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1 - CRISTIANISMO OU PAULINISMO?

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 7 de jun. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 12 de dez. de 2025

IIC

II


I

Confraria WALDEMIR SIQUEIRA, um "puxadinho" da Academia Amazonense Maçônica de Letras - Em pé, da esquerda para direita: Acadêmico Osail Medeiros de Souza, Acadêmico Paulo Dantas, Dom Luís de Souza Lima (Bispo do Amazonas), Acadêmico Waldemir Machado de Siqueira, Acadêmico José Maria Nogueira,  Acadêmico Edson Gomes da Silva, Acadêmico Takeo Siosak e Acadêmico Edson Alves Pereira  Júnior. Sentado, Edmilson Bandeira.
Confraria WALDEMIR SIQUEIRA, um "puxadinho" da Academia Amazonense Maçônica de Letras - Em pé, da esquerda para direita: Acadêmico Osail Medeiros de Souza, Acadêmico Paulo Dantas, Dom Luís de Souza Lima (Bispo do Amazonas), Acadêmico Waldemir Machado de Siqueira, Acadêmico José Maria Nogueira, Acadêmico Edson Gomes da Silva, Acadêmico Takeo Siosak e Acadêmico Edson Alves Pereira Júnior. Sentado, Edmilson Bandeira.

A Musa da Confraria Waldemir Siqueira
A Musa da Confraria Waldemir Siqueira



PRIMEIRA PARTE



ANTONIO TUPINAMBÁ

AAML, Cad. 40-EM

04/03/2016

 

1 - Confraria Waldemir Siqueira

 


Um grupo de amigos com idade acima de sessenta anos, que se autodenomina “Câmara dos Lordes”, uma parte menor da Confraria Waldemir Siqueira, todos Maçons Eméritos, estava reunido num famoso restaurante do centro da cidade, o Fiorentina, em mais um daqueles encontros “terapêuticos” periódicos. Eu, no meio deles!

A conversa girava em torno da mulher amada por todos aqueles respeitáveis senhores, a Polyana Amorim, funcionária do estabelecimento, com idade não mais do que vinte e cinco. Naquela noite, como acontece toda a sexta feira, aqueles mesmos jovens encanecidos sentaram-se à mesma mesa para saborear o mesmo pedido de pirarucu ao molho de camarão mais um filé a cavalo. Evidentemente, como de costume, antes já havia rolado umas tantas cervejas, uísques, tira-gosto de pão-de-alho, acompanhado de muita, mas muita lambança, como é próprio das pessoas que já dobraram o Cabo da Boa Esperança.

A “Câmara dos Lordes” segue os mesmos padrões da Confraria Waldemir Siqueira, que é um ente abstrato não existente no mundo jurídico. As regras de funcionamento tanto de uma quanto de outra são mais ou menos consentidas entre os Confrades, e sua existência segue o ritmo do pulsar daqueles corações que um dia foram jovens e saudáveis, mas que hoje o entardecer da vida já pesa sobre seus ombros cansados, apesar de cada um jurar de pés juntos que não, e os faz contar os degraus das escadas antes de subi-las.

Além da conversa sobre a Polyana, outros assuntos sérios boiam das memórias ainda não gravemente atingidas pelo efeito da visita do alemão (salvo talvez o Dr. Edson Gomes da Silva, cachoeirinhense da gema, a quem me dobro em reverência, que de vez em quando trasteja). O principal desses assuntos é a Maçonaria, sua história, sua doutrina, ritos e rituais; também vez por outra conversam sobre cultura, política, religião, e tudo mais que possa caber em três horas de prazeroso convívio desses verdadeiros e inseparáveis Irmãos, eu sempre no meio deles. De repente, sem mais nem menos, a conversa deu uma guinada de trezentos e sessenta graus, parando em Paulo de Tarso, que antes fora Saulo. Parar não é bem o termo, já que nosso erudito Irmão e Confrade Paulo Dantas da Silva, grande estudioso do mais doutor de todos os doutores da Igreja Católica, Agostinho, tem lá suas paixões por Paulo de Tarso e o defende como o criador do Cristianismo.

