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2 - PAULO DE TARSO

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 8 de jun. de 2025
  • 7 min de leitura

Atualizado: 18 de nov. de 2025



ANTONIO TUPINAMBÁ

AAML, Cad 40

19/08/2017

 

 

Num exame apressado do texto do Novo Testamento, Mateus, tanto quanto os outros três evangelistas, aparentemente incorpora o espírito dos nossos repórteres de hoje, ou vice-versa: simplesmente narram os fatos jornalísticos que interessam ao público-alvo como se estivessem narrando uma partida de futebol ou um evento extraordinário qualquer, nos seus detalhes, no caso a genealogia de Jesus, seu nascimento, batismo, sua pregação, tal qual lhe foi transmitido. É bem representativo disso os escritos atribuídos a Mateus sobre a pregação de Jesus intitulada “Sermão da Montanha”:

"Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los, dizendo:

Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.

Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós.

Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens”.

E assim o repórter Mateus segue, nos Capítulos 6 e 7 do seu Evangelho, narrando o que Jesus ensinou naquele sermão. Ele, Mateus, como os demais evangelistas, não emitiu nenhuma opinião própria a respeito dos ensinamentos de Jesus. Simplesmente reportou o evento que estava testemunhando.

Ao contrário de Mateus, o personalista Paulo vai derramando “eu” por todas as epístolas a ele atribuídas, como se fora ele, Paulo, o autor intelectual da doutrina de Jesus. Isso aconteceu por razões obscuras, que tem sido objeto de interesse de estudiosos do assunto, e, por consequência, aos poucos as coisas vão ficando claras.

Uma dessas questões está relacionada com os responsáveis pelo que está escrito no Livro sagrado: mas... quem escreveu a Bíblia? Já ouvi por muitas vezes a afirmação de que esse livro foi escrito por inspiração de ou pelo próprio Deus. Prefiro deixar que os estudiosos e pesquisadores falem sobre o assunto.

Bart D. Ehrman é autor de mais de vinte livros, incluindo o Best-sellers do New York Times "O que Jesus Disse, O que Jesus não Disse" (Prestígio), "O problema com Deus" (Agir) e "Quem foi Jesus?" (Ediouro).

Ehrman é professor de estudos da religião da Universidade da Carolina do Norte, e uma autoridade nas pesquisas sobre a Bíblia e Jesus. Na orelha de uma obra dele, 1955, está escrito que “entre os estudiosos da Bíblia é muito comum a crença de que na antiguidade era aceitável escrever um texto usando o nome de outra pessoa. Mas o consagrado Bart D. Ehrman prefere dar a isso o seu verdadeiro nome: falsificação literária, uma prática, ao contrário do que afirmam, tão condenada nos tempos antigos quanto hoje. Em "Quem Escreveu a Bíblia?" Ehrman nos traz o resultado de suas recentes pesquisas, que mostram como a falsificação era usada na Antiguidade com o objetivo de estabelecer a Igreja e rebater os ataques à fé. O autor defende e apresenta argumentos de que alguns livros do Novo Testamento são, na verdade, fraudes. Mas se alguns livros da Bíblia não foram escritos por aqueles que acompanhavam Jesus, – e sim por pessoas que nasceram décadas depois - como isso afeta a autoridade das escrituras?"

"Sempre baseando seus argumentos em documentos e nas descobertas feitas pelos mais confiáveis estudos sobre religião, história e arqueologia, Ehrman demonstra a ironia na busca da tradição cristã por fraudes com o objetivo de estabelecer verdades. A obra nos faz pensar nos fatores que levaram à escolha final de que livros entrariam na Bíblia, quais entre eles são falsos, os motivos que levariam alguém a se passar por Pedro, Mateus ou Paulo, e o impacto que tudo isso teve no cristianismo como conhecemos hoje.”

Não é de se desprezar o produto dos estudos e pesquisas de Bart D. Ehrman durante cinco anos para construir uma monografia sobre falsificações no mundo grego e romano antigos. Embora seu livro “Quem escreveu a Bíblia?” não seja essa monografia, certamente contém conclusões extraídas dali, e que merecem pelo menos ser conhecidas. Segundo ele, houve muitos falsificadores cristãos antigos que produziram muitos documentos falsificados, provavelmente por muitas razões diferentes. Ele afirma que ainda temos muitos documentos falsificados originários da igreja inicial, inúmeros evangelhos, atos, epístolas e apocalipses, todos eles alegando terem sido escritos por apóstolos. Muitos desses livros não canônicos, continua, são fascinantes e merecem ser lidos, como por exemplo, um evangelho supostamente escrito por Pedro que oferece uma narrativa detalhada da Ressurreição.

Isso é chocante, porque – a maioria dos leitores nunca percebeu – os evangelhos do Novo testamento não narram a Ressurreição. Eles dizem que Jesus foi enterrado e indicam que, no terceiro dia, seu túmulo estava vazio, porém não trazem o relato dele efetivamente saindo do túmulo”.

Sobre Paulo, Bart D. Ehrman diz que é provável que de todos os cristãos ninguém tenha mais histórias contadas sobre ele. Há registro de alguém entre os antigos sendo apanhado com a mão na massa inventando histórias sobre Paulo e sendo punido por isso. Se inventaram histórias sobre Paulo também inventaram escritos supostamente de Paulo.

De fato, conforme mencionado alhures, a obra nos faz pensar nos fatores que levaram à escolha final de que livros entrariam na Bíblia, quais entre eles são falsos, os motivos que levariam alguém a se passar por Pedro, Mateus ou Paulo, e o impacto que tudo isso teve no cristianismo como conhecemos hoje.

