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A MAÇONARIA NA HISTÓRIA (MAÇONARIA OPERATIVA)

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 14 de fev.
  • 6 min de leitura



BUSCADOR: Antonio Tupinambá

AAML, Cad. 40-EM

10/02/2026

 


A DIVISÃO DA HISTÓRIA


Para entender a evolução da Maçonaria ao longo da história é preciso dividir o tempo em grandes períodos, desde a Pré-história até a Idade Contemporânea. A divisão da história é uma ferramenta didática e metodológica utilizada pelos historiadores para dividir a história humana em cinco períodos.

Essa periodização estabeleceu a existência de cinco fases ([1]):

 


 

PRÉ-HISTÓRIA


Alguns historiadores apontam que a Pré-história se iniciou por volta de 3 milhões de anos atrás e se encerrou por volta de 4000 a.C. e é  considerada por eles como o período que estuda o surgimento dos hominídeos e sua evolução até o surgimento do homo sapiens, a atual espécie de seres humanos.

Entende-se que a Pré-História se estendeu até por volta de 3500 a.C., quando os historiadores acreditam que na Mesopotâmia surgiu a primeira forma de escrita da humanidade, a escrita cuneiforme, desenvolvida pelos sumérios. Como a Pré-História foi um período cronologicamente enorme, eles estabeleceram uma subdivisão dentro desse período em Paleolítico, Neolítico e Idade dos Metais.

Esses diferentes períodos retrataram de maneira genérica o nível de sofisticação dos seres humanos ao longo do tempo cronológico.  


IDADE ANTIGA


A Idade Antiga se iniciou no período entre os anos 3500 a.C. e 476 d.C. O marco inicial foi o surgimento da escrita cuneiforme. O período presenciou o surgimento e o desaparecimento de diferentes civilizações em diferentes partes do planeta. Algumas das civilizações mais importantes foram a do Egito Antigo, da Mesopotâmia, da Grécia e a Romana.

Entretanto, a Antiguidade não foi marcada apenas por essas civilizações. Outras surgiram nesse período, tais como a dos hebreus, fenícios, persas, celtas, cartaginenses, chineses, diferentes povos germânicos, hititas, elamitas, entre outras. O considerado encerramento da Idade Antiga no ano de 676 d.C. tem como marco histórico  a desagregação do Império Romano do Ocidente, que entrou em crise a partir do século III, levando sua parte ocidental a se desagregar lentamente. A derrubada do rei romano Rômulo Augusto pelos hérulos, em 476 d.C., encerrou esse período.


IDADE MÉDIA


A Idade Média, ao menos na Europa Ocidental, foi marcada pela fusão das culturas germânica e latina. Esse período foi dividido em duas grandes fases, a Alta Idade Média (entre os anos 401 e 1.100 desta era) e a Baixa Idade Média (entre os anos de 1101 e 1453), possuindo, cada qual, suas próprias características, embora haja também semelhanças entre os períodos.

A Europa Ocidental medieval se formou da crise romana, sendo marcada, a princípio, pela ruralização da Europa e pelo enfraquecimento do comércio. Uma das grandes marcas da Idade Média foi o feudalismo, sistema político, econômico, social, cultural e ideológico que viveu seu auge entre os séculos XI e XIII da era Cristã.

A partir do século XI, houve um crescimento do comércio e um crescimento das cidades, dando uma nova dinâmica à cultura e à vida na Europa medieval. Esse período foi marcado pelo poderio da Igreja Católica e por conflitos marcantes, como as Cruzadas e a Guerra dos Cem Anos. A queda de Constantinopla, em 1453, para os otomanos foi o marco que encerrou esse período.


IDADE MODERNA


A Idade Moderna foi marcada como um período de enorme abertura da Europa, sobretudo comercial. Nessa época, os europeus começaram a explorar o oceano, chegando a novos locais, como o continente americano. A economia europeia foi baseada no mercantilismo, prática econômica de transição entre o feudalismo e o capitalismo.

A Idade Moderna também ficou marcada pela centralização do poder nas mãos dos monarcas por meio do absolutismo, o que fez do monarca uma figura com amplos poderes e apoiada por um grupo de burocratas. A crítica a esse sistema político deu origem ao iluminismo, movimento intelectual que questionou não apenas o poder do monarca como também defendeu a racionalidade.

Foi inclusive o iluminismo que motivou um dos principais acontecimentos da história: a Revolução Francesa. Os historiadores entendem que a queda da Bastilha, em 1789, evento que iniciou essa revolução, foi o marco de encerramento da Idade Moderna.


IDADE CONTEMPORÂNEA


A Idade Contemporânea, por sua vez, é um período que segue em andamento. Esse período ficou marcado pela queda do absolutismo no continente europeu e por enorme desenvolvimento tecnológico a partir da Revolução Industrial. No século XIX, inúmeras invenções surgiram, dando um salto de qualidade na vida da humanidade.

