A TEOSOFIA E A DOUTRINA SECRETA.
- Eloy Guillermo Castellón Bermúdez
- há 5 dias
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Eloy Guillermo Castellón Bermúdez-Compilador
Academia Amazonense Maçônica de Letras-AAML
Os teosofistas antigos definiam a Teosofia como “Sabedoria Divina” ou “Sabedoria nas coisas divinas”, entendida como um conhecimento espiritual direto e experiencial, não apenas intelectual. Essa definição foi elaborada pelos filósofos neoplatônicos Amônio Sacas e Plotino e retomada por Jacob Boheme e Emanuel Swedenborg.
Pitágoras e Platão já se referiam a uma “sabedoria que unia filosofia e espiritualidade, buscando harmonia entre o humano e o divino”. Amônio Sacas, Plotino, Jâmblico e Proclos, usaram o termo “Theosofia”, para “designar a sabedoria divina”, entendida como acesso direto ao conhecimento espiritual, por meio de contemplação e da experiência mística, não apenas a razão (Universidade Lusófona, Teosofia).
Entre os místicos cristãos e ocultistas, o Mestre alemão, Eckhart, filósofo e teólogo místico, no século IV, interpretou a teosofia como experiência interior da divindade, defendendo, que o ser humano pode unir-se a Deus, pela contemplação. Já Jacob Boheme, filósofo alemão e místico luterano, no século XVII, via a teosofia, como a essência divina, acessível ao homem, através da iluminação espiritual, finalmente, Emanuel Swedenborg, espiritualista, filósofo e místico sueco, descreveu a teosofia como “conhecimento espiritual que revela a ordem divina do universo e a vida após a morte. (www.sociedadeteosoficadeportugal.pt).
A teosofia também se fundamentou no Esoterismo ocidental, com Louis Claude de Saint-Martin, (maçom, filósofo, místico francês e mentor do Martinismo); e na Cabala Judaica, que acredita que o conhecimento escondido ou sabedoria do passado antigo, oferece um caminho para a iluminação e a salvação (Wikipedia, Teosofia).
A partir do final do século XIX, em 1875, o termo Teosofia foi usado para se referir as doutrinas religioso-filosóficas da Sociedade Teosófica, fundada por Helena Blavatsky, William Judge e Henry Steel Olcott, em nova York; uma das obras que alicerçaram a teosofia moderna foi escrita por Helena Blavatski: “A Doutrina Secreta”, em 1888 (Wikipedia, Teosofia).
A OBRA: SÍNTESIS E INFLUÊNCIAS
O título original da obra escrita por Blavisky foi: “A Doutrina Secreta, Síntese da Ciência, Religião e Filosofia” (The Secret Doctrine, The Synthesis of Science, Religion and Philosophy”), conhecida atualmente como “A Doutrina Secreta”. A “Doutria Secreta”, foi escrita inicialmente em dois volumes: o Volume I, é dedicado à Cosmogênese, enquanto o Volume II, é dedicado a antropogênese; um terceiro Volume, uma coletânea de vários artigos publicados por Blavatsky, foi editado pela Sociedade Teosófica, após o seu falecimento. Outros textos foram usados como referências, como os livros Mosaicos (textos sagrados hindus); princípios do neoplatonismo, a Cabala Judaica e textos da Mitologia grega.
Blavastsky argumentou que a obra não foi escrita por ela e sim pelos Mahatmas (Título honorífico Sânscrito, que significa “grande alma” ou “grande espírito”), a exemplo de Djwal Khull (e que fora baseada nos Pergaminhos “As Estâncias de Dzvam” (Dzian), um manuscrito arcaico, do budismo esotérico, que conteriam todos os registros da evolução da humanidade; Mestres da sabedoria a Tradição Teosófica, Kut Humi (cosiderado um Mahatma ou Mestre Ascesioado), e Morya (Mestre Ascenso da Frateridade Braca),
A Cosmogênese, descreve a origem do Cosmos, e de tudo que nele existe, a partir do “Uno”. Segundo Blavatsky, este princípio “Uno” não é Deus criador das religiões monoteístas, pois sendo absoluto e não Manifestado não pode criar (Blasvatsky considera que o absoluto não pode ser descrito ou compreendido pela mente humana); o Deus criador, de acordo com Blavatsky, é um coletivo de seres intra-cósmicos ou inteligências cósmicas, emanados do princípio do Uno, que trabalhou sobre a matéria ordenando-a, mas não são o Absoluto em si (Wikipédia, A Doutrina Secreta).
