top of page

4 - O Concílio de Nicéia - O Nascimento de um Cristianismo Imperial

  • Foto do escritor: Antônio Tupinambá
    Antônio Tupinambá
  • 2 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 4 de jan.


ANTONIO TUPINAMBÁ, Buscador

AAML, Cad 40-EM

30/06/2025

 

 

Este estudo é resultado de uma discussão no dia quatro de março do ano de 2016, durante um jantar de confraternização entre membros da Câmara dos Lordes, um “puxadinho” da Confraria Waldemir Siqueira, todos maçons com mais de setenta anos de idade, mas parecendo adolescentes longe dos pais.

Naquela memorável noite, um daqueles encanecidos e aparentemente sérios senhores, estudioso do mais Doutor de todos os Doutores da Igreja Católica, Apostólica, Romana - Agostinho de Hipona - declarou que Paulo de Tarso (antes Saulo, e, por último, São Paulo) foi o criador do Cristianismo.

De pronto contestei essa opinião: afirmei que Paulo de Tarso foi na verdade um dos grandes deturpadores dos ensinamentos de Jesus.

Imediatamente fui tachado de ateu.

Escorado em um ensinamento da maçonaria, de que o objetivo do maçom especulativo é a busca incessante da Verdade, estou buscando conhecer a verdade sobre a Igreja Católica, Apostólica, Romana, não com o intuito de fazer proselitismos, nem confrontar o conhecimento, ou zombar da fé de quem a tem. Muito pelo contrário, entendo que a fé é um excelente instrumento de controle do comportamento social.

Os livros consultados sobre o assunto, resumidos pela IA, dizem que em 325 d.C. houve uma reunião que mudou para sempre os rumos do cristianismo: o famoso Concilio de Niceia, convocado pelo imperador romano Constantino. Mas o que realmente aconteceu ali?

Se você acha que foi apenas uma discussão teológica entre líderes religiosos bem-intencionados, prepare-se para uma história muito mais complexa — que mistura política imperial, disputas doutrinárias e exclusão de vozes que até então representavam a maioria dos cristãos.

Por que Niceia?

O Concílio de Niceia foi convocado por um imperador — e isso por si só já diz muito. Constantino havia adotado o cristianismo como instrumento político. Com o Império em crise, ele via na religião uma forma de unificar cultural e espiritualmente os povos sob seu domínio.

No entanto, o cristianismo da época era tudo, menos uniforme. A maioria dos cristãos seguia um modelo monoteísta simples, baseado nos ensinamentos dos apóstolos, na tradição judaica e no batismo em nome de Jesus Cristo — prática descrita em Atos 2:38. Eram os chamados unicistas ou monarquianos modalistas, que criam num único Deus indivisível.

Esses grupos foram completamente ignorados no concílio. Os convidados eram bispos do que viria a se tornar o catolicismo romano — ainda uma minoria naquela época.

A Polêmica da Trindade

O principal tema discutido foi a natureza de Cristo. Seria ele eterno como Deus Pai? Ou teria sido criado em algum momento?

De um lado, havia os seguidores de Ário, que afirmavam que Jesus era subordinado ao Pai. Do outro, estava Atanásio, um teólogo de Alexandria que defendia a ideia de que Pai, Filho e Espírito Santo seriam da “mesma substância” — a base do que chamamos hoje de doutrina da Trindade.

A proposta de Atanásio venceu, com apoio decisivo de Constantino, que usou seu poder imperial para pressionar os participantes. Nascia ali o Credo Niceno, que estabeleceria oficialmente a doutrina trinitária.

Mas há um detalhe importante: a palavra “Trindade” não aparece na Bíblia. O conceito surgiu da filosofia greco-romana, em especial da obra Timeu, de Platão, que descrevia o universo regido por uma tríade. A mistura de matemática, espiritualidade e simbologia foi abraçada por pensadores cristãos como Tertuliano e adaptada ao cristianismo nascente.

Uma Arte, Uma Ideologia

Após o Concílio, a nova doutrina passou a ser representada em pinturas e esculturas — algumas das quais chocariam qualquer monoteísta: três figuras humanas, uma única figura com três cabeças, ou ainda o famoso triângulo com três olhos. Para os cristãos unicistas, essas imagens eram uma afronta ao mandamento bíblico de que Deus é “um só” (Deuteronômio 6:4).

Uma História Silenciada

Por que quase não ouvimos falar dos cristãos que discordaram do Concílio? Simples: seus registros foram apagados, destruídos ou desqualificados como “heréticos”. A maior parte da história oficial do Concílio foi escrita por autores católicos — especialmente Eusébio de Cesareia e o próprio Atanásio. Historiadores modernos questionam a veracidade dos números de participantes e dos relatos preservados.

O Que Ficou Para Trás

Apesar de sua força política, o catolicismo trinitário não apagou completamente as outras formas de cristianismo. Movimentos monoteístas continuaram existindo em várias regiões, muitas vezes perseguidos, mas mantendo suas convicções. O próprio imperador Constantino, no fim da vida, foi batizado segundo o rito ariano — aquele que ele havia combatido anos antes.

Conclusão

O Concílio de Niceia não foi apenas um debate espiritual, mas uma manobra política que redefiniu os rumos do cristianismo. Ao institucionalizar a Trindade e ignorar as tradições mais antigas da fé, deu-se início ao que Marvin M. Arnold chamou de “cristianismo imperial”, distanciado de suas raízes apostólicas.

Refletir sobre esse episódio é mais do que revisitar o passado: é uma oportunidade para questionar o que aceitamos como verdade “oficial” e buscar uma fé que se alinhe mais com as Escrituras do que com a política.

De tudo isso, resulta para mim que a Igreja Católica, Apostólica, Romana que conhecemos hoje é em parte uma deturpação dos ensinamentos de Jesus, o Cristo, promovida por Paulo de Tarso e pelo imperador romano Constantino, aquele com possível boa intenção e este pelo interesse político de prevalecer sobre os povos, expandir e fortalecer seus domínios sobre as nações conquistadas.

Quanto ao ateísmo a mim atribuído, isso já é outro assunto, para discussão futura.

 

_______________________

FONTES:

NICEIA E O CONCÍLIO NICENO DE 325 d.C. - Marvin M. Arnold D.D., Th.D. Traduzido por: Timothy Allen Barber.

TIMEU-CRÍTIAS – Platão – Tradução do Grego, Introdução e Notas de Rodolfo Lopes.

A TRINTADE – Santo Agostinho – Patrística – 2ª Edição.

 

Comentários


  • Facebook B&W
  • Branca Ícone Instagram
bottom of page