A Lemúria e a Ciência
- Eloy Guillermo Castellón Bermúdez
- 3 de mai.
- 6 min de leitura
A ORIGEM DO HOMEM: PARALELOS ENTRE A TEOSOFIA, A LEMÚRIA E
A CRONOLOGIA CIENTÍFICA
Eloy Guillermo Castellón Bermúdez-Compilador
Academia Amazonense Maçônica de Letras-AAML
Lumuria foi o nome introduzido no ano de 1864, pelo zoologo Philip Sclater, para nominar a existência de um continente, considerado por ele, como perdido no Oceano Índico, com a finalidade de explicar a distribuição geográfica de espécies de animais, como os lêmures, distribuídos entre Madagascar e a Índia, mas não se encontravam na África e no Oriente Médio. Este fato, verificado por P. Sclater, contradizia o padrão de dispersão animal, criando um vazio de continuidade na distribuição, o que levou a sugerir a hipótese do continente submerso; a ideia do continente perdido, tentaria explicar a presença de fosseis de lêmures em Madagascar e na índia, mas ausentes em outras regiões. De acordo com Scatler, esse continente poderia ser a ponte terrestre entre essas regiões, antes de afundar no Oceano. (na época, a teoria da tectônica de placas, ainda não existia, que em conjunto com a teoria da ‘Deriva Continental’, foi publicada posteriormente, em 1912, por Alfred Wegener, (in: Guitarrara, 2026; Enigmas, 2025).
Em 1870, o Biólogo Ernst Haekel, sugeriu que esse continente perdido (A Lemúria), seria a Origem ancestral da espécie humana; E. Haekel apontava a Índia como berço da humanidade, enraizando a Lemúria nos elos dos registros fosseis, dos primeiros seres humanos. Esta hipótese ia em oposição à proposta de Charles Darwin, que afirmava ser a África a origem da raça humana (Turci, 2024).
A história desta lenda está plasmada no livro, “La Perdida Lemuria” (A Lemúria Perdida), de W. Scott-Elliot, 1904; ilustrado com dois mapas antigos, correspondentes ao mundo perdido no tempo, que segundo Wolf (2025), é uma aventura intelectual e imaginativa, que chega a desafiar os limites da história, mitologia e espiritualidade, misturando narrativas de ciência, misticismo e ocultismo (Wolf, 2025).
A história da lenda mítico-esotérica, inicia com uma pesquisa sobre a origem e distribuição biológica, dos fósseis achados por Scatler, em 1864, transformando-se na hipótese de um continente perdido, até Haekel, em 1870, apontar a Índia como berço da humanidade. A partir destes fatos, a lenda começou se espalhar entre os teosofistas e outros ocultistas (A Sociedade Teosófica, foi criada em 1875, por Helena Blavatsky), liderados por H. Blavatsky, em 1888, quando a obra “A Doutrina Secreta” foi conhecida, adicionada à publicação de “A Lamúria Perdida” de Scott-Elliot, em 1904.
A teosofia de Blavinsky incorporou a Lemúria em suas narrativas, já que segundo ela, os lemurianos seriam seres espiritualmente avançados, transformando o continente perdido, em sabedoria ancestral. Assim, místicos ligaram a Atlantida e a Lemúria como civilizações desaparecidas por catástrofes naturais e passaram a ocupar a centralização dos mitos espirituais no Ocidente (Conexão História Dinâmica, 2025).
Por curiosidade experimental, propomos comparar estas três tradições: A Teosofia, a Lemúria e a Cronologia científica da evolução humana, com relação à Origem do Homem, embora reconheçamos que pertencem a temáticas diferentes. A Teosofia e a Lemúria são narrativas míticas ou esotéricas; enquanto a Cronologia da evolução humana, é científica, baseada na idade biológica de fósseis, em estudos paleontológicos, de ontogenia, morfologia e genética.
Segundo Blavatsky, a origem do homem, de acordo com a teosofia, não se deu como a ciência moderna explica, mas sim, através de ciclos espirituais, chamados de Raça Raiz. A Teosofia vê a evolução como espiritual cósmica, com raças sucessivas.
De acordo com Blavatsky (Wikipédia, Raça Raiz), existem sete raças raiz e cada raça raiz, está dividida em 7 sub-raças. Das sete raças raiz, apareceram na terra, apenas até agora, cinco raças raiz; espera-se que, para no século 28, surja uma sexta raça raiz.
Primeira Raça Raiz – “Nascidos por Si mesmos” ou “Sem Mente”: com local mítico de origem, associado a uma região Polar Primitiva. Esta raça teria aparecido há mais de 300 milhões de anos e vivido num continente, chamado por Blavatsky de “A Ilha Sagrada e Imperecível”. Os seres (ou homens) desta raça eram imensos e não possuíam corpo físico e nem mente; os seres eram “etéreos”, mais próximos de energia ou luz e muito menos de matéria física. Suas formas eram sutis, de corpo translúcido e quase gasoso, formado de matéria “etérica”. A sua reprodução era por “Divisão” ou “Imantação”, (multiplicando-se por processos biológicos de cissiparidade, em forma de brotamentos, como nas amebas, ou fissão espiritual. Esta raça não era mortal, apenas se converteu na raça seguinte:” Os Nascidos do Sol” (Wikipédia, Raça Raiz).
A segunda Raça Raiz – “Nascidos do Suor” ou “Sem Ossos” - Teriam vivido num continente chamado “Hiperbório”; cujo significado no grego antigo era” muito além do bóreas” (vento do norte); na mitologia grega, era uma terra perpetuamente ensolarada, distante, situada na extremidade setentrional da terra (Wikipédia, Hiperbórea). Esta Raça aparece com um rudimento de mente, não havendo uma ponte entre o espírito e a matéria e a mentalidade. Esta raça não era mortal, apenas se converteu na raça seguinte:” Os Nascidos do Sol”. As duas primeiras Raças são chamadas de semidivinas (Wikipédia, Raça Raiz).