A Cosmogênese é descrita iniciando com um Princípio da Deidade Uno ou o Absoluto, a este princípio é chamado de Brahaman, que é a base incognoscível de toda existência. O Brahman diferencia-se em duas Forças opostas masculino - feminino, que é chamado de Bramâ, princípio cósmico que se manifesta nas polaridades “masculino” e “feminino”; o “masculino” representa o aspecto ativo, criador, emanador e o feminino, o aspecto receptivo, gerador e nutridor, juntos formam a unidade dinâmica da manifestação Universal.
A Cosmogênese está considerada por Blavatsky como uma “Fertilização Imaculada” da natureza primordial pelo Espírito Universal. Descreve simbolicamente, por meio de um ponto inscrito no meio de um círculo (segundo ela, seria representando a década pitagórica, o ponto representando o número “1” e o círculo o “O”) afirmado que o “O, Uno é o círculo não interrompido a sem circunferência, porque não está em parte alguma e está em toda parte; o Uno é o plano sem limites do círculo, que manifesta um diâmetro somente durante os períodos mavatáricos ou manuatáricos (significa a duração de Manu ou a vida de Manu: Hinduísmo e Teosofia); o Uno é o ponto indivisível que não está situado em parte alguma, e percebido em toda parte durante aqueles períodos”. O círculo representa o absoluto, o todo, a eternidade sem limites. É a matriz universal, o espaço infinito e indiferenciado. O ponto no círculo é a primeira manifestação da consciência cósmica, simboliza o Logos, o Verbo, o princípio ordenador. É o germe da criação, surgido do seio do Absoluto. A Fertilização Imaculada é uma metáfora para a geração espontânea da vida cósmica (H. Blavatsky, 1969).
No segundo volume da “Doutrina Secreta” a “Antropogênese” se descreve a “Origem, e evolução da Humanidade”: as diversas Raças humanas que já evoluíram, chamadas de Raças Raiz. Na obra se menciona que evoluem no globo terrestre, sete grupos de humanos em sete diferentes regiões.
A tese da Antropogênese publicada na obra, vai de encontro à “Evolução Darwinista”; H. Blavitsky não nega o mecanismo de evolução, mas não aceita a evolução darwinista porque considera que ela é limitada ao plano material e mecânico, ignorando os aspectos espirituais ocultos da evolução humana cósmica. Considerou que Darwin explicou apenas a adaptação física das espécies, mas não a origem da consciência humana, da alma e da espiritualidade, centrais na visão teosófica. Para Blavitsky, a criação homem deu-se por meio de esforço conscientes de seres divinos, que ela chamou de Dhyan-Chohans (Hierarquias de seres divinos que atuam como arquitetos e constroem o universo), que são a origem da mônada que habita todo ser humano (Wikipédia, A Doutrina Secreta).
O livro menciona que, a criação e evolução do homem na antropogênese é semelhante há como aconteceu na cosmogênese, assim o homem é hermafrodita em seus primeiros estágios (como o Bramâ masculino-feminino na Cosmogênese), até que se diferencia entre macho e fêmea na terceira Raça Raiz Lemuriana e início da quarta Raça Raiz, chamada de Atlante.
Blavatsky argumentou que a criação do homem é dual: primeiro foram feitos seus princípios inferiores (pelos Elohim inferiores) e depois receberam o “sopro de vida”, sua alma imortal e sua consciência.
