A PATRISTICA E ESCOLÁSTICA NO PALEOCRISTIANÍSMO ATÉ A IDADE MÉDIA
- Eloy Guillermo Castellón Bermúdez
- 14 de fev.
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Eloy Guillermo Castellón Bermúdez-Compilador
Academia Amazonense Maçônica de Letras-AAML
Entre os séculos I e II, após a morte de Jesus Cristo, surgiram várias seitas religiosas, entre elas o gnosticismo, que não era tão somente cristã ou hebraica, mais uma combinação de várias crenças. O gnosticismo misturou elementos do cristianismo com filosofias e tradições mais antigas; algumas tradições como nos ebionitas (Seita Cristã judaico ascética que se caracterizou por seguir rigorosamente a lei Judaica, enquanto reconheciam Jesus como Messias ou profeta humano, não divino. Ascética: Doutrina de pensamento ou de fé que considera a acesse (colocar, entrar), isto é, a disciplina e o autoconhecimento estritos, do corpo e do espírito, um caminho imprescindível à direção à Deus, à verdade, ou à virtude. Dicionário Oxford Languages).
Os ebionitas eram mais voltadas as tradições judaicas e viam Jesus como um profeta; uma outra seita foram os marcianitas, que eram apoiadores de Marcião de Sinope; apresentaram-se os primeiros escritos dos primeiros apologistas (Termo, grego que significa defesa ou justificativa; denotando aquele que escreve ou fala em defesa apaixonada e argumentativa de alguém, uma ideia, doutrina, comportamento ou crença, como a religião) (Apologeta- Dicio.Dicionário online de portugues).
Marcião, propôs uma forma radical de cristianismo, rejeitando totalmente o Deus do antigo testamento e a herança judaica, se focando nos ensinamentos de Cristo. Em geral, havia várias seitas, com tendências cristãs ou judaicas, e nesse caldeirão de ideias, tinha várias tendências.
Após a morte e ressurreição de Jesus Cristo, seus discípulos começaram a difundir a mensagem cristã, de forma oral e na língua aramaica, mudando posteriormente para a língua grega; isto antes de serem escritos os evangelhos, período este denominado como Cristianismo Primitivo ou Paleocristianismo, entre os séculos I a III d.C. e subdividido em:
1. A era Apostólica, no século I, liderada pelos apóstolos, especialmente por Pedro e Paulo.
2. Período Anteniceno, no século II a III, (anterior ao Concilio de Niceia, em 325 d.C.), no qual se estabeleceram as comunidades cristãs, se expandindo pelo Império Romano, embora sofrendo perseguições.
Os temas centrais eram:
Em defesa da Fé e contra as críticas pagãs. A organização das comunidades cristãs.
As discussões sobre a natureza de Cristo e da Igreja.
A PATRÍSTICA
Foi a primeira fase da filosofia cristã medieval, abrangendo o período entre os séculos I e VIII d.C. Surgiu com os pais da Igreja, em especial com Santo Agostinho, ainda no período em que o cristianismo estava se consolidando dentro do Império Romano. Seu objetivo foi sistematizar dogmas e defender a fé e a razão.
O Cristianismo foi influenciado pelo Platonismo e pelo Neoplatonismo. A influência do platonismo, se deu através de vários aspectos:
1. Pelo chamado Dualismo Ontológico (Concepção filosófica que sustenta que a realidade é composta por dois tipos de substâncias ou princípios distintos, independentes e irredutíveis entre si), o mundo sensível e o mundo inteligível. Platão distinguia entre o mundo sensível (ou imperfeito) e o mundo inteligível ou ideias (ou perfeito); inspirando os pensadores cristãos a raciocinar que o mundo material é transitório e que a verdadeira realidade está em Deus.
2. A Imortalidade da Alma, Platão defendia que a alma era imortal e superior ao corpo; ideia que foi incorporada pela teologia cristã, através de Santo Agostinho.
3. A Luz interior. Platão via o conhecimento verdadeiro como uma recordação da alma; Santo Agostinho interpretou este fato como a iluminação divina: ‘Deus ilumina a mente humana para alcançar a verdade” (Pinheiro, 2025).
Por outro lado, o Neoplatonismo foi interpretado no cristianismo em vários aspectos:
1. O Neoplatonismo no século III via a realidade como uma emanação do Uno.
2. O Neoplatonismo estruturava a realidade em níveis hierárquicos - O Uno- O Intelecto - a Alma - o Mundo.
3. A união com o Uno, por meio da Contemplação, inspirou as práticas místicas cristãs. (Wikipédia, Neoplatonismo; Clube Glória, 2023; Conservando Valor, 2023).