Paulo de Tarso, também chamado de Apóstolo Paulo, Saulo de Tarso e São Paulo, nasceu no ano 5 e morreu no ano 67, ambos da era cristã. Foi um dos mais influentes escritores do cristianismo primitivo, cujas obras compõem parte significativa do Novo Testamento. A influência que exerceu no pensamento cristão, chamada de "paulinismo", foi fundamental por causa do seu papel como apóstolo do Cristianismo durante a propagação inicial do Evangelho pelo Império Romano.

Saulo se dedicava à perseguição dos primeiros discípulos de Jesus na região de Jerusalém. De acordo com relato da Bíblia, durante uma viagem entre Jerusalém e Damasco, numa missão para que, encontrando fiéis por lá, "os levasse presos a Jerusalém", Saulo teve uma visão de Jesus envolto numa grande luz, ficou cego, mas teve a visão recuperada por Ananias após três dias, que também o batizou.

Começou então a pregar a mensagem de Cristo, juntamente com Simão Pedro e Tiago, o Justo. Ele foi um dos mais proeminentes líderes do nascente cristianismo. Era também cidadão romano, o que lhe conferia uma situação legal privilegiada.

Treze epístolas no Novo Testamento são atribuídas a Paulo, mas a sua autoria em sete delas é contestada por estudiosos modernos. Santo Agostinho desenvolveu a ideia de Paulo, de que a salvação é baseada na fé e não nas "obras da Lei".

A conversão de Paulo mudou radicalmente o curso de sua vida. Com suas atividades missionárias e obras, Paulo acabou transformando as crenças religiosas e a filosofia de toda a região da bacia do Mediterrâneo. Sua liderança, influência e legado levaram à formação de comunidades dominadas por grupos gentios que adoravam o Deus de Israel, aderiam ao código moral judaico, mas que abandonaram o ritual e as obrigações alimentares da Lei Mosaica por causa dos ensinamentos de Paulo sobre a vida e obra de Jesus e seu "Novo Testamento", fundamentados na morte de Jesus e na sua ressurreição.

Essa é a verdade que a Igreja Católica, Apostólica, Romana ensina, naturalmente baseada no que está escrito na Bíblia.

Paulo Dantas da Silva, ex seminarista, um setentão, quase oitenta, entre os “Lordes”, começa a elogiar Saulo como o pai do cristianismo, e é prontamente contestado por mim, que afirmo ter sido Paulo um dos grandes deturpadores dos ensinamentos de Jesus.

Não sei se nossos vizinhos de mesa ouviram nossa conversa, que, como sempre, estava alguns decibéis acima do normal, mas ficou claro que minha afirmação caiu na nossa mesa como um raio quando cai sobre uma sumaumeira: traz estragos que podem fazer a sapopema ficar no lugar dos galhos frondosos e as plumas enlamearem-se e jamais saírem da casca de seus frutos e flutuarem no ar, para desgosto dos periquitos.

Como primeira consequência, fui tachado de ateu.

Parafraseando uma psicóloga dedicada à atenção psicossocial nos Centros de Atenção mantidos pelo Ministério da Saúde, não vou levar esse estigma para o meu túmulo; vou rever algumas das fontes de informação que sustentam esse pensamento tão fora do padrão, confirmar ou modificar minha atual verdade sobre o assunto; vou justificar, nos mínimos detalhes, a razão de eu ter afirmado isso aos meus amados Irmãos e Confrades.



1 comentário


Eylan Lind
24 de jun. de 2025

Novamente me deleitando do belíssimo trabalho do Gigante Tupi, cuja pena literária faz brilhar, como paradigma de vida, a sua rutila, florida e cintilante alma!

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