Em princípio, os Pitris lunares (No misticismo e na teosofia, os Pitris lunares ou também chamados de Barhishads, são entidades espirituais que desempenham um papel na criação da humanidade; considerados como progenitores astrais e ancestrais da humanidade), criaram o homem a partir do seu próprio corpo astral (que serviu como molde). Depois, seres divinos, espirituais elevados ou entidades cósmicas, chamados Kumaras, descritos como “Filhos da Mente” ou “Filhos de Brahma”, que representam uma hierarquia de inteligência divina, responsáveis por transmitir a centelha espiritual à humanidade ou a Alma imortal do homem. Ficaram condenados a ficar presos na matéria, como Prometeu, acorrentado no Cáucaso (www.Filosofia Esotérica. com. A Doutrina Secreta; Wikipédia, A Doutrina Secreta).
RAÇAS RAIZ ESOTÉRICAS
Das sete Raças propostas no livro, apresentamos cinco, outras duas ainda estão por acontecer num futuro. Segundo a autora, H. Blavatsky, as primeiras Raças tinham um corpo sutil, etéreo, imenso e sem forma definida. Os primeiros homens passaram por estágios evolutivos espirituais e físicos, em ciclos de desenvolvimento da consciência e da forma, começando com seres etéreos e terminando na forma humana física e autoconsciente. Eis aqui as cinco primeiras Raças apresentadas:
“Nascidos por Si Mesmos” (porque não havia necessidade de sexos ou de processos biológicos), também foram chamados de “Raça Polar” (porque teriam surgido em uma terra primordial, associada ao polo norte), ou “Sem Mente”; esta primeira Raça teria surgido perto de 300 milhões de anos e viveu num continente chamado “A Ilha Sagrada e Imperecível” (Foi o primeiro continente mítico da humanidade, associado ao Polo norte; Imperecível, porque não desapareceu em cataclismos como a Lamúria e a Atlantida). Os homens desta Raça eram imensos e não possuíam corpos físicos (eram etéreos), e sem mente. A reprodução era assexuada por fissão binária ou cissiparidade, como nas amebas.
“Nascidos do Suor”, receberam este nome, porque seus corpos surgiram de uma forma peculiar de geração espontânea: exsudação ou secreção energética da própria substância dos seres da 1ª Raça. Viveram num continente chamado “Hiperbórea”, situado no extremo norte do planeta, na região do polo Ártico; descrita como uma terra iluminada, pelo sol sempre visível, sem noite; o que remete ao mito grego dos “hiperbóreos” - povo que vivia além do vento norte (Bóreas). A lenda grega descrevia os hiperbóreos como um povo mítico, adoradores de Apolo, que desfrutavam do sol perpétuo, paz, longevidade, sem doenças ou guerras, sendo uma terra de imensa felicidade e ouro, associada ao arquétipo de Jardim dos deuses. (Britannica, Hiperbórea; Wikipedia, A Doutrina Secreta). Esta Raça tinha rudimentos de mente, no tendo a conexão entre espírito e matéria, para a mentalidade. Esta Raça se converteu na Raça seguinte, “Os nascidos dos Ovos”. As duas primeira Raças são chamadas de raças semidivinas.
“Nascidos do Ovo” ou Lemuriana”, viveram em um continente chamado “Lemúria”; era uma Raça hermafrodita e se reproduziam por meio de ovos, que iam se desprendendo do corpo (reprodução ovípara, simbólico e espiritual, antes de evoluir para a reprodução sexuada, propriamente dita). Ao final de seu período evolutivo, o homem se tornou mortal, consolidando sua forma física e com reprodução sexuada (Segundo a autora, esta Raça desapareceu, convertendo-se na Raça Atlante) (Wikipedia, A Doutrina Secreta)
“Raça Atlante”, o nome Atlante vem da tradição grega ligada ao deus Atlas, que sustentava o céu. Platão descrevia Atlântida como uma grande Ilha, além das Colunas de Hercules (atual Estreito de Gibraltar). Blavatsky interpretou esse mito como parte da evolução espiritual da humanidade: a 4a Raça Raiz, como chamada Atlante.