Em conclusão, o Platonismo deu ao cristianismo, a base filosófica para pensar a alma e a transcendência (Refere se ao ato de superar os limites convencionais, indo além do plano material, físico ou da compreensão ordinária), explicar os conceitos de fé, como a Trindade, a natureza de Jesus e a imortalidade da Alma. A fé e a razão eram o foco principal; a fé (credo ut intelligam- Creio para compreender) usando a razão como ferramenta para entender a Revelação Divina (Colégio Práxis, A Patrística de Santo Agostinho).
ESCOLÁSTICA
Corrente filosófica e teológica, dominante na Idade média (Séculos IX a XVI), que procurava conciliar a fé cristã com a razão, se apoiando na filosofia aristotélica. A Escolástica ou Escolasticismo, é um método ocidental de pensamento crítico e de aprendizagem, com origem em escolas monásticas cristãs, que concilia a fé cristã com um sistema de pensamento racional (Racionalismo é uma posição epistemológica filosófica do conhecimento científico; estudo crítico dos princípios,hipóteses e resultados das diversas ciências, para determinar seus fundamentos, seu valor, e sua importância objetiva (Wikipédia, Escolástica; Wikipédia Racionalismo; Wikipédia, Epistemologia).
A Escolástica se apoiava na filosofia grega, especialmente de Platão e Aristóteles, para pensar a relação entre razão e revelação divina, se utilizando de argumentos diferentes (A Revelação Divina, é o conceito teológico que define a auto comunicação de Deus aos seres humanos, tornando conhecida a sua vontade, mistérios e planos de salvação que, de outra forma, seriam desconhecidos:
De acordo com Platão
1. A realidade verdadeira está no mundo inteligível (ou perfeito), acessível apenas pela Alma. A revelação seria entendida como uma iluminação que permite contemplar essas verdades eternas.
2. Platão considera a necessidade de recorrer a princípios superiores (como o bem), quando a razão humana não basta. Portanto, a revelação é uma forma de acesso a verdades que transcendem a experiência sensível.
3. A ideia de um Deus Transcendente, foi facilmente assimilada pela tradição cristã, que via na revelação divina, uma comunicação direta com o mundo superior ao humano (Portal de Periódicos Eletrônicos UNICAMP, Sobre a Interpretação Agostiniana de G. Reale, em torno da Deutoro Plous em Platão e...)
A concepção de Aristóteles:
1. Concebia Deus como causa final do universo, ser perfeito que move sem ser movido e atrai todas as coisas pela perfeição.
2. O acesso ao divino se dá pela contemplação racional e filosófica. Não há espaço para uma comunicação direta, e sim para uma elevação intelectual.
3. Essa forma de pensamento foi menos compatível com a tradição judaico cristã que pressupõe um Deus criador e revelador. Desta forma a Filosofia Aristotélica foi reinterpretada por pensadores medievais como Averrois, Avicena, Santo Tomas, Teofrasto e outros (Periódicos UFS, A Divindade na Filosofia Aristotélica+Platônica+Neoplatônica...).
Se conclui sobre a importância da Escolástica: Organizou e estruturou o pensamento teológico; criou escolas e universidades ligadas à igreja, ampliando a educação e formação de sacerdotes e pensadores.
O método de ensino escolástico, baseado na lógica e análise racional, influenciou a forma acadêmica de pensar até a atualidade.
A escolástica consolidou o cristianismo como uma tradição intelectual robusta; demostrou que a fé não precisa ser irracional: pode ser sustentada e enriquecida pela razão (Casa do Saber, A Escolástica, o que é, método, pensadores e contexto).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Clube Glória. Neoplatonismo: Influência e impactos na Religião. https://clubegloria.com.br/neoplatonismo-influências-e-impactos-na-religião/
Colégio Praxis. A Patrística de Santo Agostinho. colegiopraxisflanboyant.com.br/documentos/capitulo7.pdf.
Conservando Valor. Neoplatonismo Cristão e a Teoria da Emanação do Uno em Plotino-Tête-a-Tête.conservandovalor.com/2025/05/03/neoplatonismo-cristão-e-a-teoria-da-emana ção-do-uno-em-Plotino/
Delgado, P. A Escolástica: o que é, método, pensadores e. https://casadosaber.com.br/blog/escolastica-0-que-é-metodo-pensadores-e-contexto-historico.
Pinheiro, C. Escolástica, Patrística e Outros, no Contexto da Filosofia Medieval. Vestibulares.estratégia.com/portal/matérias/filosofia/escolástica-patristica-e-outro-no-contexto-da-fil osofia-medieval/
Portal de Periódicos Eletrônicos UNICAMP, Sobre a Interpretação Agostiniana de G. Reale, em torno da Deutoro Plous em Platão e... Moreira Silva, Arquivo C:/USERS/LENOVO/Downloads/pdf+13.pdf
Wikipédia. Neoplatonismo e Cristianismo.
Wikipédia. Escolástica.pt.wikipedia.org/wiki/Escolástica.

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