A revista Superinteressante, Edição Nº 70, de 2001, publicou o seguinte artigo de Fernando Travi, presidente da Sociedade Brasileira de Biogenia e Higienismo, e fundador da Igreja Essênia de Jesus Cristo:

"Embora não esteja entre os evangelistas e nem sequer tenha sido um dos 12 apóstolos, Paulo de Tarso é tido como um dos maiores intérpretes do cristianismo. Suas epístolas, escritas enquanto estava na prisão como cristão perseguido, foram incorporadas à Bíblia e permanecem um grande instrumento difusor da doutrina cristã entre os povos não-judaicos". Mas será que a pregação de Paulo é a mesma de Jesus? Há vários indícios de que, como num plano de sabotagem, Paulo divulgou, em nome do Messias, uma doutrina falsificada.

"Paulo, nascido Saulo, em Tarso, na Ásia Menor, servia aos romanos como uma espécie de agente policial. Ele fazia investigações para descobrir os locais de reunião dos nazarenos – como eram chamados os primeiros seguidores de Jesus – para prendê-los e supliciá-los. Anos depois da crucificação de Cristo, numa de suas incursões ele teria tido uma visão do Messias, e se convertido (ao cristianismo). Foi aceito pelos nazarenos e com eles estudou durante quase três anos. Paulo começou, então, a divulgar a doutrina, mas com diversas mudanças. Os nazarenos se opuseram a essas alterações, o que culminou com a sua expulsão."

Várias vozes já alertaram sobre a falsidade da obra de Paulo, entre elas a do profeta da não-violência Mahatma Gandhi e a do teólogo alemão Albert Schweitzer, prêmio Nobel da Paz em 1952. “As Epístolas são uma fraude dos ensinamentos de Cristo, são comentários pessoais de Paulo à parte da experiência pessoal de Cristo”, escreveu Gandhi. “Paulo nos mostra com que completa indiferença a vida terrena de Jesus foi tomada”, escreveu Schweitzer.

Muito do conteúdo das epístolas está claramente em oposição à doutrina de Jesus. Isso ficou evidente após o descobrimento de escrituras autênticas e completas dos ensinamentos de Cristo: o Evangelho dos Doze Santos, encontrado em 1850 no Tibete; o Evangelho Essênio da Paz, achado na Biblioteca do Vaticano em 1925; e os Manuscritos do Mar Morto, encontrados em 1945 numa caverna do Oriente Médio, com os ensinamentos dos essênios que viveram nos séculos I e II. Comparemos algumas das palavras de Jesus, segundo o Evangelho dos Doze Santos, com as palavras de Paulo, segundo suas próprias epístolas:

ESCRAVIDÃO

Jesus disse: “Protegereis o fraco (...) Deus mandou-me ajudar os quebrantados, para proclamar liberdade aos cativos”.

Paulo: “Escravos, sejam obedientes a seus mestres, com temor e estremecimento, assim como a Jesus”. (Efésios 6) “(...) se seu proprietário é um cristão (...) devem trabalhar mais duro porque um irmão na fé está lucrando com a labuta”.

VEGETARIANISMO -Jesus: “Não comereis a carne nem bebereis o sangue de nenhuma criatura abatida (...) Porque das frutas das árvores e das sementes das ervas Eu partilho somente”.

Paulo: “Aqueles cuja fé é fraca comem somente vegetais”. (Romanos 14).

REMISSÃO DOS PECADOS

Jesus: “Nenhuma oferenda de sangue, de besta, de pássaro ou de homem pode tirar o pecado. Como pode a consciência ser purgada de pecado pelo derramamento de sangue inocente?”

Paulo: “Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão (...) O sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência.” (Hebreus 9)

CELIBATO

Jesus: “O casamento deve ser entre um homem e uma mulher, que por perfeito amor e simpatia são unidos; e enquanto o amor e a vida duram, como deve ser em perfeita liberdade. (Quando tinha 18 anos, Jesus foi casado com Míriam, uma virgem da tribo de Judá, com quem viveu sete anos).

Paulo: “Quero que todos os homens sejam como eu sou”. (Celibatário) (I Coríntios 7:7)

DISCRIMINAÇÃO DA MULHER NA IGREJA

Jesus: “Em Deus o masculino não é sem o feminino, nem o feminino sem o masculino (...) Deus criou a espécie humana na divina imagem macho e fêmea (...) Assim devem os nomes do Pai e da Mãe ser igualmente reverenciados (...) Deixai-os escolher, dentre eles mesmos, homens e mulheres (...) que exercerão o sagrado ministério”.

Paulo: “E não permito que a mulher ensine”. (Timóteo 2:14) “A cabeça de todo homem é Cristo; a cabeça de toda mulher é seu marido.” (Efésios 4).

Nada mais verdadeiro do que as palavras de Jesus: “Homens de mentes perversas, por meio de ignorância e malícia suprimirão muitas coisas que vos tenho falado e atribuirão a mim coisas que nunca ensinei. Porém (...) as coisas que esconderam serão reveladas (...) e a verdade fará livres aqueles que estavam presos”.

Alguns pontos da questão precisam ser analisados: Paulo de Tarso foi o pai do Cristianismo, a doutrina tida como ensinamentos de Jesus? Paulo de Tarso inventou esse Cristianismo? Isso é o que pretendo discutir no próximo artigo.

 

     

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