A Raça “Ariana”, segundo Blavatsky, esta é a atual Raça Raiz que existe, de aproximadamente, 1 milhão de anos. Após a destruição da Atlântida, grupos de sobreviventes migraram para diferentes regiões; destes sobreviventes formaram-se núcleos da 5ª Raça Raiz, chamada “Ariana”. Blavatsky associou a origem da Raça Ariana, na Ásia central, na região mítica da cidade de Shamballa, situada no deserto de Gobi. Considerada o “Centro Espiritual da Terra”; centro oculto e invisível aos olhos comuns, mas existente nos planos sutis. De Shamballa, irradiaram-se ondas migratórias, que formaram sub-raças arianas: Hindus, Persas, Egípcios e Semitas, Gregos e Romanos, Europeus Modernos (H. Blavitsky, A Doutrina Secreta-Vol II, Atropogênese).
O CONCEITO DE MÔNADA NA TEOSOFIA
Este conceito de mônada é primordial para entender a evolução espiritual da humanidade, de acordo com a Teosofia. Vem do grego Monas que significa “unidade” ou “indivisível”; H. Blavatsky adaptou o conceito para a Teosofia, dando-lhe um significado espiritual.
A Mônada é a Centelha Divina de cada indivíduo, é eterna e imortal e inseparável, representa o “Eu” superior. As mônadas “emanam” do Absoluto, o “Uno”, e descem aos planos da matéria, para adquirir experiência, num processo chamado “Peregrinação da Mônada”. A mônada, é a centelha divina que anima a vida a cada ser, percorre um ciclo de encarnações e retorna ao Absoluto, com consciência plena (Ecyclopedia.com, Mônada).
RAÇAS HUMANAS MENOS FAVORECIDAS
Segundo Blavatsky, a humanidade está dividida entre “homens informa dos de Deus” e criaturas humanas inferiores, porque do seu ponto de vista e a visão teosófica, parte da humanidade tinha recebido plenamente a centelha divina espiritual dos Kumaras. Essa divisão não era biológica e sim espiritual: os arianos seriam portadores de mente racional e consciência superior, enquanto outros povos, ainda estariam vivendo “estágios mais instintivos”; deu como exemplo os habitantes das Ilhas do Mar do Sul (Polinésia, Melanésia e Micronésia). Esses povos eram vistos como remanescentes de estágios inferiores da evolução humana, ainda não integrados a evolução ariana. (www.Filosofia.com, A Doutrina Secreta).
Igual distinção realizou entre arianos e os bosquímanos (povos caçadores-coletores do sul da África); os vedas do Ceilan (grupo tribal de Sri Lanka, que viviam em condições simples, próximos a natureza) e certas tribos africanas (referência genérica a África subsaariana, considerados como menos desenvolvidos). Há de se ter em conta, que no século XIX, era comum classificar povos em hierarquias raciais e espirituais (Blavitsky, Vol. 1, 1969; www. Filosofia Esotérica.com, Doutrina Secreta).
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REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Blavatsky, H. A Doutrina Secreta. Síntese de Ciência, Filosofia e Religião. V1. Cosmogênese. Ed. Pensamento, R.J., 1969, 568 p.
Blavatsky, H. A Doutrina Secreta. Síntese de Ciência, Filosofia e Religião. V2. Antropogênese. Ed. Pensamento, R.J., 1969, p.
Britannica. Hiperbóreo, britannica.com/topics/Hiperbóreo
Encyclopedia.com. Mônada. Encyclopedia.com/philosophy-and-religion/philosophy-terms-ad-concepts/monad#:~:text=maio%20de20(2018)...
Universidade Lucifona. Teosofia Antiga e Moderna. https://research.ilusifonica.pt/publications 7-teosofia-antiga-e-moderna/
Wikipédia. Teosofia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Teosofia
Wikipédia.Esoterismo. https://pt.wikipedia.org/wiki/Esoterismo
Wikipedia. Doutrina Secreta -V. 1- Cosmogênese. https://pt.wikipedia.org/wiki/Doutia Secreta -V. 1-Cosmogênese.
Wikipedia. Doutrina Secreta -V. 2- Atropogênese.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Doutia Secreta -V. 2-Atropogênese.
www.Filosofia Esotérica.com. Doutrina Secreta. https://www.filosofiasecreta.com/a-doutrina-secreta/.
Wikipédia. Pitris lunares. pt.wikipedia.org/wiki/Pitris_lunares.

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