A IGREJA CATÓLICA, APOSTÓLICA, ROMANA
- Antônio Tupinambá
- 4 de jan.
- 5 min de leitura
Atualizado: 6 de jan.
Buscador, Antonio Tupinambá
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04/01/2026
Hoje me deparei com um Blog sobre “Histórias de Roma e Outros Assuntos”. Quanto ao evento relacionado com o Concílio de Nicéia, o que foi, e qual seu objetivo, o autor autodeclarado apaixonado pela História Romana, escreveu:
Em 19 de junho de 325 D.C., bispos cristãos reunidos no Primeiro Concílio Ecumênico da Igreja, realizado na cidade romana de Nicéia, aprovaram o chamado Credo Niceno.
O Concílio de Nicéia foi o primeiro concílio ecumênico da Igreja Cristã (isto é, uma assembleia que se propunha a congregar o maior número de bispos existentes e reuni-los para definir uma doutrina unificada para o Cristianismo), tendo sido convocado pelo próprio imperador Constantino, o Grande, que até então, embora tivesse tomado uma série de medidas favoráveis à Igreja e ao Cristianismo, ainda não havia sido batizado e se convertido oficialmente à fé cristã.
Ao contrário do que o blogueiro escreveu em relação à não interferência imperial naquilo que foi discutido e aprovado em Nicéia, Constantino não só convocou como interferiu para que fosse aprovado um credo que, a partir daí, constituiu-se na doutrina cristã que conhecemos hoje[1]. Esse assunto já foi publicado neste meu Blog, sob a denominação de “4 - O CONCÍLIO DE NICÉIA - O NASCIMENTO DE UM CRISTIANISMO IMPERIAL”. Eis o seu resumo:
Os livros consultados sobre o assunto, resumidos pela IA, dizem que em 325 d.C. houve uma reunião que mudou para sempre os rumos do cristianismo: o famoso Concilio de Niceia, convocado pelo imperador romano Constantino. Mas o que realmente aconteceu ali?
Se você acha que foi apenas uma discussão teológica entre líderes religiosos bem-intencionados, prepare-se para uma história muito mais complexa — que mistura política imperial, disputas doutrinárias e exclusão de vozes que até então representavam a maioria dos cristãos.
Por que Niceia?
O Concílio de Niceia foi convocado por um imperador — e isso por si só já diz muito. Constantino havia adotado o cristianismo como instrumento político. Com o Império em crise, ele via na religião uma forma de unificar cultural e espiritualmente os povos sob seu domínio.
No entanto, o cristianismo da época era tudo, menos uniforme. A maioria dos cristãos seguia um modelo monoteísta simples, baseado nos ensinamentos dos apóstolos, na tradição judaica e no batismo em nome de Jesus Cristo — prática descrita em Atos 2:38. Eram os chamados unicistas ou monarquianos modalistas, que criam num único Deus indivisível.
Esses grupos foram completamente ignorados no concílio. Os convidados eram bispos do que viria a se tornar o catolicismo romano — ainda uma minoria naquela época.
A Polêmica da Trindade
O principal tema discutido foi a natureza de Cristo. Seria ele eterno como Deus Pai? Ou teria sido criado em algum momento?
De um lado, havia os seguidores de Ário, que afirmavam que Jesus era subordinado ao Pai. Do outro, estava Atanásio, um teólogo de Alexandria que defendia a ideia de que Pai, Filho e Espírito Santo seriam da “mesma substância” — a base do que chamamos hoje de doutrina da Trindade.
A proposta de Atanásio venceu, com apoio decisivo de Constantino, que usou seu poder imperial para pressionar os participantes. Nascia ali o Credo Niceno, que estabeleceria oficialmente a doutrina trinitária.
Mas há um detalhe importante: a palavra “Trindade” não aparece na Bíblia. O conceito surgiu da filosofia greco-romana, em especial da obra Timeu, de Platão, que descrevia o universo regido por uma tríade. A mistura de matemática, espiritualidade e simbologia foi abraçada por pensadores cristãos como Tertuliano e adaptada ao cristianismo nascente.