Uma terceira Raça, “Nascidos do Ovo” ou “lemuriana” - Teriam vivido no continente chamado “Lemuria”, assunto deste texto. Hermafroditas, reproduziam-se por meio de um ovo que se desprendiam do corpo. Sofreu várias transformações evolutivas chegando ao final desse período a se consolidar com o corpo físico mortal, com reprodução sexuada. Perecido ao homem atual (Wikipédia, Raça Raiz).
Helena Blavatsky baseou suas informações sobre a Lemuria, não em evidências científicas e sim numa combinação de hipóteses científicas zoológicas do século XIX, em conjunto com revelações esotéricas, que como ocultista, dizia receber de mestres espirituais; reinterpretando a ideia científica à época, de um continente perdido, como parte da narrativa teosófica de “Raças-Raízes” da humanidade (Blavatsky.Teosofia.com).
Do ponto de vista cronológico, a ciência moderna explica a origem humana, com base a fósseis, genética e paleontologia. A idade dos fósseis chimpanzés, não humanos e mais antigos é de cerca de 6 a 7 milhões de anos; o Homo sapiens surgiu há aproximadamente 300 mil anos, na África. A ciência vê o homem como resultado de uma evolução biológica, recente. A teosofia projeta a origem humana e eras muito mais antigas, de centenas de milhões de anos, vinculadas a continentes míticos como a Lemuria. A idade do continente perdido da Lemuria, remonta há milhões de anos.
Para Blavatsky, os lemurianos seriam ancestrais espirituais da humanidade, muito antes ao que a ciência considera como humano, baseado no esoterismo teosófico.
A lenda da Lemuria, continente concebido como uma ponte de terra e depois submersa, teve descontinuidade na biogeografia, tornando-se obsoleta no século XIX, pelas teorias da tectônica de placas, que em conjunto com a teoria da ‘Deriva Continental’, foi publicada posteriormente, em 1912, por Alfred Wegener, (in: Guitarrara, 2026; Enigmas, 2025).
Os aspectos míticos-esotéricos da lenda, permaneceram em obras como a “Doutrina Secreta” de H. Blavatsky (Vol. Antropo gênese) e os estudos ocultistas de W. Scott-Elliot, que se fundamentam na evolução das formas espirituais para as formas materialistas, assim como a transição da mente, em que seres superiores encarnam e promovem o despertar da mente, para a autoconsciência e racionalidade (Scott-Elliot, 2026).
Segundo Acharya (2025) afirmou, escritoras como H. Blavatsky e outras, como Bassant, mergulharam nesses mistérios, descrevendo uma civilização guiada por sabedoria vibracional em plena harmonia de elementos. Seres de corpos leves, que eram imensos e não possuíam corpo físico e nem mente e “etéreos”. Suas formas eram sutis, de corpo translúcido e quase gasoso, formado de matéria “etérica”. Ao permanecerem essas caraterísticas esotéricas, Blavitsky elevou o mito, para um patamar de revelações espirituais, donde uma civilização primordial, teria poderes psíquicos e conexão direta com o cosmo. Esta etapa representa a evolução da consciência humana, e seus elementos, vibrando em perfeita sintonia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Acharya, T. 2025. Lemuria: O Mistério que o Tempo Enterrou.https:// corpoemtranse.com/2025/05/15/lumuria-o-misterio-que-o-tempo-enterrou/
Conexão História Dinâmica. Lemúria: O Mito do Continente Perdido e o que a Ciência Revela. Htpps://conexaodinamicahistori.com/lemuria-o-mioto-do-continente-perdido-e-o-que-a-ciencia-revela/Comentário: maborba/20/09/2025.
Enigmas que nos cercam. Lemúria o Mito de uma Civilização. https://www.enigmasquenoscercam.com.br/lemuria-o-mito-de-uma-civilizacao.html
Guitarrara, P. Deriva Continental: Brasil Escola/https:??brasilescola.uol.com.br/geografia/derivacontinental.18/01/2026.
NIH. Mecanismo de Replicação do DNA. National Library of Medicine. Center for Biotechnology Information. https//www.gogle.com/search?q=moleculas+de+rna+que+deram+lugar+a+outras+formas+de+vida+mais+antigas. &. sca_esv=a4306da362cb3c28&s...
Scott-Elliot, W. 2026. Thy Story of Atlantis and the Lost Lemuria. Pt. Scribd.com/document/854664869/A- Histtória-de-Atlantida-e-a-Lemuria-Perdida#:~:text=) %20documento%20ª%20historiada%20Atlantida, sut...
Turci, A. Lemúria-Entre Fatos Biogeológicos e Mitos Teosóficos. Htpps://www.sejahojediferente.com/2024/02/lemuria-entre-fatos-biogeologicos-e.html
Wikipédia. Raça Raiz. https://en.wikipedia.org/wiki/Root_race#:~:text=The thirdroot rece%202Cthe, to reproduce like modern humans.
Wikipédia. Hiperbórea.pt.wikipedia.org.wiki.Hiperbórea.
Wolf, L. A Lemúria Perdida de W. Scott-Elliot- Fato ou Ficção? https:louiswolf.com/blog/2025/1/27/a-lemuria-perdida-de-w-scott-elliot-fato-ou-ficcao#:~:text=A Lemúria Perdida de W. – Louis Wolf
(You Tube. Bactéria-Cyanobactéria). google.com/search?q=O+que+são+as+cianobactérias%3F+seu+papel+na+respiração+aeróbica%3F&ca_scv=852891e6be60f64b&zxrxrf=AE3TifMH_DZw...

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