As contradições do capitalismo passaram a ser questionadas por meio da ideologia socialista. Essa ideologia, que defende a superação do capitalismo, chegou ao poder de muitos países, começando pela Rússia, em 1917. A disseminação do socialismo estabeleceu a polarização que conhecemos como Guerra Fria.

A Idade Contemporânea também ficou marcada pelos regimes totalitários — fascismo, nazismo e stalinismo — e pelas duas grandes guerras.

MAÇONARIA OPERATIVA

Faz pouco tempo que publiquei neste espaço um texto intitulado “Origem da Maçonaria e das Lojas Maçônicas”, onde contesto os ensinamentos correntes de que a Maçonaria teve origem nas Legiões da Roma Antiga, mais precisamente nos Praefectus Castrorum, da engenharia militar romana.

Há quem diga, e não são poucos, que a origem da maçonaria está “perdida no tempo e no espaço”, ou “nas brumas do passado”. Segundo alguns deles, a Maçonaria vem desde o tempo de Adão, ou seja, é tão antiga quanto o homem sobre a terra.

Para o buscador da Verdade, essas são frases de efeito que não comprovam absolutamente nada, impondo ao Aprendiz Maçom uma Falsa Verdade.

Dizer que a Maçonaria tem sua origem na Roma Antiga, é outra Falsa Verdade ([2]). Excluindo-se a parte lendária da fundação de Roma, os registros históricos dão conta de que a Roma Antiga foi uma civilização que se desenvolveu na Península Itálica, entre 753 a.C. e 476 d.C, a partir da cidade de Roma; que a história romana é dividida em três fases: monarquia (753-509 a.C.), república (509-27 a.C.) e império (27 a.C.- 476 d.C.).

A República Romana durou de 509 a.C. a 27 a.C., um período impressionante de quase 500 anos! A partir daí, o sistema de governo de Roma passou às mãos de um imperador, dando início ao Império Romano, que por sua vez durou 503 anos.

Tenho comigo que a Maçonaria que conhecemos hoje nasceu com Elias Ashmole (23 May 1617 – 18 May 1692), fora do período do Império Romano Antigo. Ela, a Maçonaria de hoje, tem sua origem na Maçonaria Operativa da Baixa Idade Média.

Na baixa Idade Média, ou seja, entre os anos de 501 e 1.000 desta era, os trabalhadores dedicados ao setor da construção – os pedreiros – eram conhecidos como machionis, pois usavam andaimes (machinas) para deslocar-se entre as paredes. A partir desta denominação inicial, formou-se o vocábulo francês maçon, que equivale a pedreiro. Em português, utiliza-se a palavra maçom, enquanto em inglês e alemão é mason ([3]).

A origem da Maçonaria tem a ver com a associação de pedreiros, os machionis da mencionada Baixa Idade Média. Esses trabalhadores, dedicados ao setor da construção, por sua vez, começaram a aceitar pessoas estranhas ao ofício. O primeiro estranho ao setor da construção ACEITO no grupo de construtores foi Elias Ashmole, que escreveu no seu diário

16 de Outubro (de 1646) de 4:30 da tarde – Fui feito Franco Maçom [Free Mason] em Warrington, Lancashire, com o coronel Henry Mainwaring de Karnicham em Cheshire.

Os nomes daqueles que se encontravam, então, na Loja [eram]: Rich[ard]. Penket, Vigilante; Sr. James Collier, Rich [ard] Sankey, Henry Littler, John Ellam, Rich. Ellam e Hugh Brewer 

Essa foi a semente da Maçonaria Especulativa plantada no seio de trabalhadores da construção. Em 1717, o grupo de machionis que fundou a Grande Loja de Londres apenas formalizou o ato de 16 de outubro de 1.646, oficializando o início da Maçonaria Especulativa. Mas esse é assunto de uma outra jornada.

CONCLUSÃO

Neste estudo superficial sobre a Maçonaria na História, fica comprovado que a Maçonaria Operativa resulta das organizações de trabalhadores da construção da baixa Idade Média, entre os anos de 1191 e 1453 da nossa era.

Outra constatação é de que, embora oficialmente iniciada em 1717, a Maçonaria Especulativa teve sua semente plantada no ano de 1646, com a iniciação de Elias Ashmole, que não era trabalhador da construção.

Enquanto a Maçonaria Operativa era constituída por trabalhadores braçais do setor da construção, os pedreiros, então conhecidos como  machionis, a Maçonaria Especulativa formalizada em 1717, constituídas de machionis aceitos como tal, mas que não tinham como profissão a arte de construir. Os dois tipos de machionis não se confundem. A sociedade da construção e da carpintaria era dirigida por um maceiro assistido por oficiais que se comprometiam todos a agir em prol do bem da cidade e do ofício ([4])

 

***

 


[1] FILHO, Arnaldo Fazoli – História Geral – Editora Brasil S/A – 1976.

[3] Fonte: Maçonaria - Etimologia, origem do conceito, acesso em 10/02/2026.

[4] FERRÉ, Jean -  A História da Franco-Maçonaria (1248 – 17820, p18.- MADRAS.

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