Uma Arte, Uma Ideologia
Após o Concílio, a nova doutrina passou a ser representada em pinturas e esculturas — algumas das quais chocariam qualquer monoteísta: três figuras humanas, uma única figura com três cabeças, ou ainda o famoso triângulo com três olhos. Para os cristãos unicistas, essas imagens eram uma afronta ao mandamento bíblico de que Deus é “um só” (Deuteronômio 6:4).
Uma História Silenciada
Por que quase não ouvimos falar dos cristãos que discordaram do Concílio? Simples: seus registros foram apagados, destruídos ou desqualificados como “heréticos”. A maior parte da história oficial do Concílio foi escrita por autores católicos — especialmente Eusébio de Cesareia e o próprio Atanásio. Historiadores modernos questionam a veracidade dos números de participantes e dos relatos preservados.
O Que Ficou Para Trás
Apesar de sua força política, o catolicismo trinitário não apagou completamente as outras formas de cristianismo. Movimentos monoteístas continuaram existindo em várias regiões, muitas vezes perseguidos, mas mantendo suas convicções. O próprio imperador Constantino, no fim da vida, foi batizado segundo o rito ariano — aquele que ele havia combatido anos antes.
Conclusão
O Concílio de Niceia não foi apenas um debate espiritual, mas uma manobra política que redefiniu os rumos do cristianismo. Ao institucionalizar a Trindade e ignorar as tradições mais antigas da fé, deu-se início ao que Marvin M. Arnold chamou de “cristianismo imperial”, distanciado de suas raízes apostólicas.
Refletir sobre esse episódio é mais do que revisitar o passado: é uma oportunidade para questionar o que aceitamos como verdade “oficial” e buscar uma fé que se alinhe mais com as Escrituras do que com a política.
De tudo isso, resulta para mim que a Igreja Católica, Apostólica, Romana que conhecemos hoje é em parte uma deturpação dos ensinamentos de Jesus, o Cristo, promovida por Paulo de Tarso e pelo imperador romano Constantino, aquele com possível boa intenção e este pelo interesse político de prevalecer sobre os povos, expandir e fortalecer seus domínios sobre as nações conquistadas.
O CREDO NICENO[2]
A Igreja Católica, Apostólica Roma nasceu com o Credo Niceno-Constantinopolitano de 381d.C., resultado de modificações introduzidas no Credo Niceno do ano de 325 da nossa era.
Credo Niceno (325d.C.) | Credo Niceno-Constantinopolitano (381d.C?) |
Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. | Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. |
Ε em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, gerado unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai; | E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos |
Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai; | luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial ao Pai, |
por quem foram feitas todas as coisas que estão no céu ou na terra. | por que, foram feitas todas as coisas. |
O qual por nós homens e para nossa salvação, desceu, se encarnou e se fez homem. | O qual por nós homens e para a nossa salvação, desceu dos céus: se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. |
Padeceu e ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus | Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos e padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está assentado à direita do Pai. |
Ele virá para julgar os vivos e os mortos. | Ele virá novamente, em glória, para julgar os vivos e os mortos; |
e o Seu reino não terá fim. | |
E no Espírito Santo. | E no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele falou pelos profetas. |
E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia, ou que antes que fosse gerado ele não existia, ou que ele foi criado daquilo que não existia, ou que ele é de uma substância ou essência diferente (do Pai), ou que ele é uma criatura, ou sujeito à mudança ou transformação, todos os que falem assim, são anatematizados pela Igreja Católica. | E na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Confessamos um só batismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos; e a vida do mundo vindouro. Amém |
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[1] FONTES:
NICEIA E O CONCÍLIO NICENO DE 325 d.C. - Marvin M. Arnold D.D., Th.D. Traduzido por: Timothy Allen Barber.
TIMEU-CRÍTIAS – Platão – Tradução do Grego, Introdução e Notas de Rodolfo Lopes.
A TRINTADE – Santo Agostinho – Patrística – 2ª Edição.
[2] Wikipédia, A Enciclopédias Livre - Consulta em 04/01/2026.

É sempre muito prazeroso ler os textos deste blog. A exemplo desta publicação, é possível o leitor navegar de forma instigante pela atmosfera da história escrita e falada. É um tema que trás muito pano pra manga, digno de uma discussão cordial para abrilhantar o conhecimento de mentes sedentas pela verdade e de boas conversas. ❤️❤️❤️