureza, ao poder de dar a vida ([2]).
Entretanto a mais antiga evidência de uma religião pré-histórica vem da Índia, e data do fim do Neolítico, no período harapano inicial, a 5500-2600 a.C. O hinduísmo moderno cresceu a partir dos Vedas, dos quais o mais antigo é o Rig Veda, que data de 1700-1100 a.C. O seu conceito de Deus é complexo, e está vinculado a cada uma das suas tradições e filosofias. Por vezes é tido como uma religião que envolve a devoção a um único deus, embora aceite a existência de outros. A maior parte dos hindus acredita que o espírito ou a alma, o "eu" verdadeiro de cada pessoa, é eterno ([3]).
O hinduísmo é uma tradição religiosa que se originou no subcontinente indiano. Num sentido mais abrangente, o hinduísmo engloba o bramanismo, a crença na "Alma Universal", Brâman; num sentido mais específico, o termo se refere ao mundo cultural e religioso, ordenado por castas, da Índia pós-budista. De acordo com o livro História das Grandes religiões "o hinduismo é um estado de espírito, uma atitude mental dentro de seu quadro peculiar, socialmente dividido, teologicamente sem crença, desprovido de veneração em conjunto e de formalidades eclesiásticas ou de congregação: e ainda substitui o nacionalismo". Entre as suas raízes está a religião védica da Idade do Ferro na Índia e, como tal, o hinduísmo é citado frequentemente como a "religião mais antiga", a "mais antiga tradição viva" ou a "mais antiga das principais tradições existentes". É formado por diferentes tradições e composto por diversos tipos, e não possui um fundador. Estes tipos, sub-tradições e denominações, quando somadas, fazem do hinduísmo a terceira maior religião, depois do cristianismo e do islamismo, com aproximadamente um bilhão de fiéis. O Bagavadguitá, narrado pelo deus Críxena (Krishna), costuma ser definido como um sumário dos ensinamentos espirituais dos Vedas ([4]). Neste trabalho, alguns dos ensinamentos de Krishna, e do Deus de outras religiões, estarão em comparação com a doutrina cristã, de maneira a mostrar convergências e divergências entre elas. O objetivo é mostrar que a antiguidade de uma inspirou, ou fundamentou a organização da mais recente.
Krishna é a suprema personalidade do Deus ([5]) na religião védica, reconhecido por todos os grandes mestres espirituais. Dele, Arjuna diz ser infalível ([6]). Seus ensinamentos aplicam-se aos nossos dias, por serem prenhes de conteúdo espiritual, ético e transcendental.
“Como a alma corporificada passa continuamente, neste corpo, da infância à juventude e à velhice, da mesma forma a alma passa a um outro corpo depois da morte”([7]).
“Para a alma nunca há nascimento nem morte. Nem, uma vez que exista, ela vai deixar de existir. Ela é não nascida, eterna, sempre existente, imortal e primordial. Ela não morre quando o corpo morre” ([8]).
“Todos os seres criados são imanifestos em seu começo, manifestos em seu estado intermediário, e novamente imanifestos quando são aniquilados ([9]).
Arjuna argumenta com Krishna que quando a irreligião predomina na família as mulheres se corrompem, e da degradação das mulheres vem progênie não desejada. “Em tais famílias corruptas, não há oferecimento de oblações de alimento e água para os ancestrais” ([10]).
De igual forma o Deus do judaísmo se revela a Moisés dizendo: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés escondeu o rosto porque temeu olhar para Deus”. “Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos olhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” ([11]). Semelhanças? São muitas.
Sobre as religiões com raízes na pré-história, Santo Agostinho (354-430) escreveu: “Aquilo que hoje é chamado de religião cristã já existia entre os antigos e nunca cessou de existir desde as origens do gênero humano, até o tempo em que o próprio Cristo veio e os homens começaram a chamar de cristã a verdadeira religião que já existia anteriormente.” (De Vera Religione: X, 19) ([12]). Esse é o elo perdido que liga o Deus de todas as crenças numa única divindade, que a Maçonaria sabiamente denomina Grande Arquiteto do Universo.
É confortante saber que um dos mais ilustres doutores da fé critã tinha consciência de que a religião por ele professada era, nada mais nada menos, a mesma religião considerada pejorativamente pela Igreja Católica, e mais tarde pelas religiões protestantes, como pagã.
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[1] Dicionário Aurélio
[2] Wikipédia – A Enciclopédia Livre - http://pt.wikipedia.org
[3] Wikipédia – A Enciclopédia Livre - http://pt.wikipedia.org
[4] Wikipédia – A Enciclopédia Livre - http://pt.wikipedia.org
[5] O Bhagavad-Gita Como ele É – A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada
[6] Bhagavad-Gita - Observando os Exércitos o Campo de Batalha de Kuruksetra, Texto 21-22.
[7] Bhagavad-Gita – Resumo do Conteúdo do Gita, Texto 13.
[8] Bhagavad-Gita – Resumo do Conteúdo do Gita, Texto 20.
[9] Bhagavad-Gita – Resumo do Conteúdo do Gita, Texto 28.
[10] Bhagavad-Gita - Observando os Exércitos o Campo de Batalha de Kuruksetra, Texto 40.
[11] Êxodo, 3:6;13 e 14
[12] Wikipédia – A Enciclopédia Livre - http://pt.wikipedia.org

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